Rebanho bovino dos Estados Unidos atinge menor nível em 75 anos e mantém carne com preços altos

Seca prolongada e altos custos de produção reduzem o número de animais e pressionam o mercado, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA)

Tempo de leitura: 2 minutos

| Publicado em 03/02/2026 por:

Economista | Analista de Mercado

Rebanho americano chega ao menor patamar desde 1951

O rebanho bovino dos Estados Unidos caiu para o menor nível em 75 anos, de acordo com dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) na sexta-feira (30). Em 1º de janeiro, o país contava com 86,2 milhões de bovinos e bezerros, número 0,4% menor do que o registrado no ano anterior — que já havia sido o mais baixo desde 1951.

A principal causa da redução é a seca persistente que atingiu as regiões produtoras, levando os pecuaristas a diminuírem seus plantéis diante da escassez de pastagens e dos custos crescentes de alimentação.

Recuperação do rebanho pode levar até dois anos

Analistas indicam que os preços da carne bovina devem permanecer elevados nos próximos anos, mesmo após os recordes alcançados em 2025. Segundo Rich Nelson, estrategista-chefe da Allendale, seria necessário pelo menos dois anos para que o setor recuperasse o volume de gado pronto para abate, caso os produtores comecem a reconstruir seus rebanhos imediatamente.

Alimentos caros afetam confiança do consumidor americano

O aumento dos preços da carne e de outros alimentos vem impactando diretamente a confiança do consumidor nos Estados Unidos, que caiu em janeiro ao nível mais baixo em mais de 11 anos, segundo o Bureau of Labor Statistics (BLS).

A pressão inflacionária tem se tornado um desafio político. O presidente Donald Trump, que prometeu em outubro “tornar a carne bovina mais acessível”, ainda não conseguiu conter a alta nos preços. Em dezembro, o valor médio da carne moída atingiu um recorde de US$ 6,69 por libra, alta de 2% em relação a novembro e 19% acima do mesmo período de 2024.

Seca e abate elevado aceleram a redução do rebanho

Desde 2019, o número de vacas no país vem diminuindo de forma constante. A seca nos estados do oeste reduziu as áreas de pastagem e elevou os custos de ração, levando os pecuaristas a enviar mais animais para o abate.

O número de vacas de corte recuou 1% em comparação ao ano anterior, totalizando 27,6 milhões de cabeças, o menor patamar desde 1961, conforme o USDA. O total inclui também vacas leiteiras, que frequentemente são destinadas à produção de carne.

Além disso, o aumento nos preços do gado tem incentivado os produtores a vender os animais para abate imediato, em vez de mantê-los para reprodução, aprofundando o desequilíbrio entre oferta e demanda.

Indústria frigorífica enfrenta impactos diretos

A queda na disponibilidade de gado também começa a atingir grandes processadoras. A Tyson Foods, uma das maiores empresas de carne bovina do país, anunciou o fechamento definitivo de uma unidade em Nebraska, que empregava cerca de 3,2 mil trabalhadores, e redução nas operações de uma planta no Texas.

A companhia deve divulgar seus resultados trimestrais na próxima segunda-feira, e o mercado acompanha de perto como o cenário de escassez de animais e preços altos afetará sua lucratividade.

Portal do Agronegócio

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