El Niño afetará mercado de commodities no próximo trimestre, diz consultoria

Fenômeno deve trazer irregularidades nas chuvas e temperaturas acima da média em regiões produtoras

Tempo de leitura: 2 minutos

| Publicado em 09/07/2026 por:

Economista | Analista de Mercado

A consultoria StoneX divulgou seu relatório trimestral de expectativas para as commodities do agronegócio. A empresa destacou entre os fatores que devem influenciar as commodities nos próximos meses o fortalecimento do dólar, política monetária e os possíveis impactos de um El Niño de forte intensidade.

O fortalecimento do El Niño deve ser o principal fator de risco para a agricultura global no terceiro trimestre de 2026, diz a StoneX, trazendo maior probabilidade de irregularidades nas chuvas e temperaturas acima da média em importantes regiões produtoras.

“O terceiro trimestre será marcado pela consolidação do El Niño e por um aumento expressivo do risco climático em diversas regiões produtoras. O fenômeno tende a modificar padrões de chuva e temperatura em escala global, exigindo atenção redobrada de produtores e agentes do mercado”, afirma Carolina Giraldo, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Café

Para o café, após dois anos marcados por preocupações com a disponibilidade global do grão, o mercado entra no terceiro trimestre de 2026 com perspectivas mais confortáveis de oferta, impulsionadas pela chegada da safra recorde brasileira e pelo aumento da produção no Vietnã.

Esse cenário deve aliviar parte da pressão observada nos preços e gerar um superávit global da commodity, embora fatores como o ritmo de comercialização, a recomposição dos estoques e a evolução do El Niño continuem sustentando a volatilidade. À medida que o trimestre avança, os agentes do mercado também devem voltar a monitorar os riscos climáticos para a safra 2027/28 no Brasil e no Sudeste Asiático.

“A partir de julho e, principalmente, de agosto, volumes mais expressivos da nova safra brasileira devem chegar ao mercado internacional. Isso tende a reduzir o aperto observado nos últimos anos e aliviar a pressão sobre os diferenciais de exportação”, afirma Leonardo Rossetti, especialista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Soja

Apesar de um cenário global de oferta confortável, o mercado de soja entra no terceiro trimestre de 2026 com maior sensibilidade aos fatores climáticos e à evolução da demanda.

As atenções se voltam principalmente para a safra dos Estados Unidos, que atravessa seu período mais crítico de desenvolvimento sob a influência crescente do El Niño, enquanto o avanço da indústria de biocombustíveis e o cumprimento dos acordos comerciais entre China e Estados Unidos podem alterar o equilíbrio do mercado.

Ao mesmo tempo, a oferta robusta de Brasil e Argentina continua garantindo ampla disponibilidade global da oleaginosa. “O terceiro trimestre será decisivo para o mercado de soja porque coincide com a fase crítica da safra norte-americana. Embora o balanço global ainda seja confortável, a definição da produtividade nos Estados Unidos continuará sendo o principal fator de formação de preços”, afirma Ana Luiza Lodi, especialista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Fertilizantes

Com a redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio, o mercado global de fertilizantes inicia o terceiro trimestre de 2026 em um ambiente menos volátil, embora desafios relacionados à oferta, à logística e aos custos de produção ainda exijam atenção dos compradores, segundo a StoneX.

O relatório aponta que os nitrogenados podem encontrar suporte para recuperação dos preços diante da recomposição de estoques e da retomada da demanda, os fosfatados continuam enfrentando limitações de oferta e custos elevados de produção, especialmente pela escassez global de enxofre.

“A evolução das tratativas diplomáticas representa um fator importante para a redução dos riscos no mercado global de fertilizantes. Embora não elimine a possibilidade de novos episódios de instabilidade, esse cenário contribui para melhorar a visibilidade dos agentes do setor e reforça as expectativas de normalização dos fluxos comerciais ao longo do segundo semestre”, afirma Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Globo Rural

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