Após um período de escassez, acentuado pelo conflito no Oriente Médio, o mercado de fertilizantes começa a dar sinais de alívio, segundo a StoneX. Apesar disso, a consultoria informou nesta terça-feira (8/9) que a oferta ainda permanece bastante restrita no curto prazo, com o cenário pressionando os preços e a indústria de fertilizantes, especialmente os fosfatados.
As cotações do enxofre nos portos brasileiros recuaram mais de US$ 100 por tonelada nesta semana, queda próxima a 10%, enquanto alguns fornecedores do Oriente Médio reduziram seus preços de venda em setembro, informou a StoneX. No Brasil, os preços continuam acima de US$ 1.000 a tonelada, patamar 230% superior ao observado no mesmo período do ano passado.
“Parte dos investidores acredita que a fase de escassez extrema no mercado internacional de enxofre pode estar se aproximando do fim”, afirma o analista de inteligência de mercado da StoneX, Tomás Pernías.
“Rumores de retomada das exportações pelo Cazaquistão e, possivelmente, pela Rússia, poderiam aliviar parcialmente a situação dos compradores, ainda pressionados por preços altos e baixa disponibilidade”, acrescenta.
O especialista observa que a oferta global de enxofre foi comprometida, desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, pela redução do fluxo de navios no Estreito de Ormuz. Também houve interrupção de embarques da Rússia, do Cazaquistão e da Turquia.
A indústria de fosfatados, que utiliza o enxofre como insumo, está entre as mais afetadas. “Com preços elevados, a produção desses fertilizantes foi reduzida em diversos países, pressionando agricultores que já enfrentam margens apertadas, crédito limitado e custos mais altos”, explica Pernías.
Ainda que a queda recente dos preços e o possível aumento da oferta sejam sinais positivos para os compradores, o analista pondera que a expectativa de quedas mais agressivas nas cotações é limitada, uma vez que o conflito mantém a oferta internacional restrita. As importações brasileiras, entre janeiro e agosto, ficaram 50% abaixo do volume registrado no mesmo período do ano passado.
“Assim, apesar das notícias favoráveis, há pouca expectativa de mudanças relevantes no setor até o final de 2026”, resume Pernías.
