Estados Unidos devem voltar a liderar compras de café do Brasil, diz Cecafé

Em 2025, embarques para o mercado americano caíram devido à safra brasileira menor e às tarifas de 50% impostas pelo governo americano

Tempo de leitura: 2 minutos

| Publicado em 14/04/2026 por:

Economista | Analista de Mercado

Os Estados Unidos devem voltar a ser o maior destino das exportações brasileiras de café na safra que começa a ser colhida agora em abril, na avaliação do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Em 2025, as exportações para o mercado americano caíram devido à safra brasileira menor e à imposição de tarifas de 50% impostas pelo governo americano.

Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, diz que o setor ainda enfrenta os reflexos das negociações com os Estados Unidos para retomar gradualmente os embarques, após o tarifaço.

“O impacto do tarifaço continua existindo porque no ano passado houve muita liquidação de contratos e os contratos foram adquiridos para a próxima safra. Então, os embarques para os Estados Unidos vão melhorar a partir do segundo semestre”, afirmou Ferreira.

No primeiro trimestre de 2026, a Alemanha permaneceu como o maior importador de cafés do Brasil, com a compra de 1,19 milhão de sacas, 15,6% a menos que no mesmo período de 2025. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 936,6 mil sacas, com queda de 48,3% no trimestre. Na sequência estão Itália, com 885,2 mil sacas (alta de 10,2%), Bélgica, com 527,5 mi sacas (avanço de 4,5%), e Japão, com 440,1 mil sacas (queda de 35%).

Ferreira acrescentou que as incertezas sobre a política comercial americano e as complicações no Estreito de Ormuz, devido aos conflitos no Oriente Médio, contribuem para reduzir os embarques de café neste momento. O encarecimento dos fretes e dos seguros marítimos também ajudam a frear as exportações.

Preços em queda

O presidente do Cecafé vê uma tendência de acomodação para baixo nos preços internacionais do café, com a entrada da safra brasileira.

“As condições climáticas foram extremamente favoráveis em todos os aspectos. Há muito tempo não se via uma safra no Brasil em condições tão boas. Por isso a produtividade vai ser muito boa”, avalia Ferreira.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê para a nova safra um aumento de 17,1% na produção de café, par 66,19 milhões de sacas. Para o café arábica, a previsão é de um aumento de 23,3%, para 44,1 milhões de sacas. Para o conilon, a Conab estima um aumento de 6,4%, para 22,1 milhões de sacas.

Ferreira observou que os preços do café arábica na bolsa de Nova York atingiu média de US$ 384,48 a saca em março, o que representa queda de 23,76% em relação ao mesmo mês de 2025. O preço médio do café robusta em Londres, por sua vez, caiu 35,12% no mesmo intervalo, para US$ 212,30 por saca. Com a entrada de uma safra maior do Brasil, a tendência é de redução nos preços.

“E hoje o dólar chegou a R$ 4,98. No fim de 2024 o dólar era R$ 6,20. No fim do ano passado, era R$ 5,50. Isso gera bastante impacto nos preços recebidos pelo produtor”, acrescentou Ferreira.

Globo Rural

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