Investimento em armazéns deve seguir limitado apesar de juro menor, diz Citi

Taxa do Programa de Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), do Plano Safra 2026/27, foi reduzida para até 9,5%

Tempo de leitura: 2 minutos

| Publicado em 09/07/2026 por:

Economista | Analista de Mercado

A queda na taxa de juros do Programa de Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), do Plano Safra 2026/27, é considerada positiva para o mercado, mas não o suficiente para desencadear uma retomada nos investimentos pelos produtores. Segundo avaliação do Citi divulgada nesta quarta-feira (8/7), os aportes podem seguir limitados enquanto as margens do setor continuarem apertadas. A taxa de juros do programa foi reduzida em 50 pontos-base, para até 9,5%.

“Acreditamos que a lucratividade dos agricultores, que continua sob forte pressão, é o fator chave para impulsionar um aumento mais significativo na aceitação de crédito e investimentos em armazenamento”, disse André Mazini, analista o banco, em relatório.

O PCA, linha de crédito do governo federal para compra de silos, foi aprovado como parte do Plano Safra com um orçamento de R$ 5,9 bilhões, abaixo dos R$8,2 bilhões anunciados no ano anterior.

“Embora o orçamento mais baixo possa inicialmente parecer negativo, não esperamos nenhum impacto significativo na disponibilidade de crédito, já que a alocação de 2025/26 teve menos de 50% dos recursos disponíveis realmente distribuídos”, afirmou o especialista.

Neste cenário de baixo nível de investimentos em armazenagem pelos produtores, as companhias do setor permanecem pressionadas. A Kepler Weber divulgará seu balanço financeiro, referente ao segundo trimestre de 2026, em agosto e a expectativa do Citi é de “mais um conjunto de resultados fracos”.

“Estimamos receita líquida de R$ 307 milhões (-1,3% ano a ano), principalmente impactadas pelo ainda frágil segmento Farms [Fazendas], que pode cair 10% ano a ano neste [segundo] trimestre”, disse Mazini no relatório.

Apesar dos esforços de diversificação de receita realizados pela Kepler nos últimos anos, o Citi avalia que a empresa continua altamente dependente de seu tradicional negócio de silos para agricultores, que representa cerca de 30% da receita. “Enquanto não vermos uma recuperação na lucratividade dos agricultores, não esperamos uma melhora significativa nos resultados da Kepler”, acrescentou o especialista.

A perspectiva do banco para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da Kepler no trimestre é de R$27 milhões, com queda de 29% no comparativo anual, o que implicaria em uma margem de 8,8%, a menor desde 2018.

“Por outro lado, a empresa continua mantendo uma política rigorosa de posição líquida de caixa, que tem sido uma força importante durante a atual recessão. Prevemos um lucro líquido de R$12 milhões no segundo trimestre”, disse.

Globo Rural

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