NOAA: El Niño pode permanecer até março de 2024 e tem até 85% de atingir intensidade forte

Atualização também destaca que ano que vem poderá ter temperaturas ainda mais elevadas

Tempo de leitura: 2 minutos

| Publicado em 20/10/2023 por:

Engenheira Agrônoma | Analista de Mercado

Há algumas semanas o Brasil já sente os impactos do El Niño, de acordo com meteorologistas ouvidos pelo Notícias Agrícolas. As intensas chuvas no Sul do Brasil e a seca em áreas do Norte e Nordeste do país são características clássicas do fenômeno que de acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica (NOAA) pode persistir até março de 2024. 

“Dado o crescente aquecimento oceânico que está ocorrendo atualmente, acredita-se amplamente que 2024 poderá ser o ano global mais quente já registrado, possivelmente ainda mais quente do que o que já vimos em 2023”, disse Brad Rippey, meteorologista do gabinete do economista-chefe do Departamento de Agricultura dos EUA.

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Os dados foram atualizando pelo NOAA na última quinta-feira, dia 12. Além da extensão do fenômeno até o primeiro trimestre do ano que vem, os dados indicaram entre 75 e 85% do El Niño atingir forte intensidade. “Em resumo, prevê-se que o El Niño continue durante a primavera do Hemisfério Norte (com uma probabilidade de 80% durante março-maio ​​de 2024”, diz o comunicado. 

Impactos no Brasil

Os dados coletados nas estações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já mostram os efeitos do El Niño no Brasil. Depois de um setembro com chuvas acima da média no Sul e redução dos volumes nas áreas do Norte e do Nordeste, os produtores continuam sofrendo com as condições climáticas. 

No Sul do Brasil, só nos últimos dez dias o Inmet registroiu acumulados acima de 200mm em áreas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. O excesso de água, inclusive, trouxe muitos problemas não só na área rural, mas também na infraestrutura dos estados. Mais recentemente Santa Catarina foi o mais afetado pelas recentes chuvas. 

Já no Norte e Nordeste os volumes estão baixos e segundo dados da Agência Brasil, ao menos 23 municípios estão em situação de emergência no Amazonas. 

Dos 62 municípios amazonenses, 35 cidades estão em situação de alerta, duas em atenção e duas em normalidade. O governador Wilson Lima decretou situação de emergência em 55 municípios amazonenses afetados pela estiagem.

A perspectiva é que situação se agrave em outubro, quando a seca deve ser mais intensa. A estimativa da Defesa Civil é que até dezembro cerca de 500 mil pessoas sejam atingidas no Amazonas pelos efeitos da estiagem. 

“Segundo o Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), além de El Niño, que aumenta a temperatura das águas superficiais do oceano na região do Pacífico Equatorial, o aquecimento do Atlântico Tropical Norte, logo acima da linha do Equador, inibe a formação de nuvens, reduzindo o volume de chuvas na Amazônia”, disse  a publicação da Agência Brasil no início do mês. 

Já nas regiões Sudeste e Centro-Oeste o produtor continua aguardando pela retomada efetiva das chuvas. Em algumas áreas a chuva já começou a chegar, mas ainda com volumes baixos e com muita irregularidade. Segundo o Inmet, pelo menos até o final de outubro a tendência é da permanência da irregularidade nas chuvas. 

Notícias Agrícolas

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