StoneX alerta para transição climática e risco de El Niño no 2º semestre com impactos no agronegócio

Relatório aponta chuvas irregulares, temperaturas elevadas e aumento da volatilidade climática como fatores de risco para a produção agrícola em 2026

Tempo de leitura: 3 minutos

| Publicado em 17/04/2026 por:

Economista | Analista de Mercado

As perspectivas climáticas para os próximos meses indicam um período de transição no fenômeno El Niño–Oscilação Sul (ENOS), com tendência de neutralidade no curto prazo e aumento do risco de formação de um El Niño no segundo semestre de 2026. A análise faz parte da 35ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX, divulgada recentemente.

O cenário reforça o alerta para o agronegócio, que deve enfrentar maior irregularidade nas chuvas, temperaturas acima da média e impactos regionais desiguais na produção.

Neutralidade do ENOS deve predominar no curto prazo

De acordo com centros internacionais de monitoramento climático, a probabilidade de neutralidade do ENOS é de cerca de 60% entre março e maio, aumentando para 70% entre abril e junho. Esse padrão deve se estender até julho.

A partir do segundo semestre, no entanto, os modelos climáticos passam a indicar aquecimento do Pacífico Equatorial, elevando o risco de formação de um novo El Niño.

Segundo a analista de inteligência de mercado da StoneX, Carolina Giraldo, o momento exige atenção redobrada no campo diante da maior instabilidade climática.

Clima mais instável e temperaturas elevadas marcam o período

As projeções indicam anomalias positivas na temperatura da superfície do mar em escala global entre abril e junho, com destaque para o Pacífico Equatorial e o Atlântico Sul.

Esse cenário pode favorecer episódios pontuais de maior umidade no Sul do Brasil, dependendo da atuação de sistemas atmosféricos regionais.

Em relação às chuvas, o comportamento será irregular ao longo dos próximos meses:

  • Abril deve registrar precipitações abaixo da média em regiões do Sudeste Asiático, Indonésia e sul da Austrália, enquanto áreas da América do Sul podem ter volumes acima da média.
  • Em maio, há tendência de aumento das chuvas no noroeste do Brasil, com condições mais secas na América Central e no norte da América do Sul.
  • Para junho, os modelos apontam maior equilíbrio na África e chuvas acima da média em partes do Brasil e do oeste da Colômbia.

A irregularidade na distribuição das chuvas, tanto no tempo quanto no espaço, segue como o principal desafio para o setor agrícola no curto prazo.

Safrinha de milho entra em zona de risco no Brasil

Na América do Sul, o cenário de transição climática aumenta as incertezas sobre o desenvolvimento da safrinha de milho.

A possível intensificação da corrente de jato subtropical pode dificultar o avanço de frentes frias, reduzindo a umidade no Sudeste e no Centro-Oeste e antecipando o fim do período chuvoso em estados como São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná.

Esse contexto pode impactar diretamente a formação de biomassa e a produtividade das lavouras em fases críticas do ciclo.

Excesso de chuvas também traz desafios operacionais

Apesar dos riscos de seca em algumas regiões, o relatório destaca que a umidade acumulada nos meses anteriores favorece a expectativa de uma supersafra de grãos em 2025/2026.

Culturas como café e cana-de-açúcar podem se beneficiar da recomposição hídrica, especialmente em áreas com melhor distribuição de chuvas.

Por outro lado, episódios recentes de excesso de precipitação em estados como Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais evidenciam desafios operacionais, como atraso na colheita e dificuldades no plantio.

Possível El Niño e Dipolo do Índico elevam riscos no 2º semestre

Para o segundo semestre, o relatório alerta para a possível combinação entre um evento de El Niño e o Dipolo Positivo do Oceano Índico (+IOD).

Caso ambos se confirmem a partir de julho, há aumento do risco de seca severa em regiões da Oceania e também no Norte e Nordeste do Brasil, o que pode afetar cadeias produtivas estratégicas e ampliar a volatilidade dos mercados agrícolas.

Planejamento e gestão de risco serão decisivos

Diante de um clima mais errático e imprevisível, o setor agropecuário deve intensificar o monitoramento das condições climáticas e adotar estratégias mais conservadoras.

O momento exige planejamento com maior margem de segurança e gestão ativa de riscos, já que os impactos climáticos tendem a variar significativamente entre regiões.

Mesmo com neutralidade no curto prazo, o cenário de transição reforça a necessidade de atenção constante às mudanças climáticas ao longo de 2026.

Portal do Agronegócio

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