Após as quedas registradas no dia anterior, o mercado apresentou estabilidade nesta quinta-feira (14/5), informa a Scot Consultoria. No entanto, os fundamentos para as cotações eram os mesmos: oferta atendendo à demanda, sem excedentes, e escalas confortáveis.
Nesta quinta-feira, das 33 regiões pecuárias monitoradas pela Scot, 26 não tiveram alterações no preço do boi gordo na comparação diária. Houve quedas em Campo Grande (MS), oeste da Bahia, noroeste do Paraná e norte do Tocantins. Já em Pelotas (RS), oeste do Rio Grande do Sul e Roraima, foram registradas altas nas cotações.
Nas praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), referências para o mercado, o preço do boi gordo seguiu em R$ 350 a arroba para o pagamento a prazo. Também não houve mudanças nas cotações do “boi China”, da vaca e da novilha.
Segundo a Scot, os vendedores estavam ativos nas negociações, mesmo com os recuos na cotação ao longo da quinzena, estimulada pela diminuição da capacidade de suporte das pastagens e pela possibilidade de novas quedas no curto prazo. Do lado da ponta compradora, havia apetite nas aquisições, mas os frigoríficos já se atentavam para não formar estoques elevados diante da possibilidade de retração do consumo com a entrada da segunda quinzena do mês. Esse cenário mantinha a pressão sobre os preços.
Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, destaca que as escalas de abate estão atendendo entre sete e nove dias úteis na média nacional. “O avanço das escalas de abate está associado a maior disponibilidade de gado, o que é bastante comum no decorrer de maio, período que costuma marcar o auge da safra do boi gordo. As pastagens começam a perder qualidade e o pecuarista perde capacidade de retenção”, comenta.
Mercado atacadista
O alongamento das escalas de abate, o início da degradação das pastagens e a busca de equilíbrio entre os preços ofertados tem impactado nas cotações da carne bovina no atacado, que registraram recuos nessa primeira quinzena de maio, informa o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Na parcial deste mês (entre 30 de abril e 13 de maio), no atacado da Grande São Paulo, a carcaça casada bovina baixou 1,02%, sendo negociada a R$ 25,29 o quilo na quarta-feira (13/5). No mesmo período, a carcaça suína apresenta alta, de 3,50%, enquanto o preço do frango resfriado teve valorização de 4,95%.
No caso dos suínos, afirma o Cepea, apesar da recuperação recente dos preços, o aumento da produção acima do consumo ainda mantém as margens dos produtores pressionadas, especialmente diante dos custos elevados. Já o mercado de frango mostra reação positiva nas cotações ao longo do mês, sustentada por ajustes de oferta e melhora no escoamento, embora a demanda interna siga relativamente enfraquecida.
Segundo Iglesias, a expectativa é de queda nos preços no atacado no decorrer da segunda quinzena do mês, período pautado por menor apelo ao consumo.
