Os preços dos fretes agrícolas em junho ficaram acima dos registrados no mesmo período de 2025. No comparativo mensal, alguns destinos registraram declínio em relação ao mês de maio, como a maioria das rotas avaliadas em Mato Grosso, maior produtor de grãos nacional. As informações estão no boletim logístico divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta terça-feira (28/7).
No acumulado do ano até junho, de acordo com a Conab, as exportações brasileiras de soja em grãos somaram 69,5 milhões de toneladas, alta de cerca de 7,12% em relação ao primeiro semestre de 2025. Os embarques de milho ao exterior também cresceram no mesmo período e alcançaram 7,9 milhões de toneladas, volume cerca de 22,13% superior ao totalizado em junho de 2025.
Apesar disso, a Conab registrou queda na maior parte das rotas avaliadas em Mato Grosso, maior produtor nacional de grãos. No Estado, 72% das rotas apresentaram recuo nas cotações mensais, que variaram entre queda de 8% e alta do mesmo valor. Segundo a companhia, o volume de embarques abaixo do esperado para o período e o aumento da demanda interna por milho elevaram os preços pagos ao produtor e reduziram as distâncias percorridas no transporte rodoviário.
Já em Mato Grosso do Sul, os fretes permaneceram estáveis, com aumento dos valores em metade dos trechos avaliados, sustentados pelos custos operacionais do transporte e pelo fluxo contínuo de cargas agrícolas.
Ainda no Centro-Oeste, a Conab também apontou recuo dos fretes na maior parte das rotas pesquisadas em Goiás, especialmente nas praças de Cristalina e Bom Jesus de Goiás. No Distrito Federal, todas as rotas registraram retração, com valores mínimos até 4% inferiores aos de maio. Segundo a companhia, embora o diesel permaneça mais caro do que no mesmo período do ano passado, a desaceleração do escoamento das safras de soja e milho explica esse movimento.
Na Bahia, os fretes também recuaram ou permaneceram estáveis na maior parte das rotas. Em Luís Eduardo Magalhães, importante polo produtor de grãos no oeste do Estado, as tarifas caíram até 7%, refletindo a redução da demanda após o pico de escoamento da safra, em abril, e o aumento da oferta de transportadores, que intensificou a concorrência.
No Maranhão, os fretes avançaram em algumas regiões, com destaque para Balsas e Tasso Fragoso, em razão do aumento da demanda após o fim da colheita da soja. No Piauí, as altas também predominaram, impulsionadas pelos embarques de soja ao exterior e pelo aumento do preço dos combustíveis no mercado local.
Nas praças paulistas, a maior parte dos fretes permaneceu estável ou registrou pequena alta. Apesar do atraso na colheita em algumas localidades, a demanda pelo escoamento da produção agrícola aumentou.
Em Minas Gerais, a pesquisa apontou preços em queda ou praticamente estáveis. Já no Paraná, o início da colheita do milho segunda safra ampliou a demanda por transporte nas principais regiões produtoras, com os custos operacionais influenciados pelo preço dos combustíveis.
