Produção de carne bovina no Brasil deve cair 2% em 2026 após cotas chinesas, diz Itaú BBA

Redução devido às salvaguardas da China é estimada em 200 mil toneladas

Tempo de leitura: 2 minutos

| Publicado em 07/01/2026 por:

Economista | Analista de Mercado

A imposição de salvaguardas pela China às importações de carne bovina deve resultar em retração da produção brasileira em 2026, segundo relatório do Itaú BBA. De acordo com o banco, a produção nacional deve recuar cerca de 2% no próximo ano, o equivalente a uma redução aproximada de 200 mil toneladas.

No relatório, o Itaú BBA avalia que a medida chinesa, que estabelece cotas de importação com tarifas elevadas para volumes excedentes, aumenta a necessidade de diversificação dos destinos das exportações brasileiras. Em 2025, a China respondeu por cerca de 1,7 milhão de toneladas das exportações do Brasil, concentrando parcela relevante da demanda externa.

A instituição financeira destaca que a queda projetada na produção tende a reduzir parte do excedente que precisaria ser redirecionado para outros mercados caso os embarques à China não se repitam em 2026 nos níveis observados em 2025. Segundo o banco, esse ajuste de oferta pode atenuar os impactos da salvaguarda sobre o mercado.

“O Brasil poderia, por exemplo, abastecer o mercado doméstico da Argentina, permitindo que uma parcela maior da produção argentina seja direcionada às exportações para a China”, aponta o Itaú-BBA. No caso argentino, a cota estabelecida de 511 mil toneladas ficou acima dos 436 mil toneladas exportadas o acumulado até novembro de 2025. O mesmo ocorre com o Uruguai, que teve cota de 324 mil toneladas tendo exportado 188 mil toneladas no mesmo período.

O Itaú BBA também aponta espaço para aumento das exportações brasileiras de carne bovina aos Estados Unidos. Segundo o relatório, o crescimento do déficit norte-americano de carne bovina em 2026 abre oportunidade para ampliação dos embarques brasileiros, especialmente enquanto houver disponibilidade dentro das cotas de importação daquele país.

Para o banco, a combinação entre retração da produção no Brasil e maior demanda dos Estados Unidos tende a moderar os efeitos negativos da limitação das vendas à China.

“Mantida a decisão chinesa de alocação das cotas entre os países produtores, e caso o Brasil não possa aproveitar partes não preenchidas por outros países, será fundamental acompanhar a capacidade do Brasil de redistribuir suas exportações em um momento em que a oferta ainda se mantém relativamente elevada dentro do ciclo pecuário”, completa o banco.

Globo Rural

TAGS:

Acesse todos os nossos conteúdos

Publicidade

Publicidade

Seja um assinante e aproveite.

Últimas notícias

plugins premium WordPress

Acesse a sua conta

Ainda não é assinante?