EUA anunciam nova tarifa de 25% sobre produtos do Brasil

Tempo de leitura: 3 minutos

| Publicado em 16/07/2026 por:

Economista | Analista de Mercado

Os Estados Unidos anunciaram a imposição de uma nova tarifa de 25% sobre certas importações provenientes do Brasil a partir de 22 de julho, informou na noite de quarta-feira o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR na sigla em inglês), sendo a primeira medida no âmbito da nova estratégia tarifária do governo Trump, que poderá vir a afetar dezenas de países.

A tarifa, lançada depois que a Suprema Corte dos EUA derrubou o eixo central do sistema tarifário de Trump no início deste ano, é o resultado de investigações sobre práticas comerciais desleais nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

O escritório do USTR abriu cerca de 80 investigações comerciais, e uma nova onda de tarifas poderia ser imposta a dezenas de países, incluindo a China, a União Europeia, a Índia, o Japão, a Coreia do Sul e o México.

O anúncio de quarta-feira segue-se a uma proposta apresentada pelo governo Trump em junho para impor uma tarifa de 25% sobre muitas importações do Brasil, após ter decidido que as práticas do país eram desleais em uma série de questões, que vão do comércio digital ao desmatamento ilegal.

“As extensas negociações com o Brasil ao longo do último ano não resolveram essas questões, mas continuamos abertos a prosseguir as negociações com o Brasil para promover as mudanças há muito necessárias em relação aos problemas identificados nesta investigação”, afirmou o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, em comunicado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a decisão dos EUA não tinha qualquer justificativa.

“O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio”, acrescentou Lula em postagem no X.

Segundo fontes do governo brasileiro, houve mais de 30 contatos, presenciais, virtuais ou por telefone, desde o anúncio do tarifaço original, nos níveis presidencial, ministerial e técnico. Somente com Greer e secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, foram 11 contatos, disseram.

Rubio, que foi acusado por Lula de ser anti-América Latina quando as tarifas americanas foram propostas em junho, culpou o presidente brasileiro e disse que “Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé”.

“Ao longo do último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de um acordo em prol do bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso”, disse Rubio em uma postagem no X.

CAFÉ, CARNE BOVINA E AERONAVES ISENTOS

As tarifas se aplicariam a milhares de importações brasileiras, incluindo açúcar, maquinário agrícola, vestuário, maquinário elétrico, papel e aço.

Os EUA afirmaram que isentariam todos os produtos propostos para isenção no aviso de junho, exceto alguns itens como polpa de dissolução de alta pureza e aplicações não farmacêuticas de certos produtos.

As isenções incluem carne bovina, café, terras raras, produtos energéticos, aeronaves e peças de aeronaves.

Os EUA também adicionaram mel orgânico, ferro gusa, café instantâneo sem sabor e alguns outros produtos à lista de isenções na quarta-feira.

A investigação contra o Brasil, aberta em julho do ano passado, citou várias supostas práticas desleais, incluindo desmatamento ilegal e o sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, o Pix, que, segundo o governo dos EUA, prejudica as empresas de cartão de crédito.

O Brasil rejeitou veementemente todas as alegações.

O Brasil também foi incluído em uma investigação separada da Seção 301 conduzida pelo USTR, com conclusão prevista para 24 de julho, sobre ligações com trabalho forçado nas cadeias de suprimentos de dezenas de países.

A investigação poderia resultar em uma tarifa adicional de 12,5%, elevando a carga tributária total para os produtos brasileiros a 37,5%.

Notícias Agrícolas

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