El Niño pode atingir intensidade muito forte e ampliar extremos climáticos, alerta Inmet

Boletim aponta 100% de probabilidade de permanência do fenômeno até o início de 2027, com previsão de excesso de chuva no Sul e estiagem mais severa na Amazônia

Tempo de leitura: 2 minutos

| Publicado em 04/08/2026 por:

Economista | Analista de Mercado

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) reforçou o alerta para a evolução do El Niño nos próximos meses. De acordo com o segundo boletim do Painel El Niño 2026/2027, o fenômeno deve ganhar força ao longo do segundo semestre deste ano e pode atingir a categoria de intensidade “muito forte” entre a primavera e o início do verão. Com esse cenário, aumenta a possibilidade de eventos climáticos extremos em diferentes regiões do Brasil, especialmente no Sul e na Amazônia.

As projeções do órgão indicam que há 100% de probabilidade de o El Niño permanecer ativo até o começo de 2027. A classificação de “muito forte” é utilizada quando a temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial supera em mais de 2°C a média histórica, condição capaz de provocar alterações significativas na circulação atmosférica e, consequentemente, no comportamento das chuvas e das temperaturas em diversas partes do planeta.

Sul deve enfrentar mais episódios de chuva intensa

Entre as regiões brasileiras, o Sul continua sendo a mais sensível aos efeitos do El Niño. O boletim aponta tendência de precipitações acima da média, favorecendo a ocorrência de temporais, enchentes, alagamentos, deslizamentos de terra e elevação rápida dos níveis dos rios.

Segundo o Inmet, as chuvas registradas no Rio Grande do Sul durante o mês de julho já refletem esse padrão. Como o solo da região se encontra com alta umidade e sem déficit hídrico, novos episódios de chuva intensa podem provocar respostas hidrológicas mais rápidas, aumentando o risco de transbordamentos e inundações.

Amazônia pode ter estiagem mais prolongada

Na região Norte, principalmente sobre a Amazônia, o comportamento esperado é o oposto. O fortalecimento do El Niño tende a reduzir o volume de chuvas, elevar as temperaturas e atrasar o início da estação chuvosa.

Esse cenário favorece a continuidade da estiagem, diminui a disponibilidade de água, intensifica o ressecamento da vegetação e aumenta o potencial para a ocorrência de incêndios florestais. O boletim também destaca a tendência de queda gradual dos níveis dos rios amazônicos, com avanço da seca em diferentes sub-bacias.

Caso o regime de chuvas permaneça abaixo da média nas próximas semanas, o Inmet avalia que os impactos hidrológicos poderão se intensificar, afetando a navegação, o abastecimento de água e atividades econômicas que dependem diretamente dos cursos d’água da região.

Monitoramento contínuo

O Inmet ressalta que o acompanhamento das condições do Oceano Pacífico e da atmosfera continuará sendo realizado ao longo dos próximos meses, uma vez que a evolução do El Niño poderá influenciar de forma significativa o clima brasileiro até o início de 2027. A expectativa é de manutenção do padrão de excesso de chuvas no Sul, enquanto a Amazônia deve seguir sob maior risco de estiagem e temperaturas acima da média.

Notícias Agrícolas

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