Fertilizantes: Parque Tecnológico da UFRJ sediará centro de fertilizantes, com investimentos de R$ 300 milhões

Parceria entre o governo federal, governo do Estado do Rio e universidade prevê reduzir a dependência externa de insumos e acelerar inovação no agro

Tempo de leitura: 4 minutos

| Publicado em 21/12/2023 por:

Engenheira Agrônoma | Analista de Mercado

O agronegócio brasileiro vai ganhar um hub de inovação para acelerar o uso de bioinsumos no setor com tecnologias já desenvolvidas no país. Trata-se do Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Cefenp), que será instalado no Parque Tecnológico da UFRJ, no Rio de Janeiro. A expectativa é de que o Centro comece a operar em 2025. O ano de 2024 será dedicado à estruturação do projeto e engajamento dos players do setor.

O objetivo é que o Cefenp ajude reduzir a dependência externa em fertilizantes químicos – principal meta hoje do Plano Nacional de Fertilizantes, que prevê diminuir as importações de 85% para 50% até 2050.

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O espaço está sendo desenvolvido por meio de uma parceria entre o governo federal, o governo do estado do Rio e o Parque Tecnológico da UFRJ. Ao todo, estima-se um investimento de R$ 300 milhões e geração de 300 empregos diretos de alta qualificação, segundo cálculos da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do governo do estado do Rio.

Fábricas de fertilizantes e plantas de médio porte

O valor inclui um aporte de R$ 35 milhões pelo governo do Rio, a partir do fundo soberano estadual de óleo, gás e fertilizantes. O restante dos recursos virão do governo federal.

Além disso, a secretaria estadual espera a construção de duas fábricas de fertilizantes no Parque Tecnológico, com investimentos em torno de R$ 4,6 bilhões e geração de 1,5 mil empregos diretos na fase de operação e 10 mil empregos durante as obras.

Também está prevista a instalação de dez plantas de médio porte, cujos investimentos podem ir de R$ 15 milhões a R$ 100 milhões por fábrica, com potencial de 400 empregos diretos. A atração das empresas ficará a cargo do Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert), presidido pelo Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Enquanto o Cepenf não fica pronto, a previsão é que seja entregue no primeiro trimestre uma plataforma virtual de gestão e negócios em fertilizantes, que vai funcionar como uma versão virtual do espaço. O canal vai conectar as empresas do setor com os atores do governo e servir de repositório de dados, reunindo bases de conhecimento das universidades, dados de mercado e de comércio exterior.

Ganho de eficiência

Segundo Vinícius Farah, secretário de desenvolvimento econômico do Rio, a iniciativa conjunta traz ganhos de eficiência. O governo estadual já estudava a criação de um condomínio industrial voltado para o agronegócio, ao passo em que o Confert já sinalizava o interesse em construir um espaço com soluções de bioinsumo:

– A gente ganha tempo e diminui valor do investimento. Houve uma coincidência de iniciativas que, no início, caminhavam de forma isolada, e hoje existe uma grande parceria. Assim a gente aproveita a estrutura e o andamento de cada projeto e acelera o processo de implantação – diz o secretário.

A parceria possibilita o aproveitamento do capital humano de instituições de pesquisa brasileiras para trazer soluções às demandas do setor privado para serem desenvolvidos no hub. Na prática, pesquisas já existentes viram inovação e se transformam em produtos comercializáveis e de fácil acesso aos agricultores da América Latina.

O Confert cedeu técnicos especializados no setor para desenhar o projeto junto com o governo do Rio e ficará responsável por mobilizar instituições com histórico em desenvolvimento de tecnologias próprias para a agricultura brasileira – como é o caso da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que faz parte do conselho.

A UFRJ colocará à disposição o espaço físico e seus acadêmicos e pesquisadores. Já o governo do Rio, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, contribuirá com a cessão de técnicos especializados.

Sede no Rio

A localização do Cefenp é estratégica. O centro de pesquisa será construído no Parque Tecnológico da UFRJ, no Rio de Janeiro, um ambiente que conecta o conhecimento acadêmico às empresas com o intuito de acelerar a inovação tecnológica no país.

O espaço hoje reúne mais de 30 empresas de diferentes setores, incluindo energia, sustentabilidade, óleo e gás, economia azul, biotecnologia, inteligência artificial, saúde, além de laboratórios da própria universidade. Na lista estão companhias como Ambev, MJV, Manserv, Ocyan, Petrobras, Siemens e Veolia.

– Além da presença de empresas de base tecnológica, o Parque tem a facilidade de dialogar com outras entidades de ciências do estado em que o mapeamento das competências das necessidades do Cepenf mostrem ser necessário – diz Romildo Toledo, diretor executivo do Parque Tecnológico da UFRJ.

Além disso, o Estado do Rio é abundante em gás natural e tem um ambiente favorável à produção de fertilizantes por ter sido o primeiro a instituir uma lei estadual de fertilizantes. Além da UFRJ, concentra instituições científicas importantes para desenvolver pesquisas para a produção de fertilizantes, como o Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), o Serviço Geológico do Brasil e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência pública federal com sede na cidade.

A ideia é que o Rio seja a sede nacional do Cefenp, mas que sejam criadas unidades temáticas localizadas em estados como São Paulo e Minas Gerais, além de unidades no Sul, Norte e Nordeste.

Redução da dependência externa

Pedro Veillard, superintendente da secretaria de desenvolvimento econômico do Rio, lembra que o Brasil consome cerca de 46 milhões de toneladas em insumos e gasta cerca de US$ 25 bilhões em importações por ano. E ressalta que o país hoje está vulnerável não só às volatilidades do mercado internacional de preço e oferta, como refém das tecnologias produzidas lá fora:

– Fizemos um levantamento sobre propriedade industrial e vimos que mais de 90% das tecnologias não foram desenvolvidas para as questões de clima solo e de temperatura do Brasil. Então tem uma dependência das importações e também tecnológica. A premissa é termos uma indústria do futuro ligada à agricultura capaz de descarbonizar, poluir menos e ter segurança na produção de alimentos de forma sustentável – afirma.

Como primeiro passo, um memorando de entendimento foi assinado pelo secretário de desenvolvimento econômico do Rio, Vinícius Farah, e pelo diretor Romildo Toledo Filho no último dia 11, no Parque Tecnológico da UFRJ.

O Globo

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