México cria cota para importação de carnes bovina e suína

Arroz em casca, outro produto exportado pelo Brasil aos mexicanos, teve a isenção tarifária revogada

Tempo de leitura: 2 minutos

| Publicado em 06/01/2026 por:

Economista | Analista de Mercado

O governo do México publicou nesta segunda-feira (5/1) resoluções que estabelecem as cotas de importação de carnes bovina e suína para 2026 com isenção tarifária, dois dos principais produtos exportados pelo Brasil aos mexicanos.

Foram autorizadas as importações de 70 mil toneladas de carne bovina e 51 mil toneladas de carne suína. Os volumes excedentes dos limites definidos pagarão tarifas de 20% e 16%, respectivamente.

A cota não será específica para o Brasil, e valerá para todos os países com os quais o México não tem acordo de livre comércio. De acordo com o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, na prática, quem tem exportado esses produtos são as indústrias brasileiras.

De janeiro a novembro de 2025, os frigoríficos brasileiros exportaram 74,2 mil toneladas de carne suína ao México, com faturamento de US$ 181,4 milhões, e outras 113,2 mil toneladas de carne bovina, com receita de US$ 618,9 milhões, de acordo com dados do Ministério da Agricultura.

“Na prática, o Brasil continuará essencialmente exportando mais da metade do volume direcionado de carne suína e carne bovina ao mercado mexicano sem qualquer tarifa, sendo que a tarifa para aquilo que exceder as cotas estabelecidas sem tarifa varia entre 16% e 20%”, afirmou Rua.

Até 2025, a exportação desses produtos agropecuários ao México não era tarifada. A isenção estava prevista no Pacic, o plano mexicano contra inflação. Na semana passada, o programa foi prorrogado, mas diversos itens passaram a ter o fluxo controlado por cotas e tarifas, a exemplo das carnes bovina e suína. Os volumes das cotas só foram divulgados nesta segunda-feira (5/1).

O arroz em casca, outro produto exportado pelo Brasil ao México, também teve a isenção revogada. A cota para importação ficou em 200 mil toneladas em 2026. Em 2025, foram exportadas 133 mil toneladas do cereal brasileiro para os mexicanos.

A principal preocupação do Brasil é em relação à carne de frango, que permaneceu isenta e livre de cotas. Antes do Pacic, a comercialização do produto era taxada em 75%.

O pacote do governo mexicano contra a inflação e o encarecimento dos produtos alimentícios foi criado em 2022 e tem sido prorrogado de forma recorrente.

As normas, publicadas pelo México, afirmam que as cotas de importação serão atribuídas por meio de mecanismo de “concurso público”. Na agroindústria brasileira ainda há dúvidas de como será o acesso aos volumes. É aguardada a publicação de regra de “adequação” de como vai ser feita a distribuição da cota.

“As cotas de importação constituem um instrumento que permite a diversificação da oferta, gera melhores condições de concorrência e contribui para a estabilidade dos preços, especialmente em benefício dos consumidores com menor poder aquisitivo”, diz o documento mexicano. O país afirma que o mecanismo visa a manter o “equilíbrio entre a oferta externa e a produção interna e garantir o fornecimento do produto a preços competitivos”.

Na semana passada, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), comemorou a manutenção da isenção para a exportação de carne de frango (que chegou a 236,7 mil toneladas em 2025) e disse que a tarifa de 16% para a proteína suína “não torna proibitivo o comércio com o mercado mexicano”.

Segundo a entidade, “a alíquota que passa a vigorar não inviabiliza a continuidade do fluxo comercial, especialmente diante do histórico de demanda pelo produto. Entre janeiro e novembro de 2025, os embarques brasileiros para o país cresceram mais de 70% em volume, chegando a 74 mil toneladas”.

Consultada, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) ainda não se manifestou. A ABPA também não enviou novo posicionamento.

Globo Rural

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