A inadimplência no crédito rural voltou a crescer e chegou ao novo recorde de 7,4% entre as pessoas físicas em fevereiro, de acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas nesta segunda-feira (30/3) pelo Banco Central. Há um ano, no mesmo mês de 2025, o índice estava em 2,9%, o que mostra a aceleração do número de operações com mais de 90 dias de atraso no sistema financeiro atualmente.
Houve aceleração em relação a janeiro de 2026, quando a inadimplência estava em 7,1% entre as pessoas físicas. Antes desse salto iniciado ainda em 2024, o nível mais alto para a categoria havia sido registrado em outubro de 2017, de 3,3%.
O índice recorde de inadimplência entre produtores rurais pessoas físicas é puxado pelos atrasos em operações de crédito com taxas de mercado, que chegaram a 13,8% em fevereiro, patamar inédito na série histórica iniciada em 2011. No mesmo mês do ano passado estava em 4,7%.
Nos financiamentos com juros controlados, a inadimplência subiu para 2,8% contra 1,4% em fevereiro de 2025. Mesmo assim, não é recorde. Em 2017 e 2018, esse índice chegou a 3%.
No caso das pessoas jurídicas, a inadimplência também subiu e chegou a 0,7% no geral. Nas operações com taxas de mercado o índice chegou a 0,8% em fevereiro, enquanto nos financiamentos controlados o patamar caiu de 0,4% para 0,3%.
Segundo o Banco Central, o saldo de recursos direcionados aplicados em operações de crédito rural para pessoas físicas somou R$ 572,9 bilhões em fevereiro de 2026, com R$ 332,1 bilhões a taxas controladas e R$ 240,8 bilhões a juros de mercado. Para pessoas jurídicas foram outros R$ 114,6 bilhões.
Já as concessões de recursos no período desaceleraram. Foram apenas R$ 9,7 bilhões em operações de crédito rural para pessoas físicas em fevereiro de 2026. Em janeiro haviam sido desembolsados R$ 10 bilhões e em dezembro de 2025, R$ 18,3 bilhões. Na comparação com fevereiro de 2025, a redução é ainda maior. Naquele mês foram liberados R$ 11,6 bilhões a taxas livres e reguladas.
No somatório do Plano Safra 25/26, de julho do ano passado até fevereiro de 2026, o Banco Central considera a concessão de R$ 152,2 bilhões de crédito rural para pessoas físicas, mais de dois terços a taxas controladas. A taxa média de juros no período ficou em 11,7% ao ano, com quedas mensais. Ao considerar apenas fevereiro de 2026, os juros estavam em 10,2% ao ano, apontou o BC.
Nas operações a taxas de mercado, a queda foi mais acentuada. Começou o ano-safra, em julho de 2025, a 16,8% ao ano e chegou a 12,4% em fevereiro. Nos financiamentos com juros regulados, os índices saíram de 10% para 8,6% ao ano ao considerar todas as linhas e públicos.
A concessão de financiamentos para pessoas jurídicas foi de R$ 4,2 bilhões em fevereiro. No acumulado de oito meses do Plano Safra 25/26, os valores concedidos a empresas do agronegócio somaram R$ 49,5 bilhões, segundo o BC. A taxa média de juros no período é de 13,1%.
