Peste suína derruba preços na Europa e aumenta pressão sobre mercado global

União Europeia pode ampliar oferta de carne suína no mercado externo com preços mais competitivos

Tempo de leitura: 2 minutos

| Publicado em 27/01/2026 por:

Economista | Analista de Mercado

O mercado europeu de carne suína iniciou 2026 sob forte pressão, com queda acentuada dos preços após a confirmação de novos focos de Peste Suína Africana (PSA) — doença viral altamente contagiosa que atinge suínos e javalis, não oferece risco à saúde humana, mas provoca embargos comerciais e abates sanitários. O avanço da doença, somado ao excesso de oferta e ao consumo enfraquecido, tende a intensificar a concorrência no comércio internacional e pressionar as cotações globais, com reflexos diretos para exportadores.

A confirmação de novos focos de Peste Suína Africana na Espanha, no fim de 2025, acelerou um movimento que já vinha se desenhando. As cotações do suíno vivo recuaram de patamares próximos a US$ 2,00/kg para níveis ao redor de US$ 1,50/kg no início de janeiro. No consolidado da União Europeia, o preço médio caiu para US$ 1,72/kg, o menor desde 2022.

Apesar do impacto sanitário, o principal fator de pressão é estrutural. De acordo com o Segundo relatório do Conselho de Desenvolvimento da Agricultura e Horticultura da União Europeia, a produção europeia de carne suína cresceu cerca de 4% entre janeiro e outubro de 2025, alcançando 18,2 milhões de toneladas, impulsionada por maiores níveis de abate e pelo aumento do peso das carcaças. A Espanha liderou esse avanço, com crescimento próximo de 7%, seguida por Polônia, Dinamarca e Itália.

O aumento da oferta ocorreu em um momento de demanda fraca. O consumo interno no país segue limitado pelo baixo crescimento econômico, pela inflação acumulada nos últimos anos e por mudanças no padrão alimentar do consumidor europeu. Com isso, o mercado entrou em 2026 claramente desequilibrado, pressionando preços e margens dos produtores.

Reflexos no mercado internacional

Esse cenário tende a gerar efeitos diretos no comércio global de carne suína. Com dificuldade para absorver internamente o volume produzido, a União Europeia pode ampliar sua oferta no mercado externo, buscando escoar excedentes a preços mais competitivos. Neste primeiro momento, o Brasil não será impactado com a oferta excedente da Europa no mercado global.

De acordo com Rodrigo Costa, analista da Pine Agronegócios, o Brasil não deve sofrer impactos diretos relevantes em função da recente queda dos preços da carne suína na União Europeia, movimento associado ao surto de Peste Suína Africana (PSA) na Espanha, ao crescimento da produção regional e à demanda interna enfraquecida. Essa resiliência brasileira decorre, principalmente, da diferença estrutural entre os mercados atendidos pelo Brasil e pela Europa.

Ainda segundo a Pine Agronegócios, as exportações brasileiras de carne suína estão fortemente concentradas em mercados asiáticos e das Américas, com destaque para Filipinas, Japão, China, Chile e outros países da Ásia-Pacífico. “A União Europeia, por sua vez, tradicionalmente direciona grande parte de sua produção ao mercado interno e, quando exporta, enfrenta restrições sanitárias, regulatórias e logísticas que limitam sua competitividade em diversos destinos onde o Brasil já está consolidado”, informou.

Por outro lado, é importante acompanhar que um prolongamento do cenário de preços deprimidos na Europa pode gerar efeitos indiretos relevantes. “Caso os valores europeus permaneçam baixos por um período prolongado, os exportadores da UE podem intensificar esforços para acessar mercados terceiros, inclusive alguns que hoje são atendidos majoritariamente pelo Brasil”, concluiu Costa.

CNN

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