Área de algodão deve crescer 7% no Brasil em 2026/27, afirma Agroconsult

Previsão para o ciclo atual é de que o plantio atinja 2,22 milhões de hectares

Tempo de leitura: 2 minutos

| Publicado em 24/09/2026 por:

Economista | Analista de Mercado

Os bons resultados da safra 2025/26 de algodão no país, com aumento de produtividade e melhores margens, deve impulsionar o plantio da pluma na atual temporada 2026/27. O Brasil pode ter produção recorde se o cenário continuar positivo para a cultura.

Após a área plantada com algodão cair 6,3% em 2025/26, quando foram plantados 2,07 milhões de hectares, a previsão para a nova temporada é de que o plantio se recupere e atinja 2,22 milhões de hectares. Isso deve fazer com que a cultura retome o patamar de 2024, segundo estimativas apresentadas pela Agroconsult no 15 Congresso Brasileiro do Algodão.

“O preço do algodão certamente é um grande incentivo, mas o desempenho da safra em termos de produtividade também deixou todo mundo feliz”, disse André Pessôa, diretor da Agroconsult.

A maior liquidez do mercado, com aumento do número de contratos em aberto na bolsa de Nova York, também alimenta o otimismo dos produtores. “Temos mais do que o dobro de posições de contratos em aberto do que tínhamos no ano passado neste mesmo momento”, afirmou.

O cenário internacional também deve influenciar. Com queda na oferta de importantes países produtores, sobretudo Estados Unidos e Austrália, a Agroconsult prevê um déficit de cerca de 600 mil toneladas na oferta global da pluma, contribuindo para a alta dos preços.

“Podemos ter uma redução ainda maior nessa oferta. Mas também ao mesmo tempo podemos ter alguma mudança importante por parte dos consumidores. Mas o fato é que teremos um déficit na produção”, disse Pessôa.

O petróleo mais caro também impacta o custo de produção da indústria têxtil em países cuja matriz energética é mais dependente de derivados fósseis, observou Alessandra Zanetto, presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), no evento. A alta do petróleo encarece o custo das fibras sintéticas.

“Precisamos olhar de forma atenta para entender o quanto essa indústria está preparada para esse aumento de custo e o quanto continuará sendo competitiva, dando espaço para que a gente melhore ainda mais a nossa presença nessa indústria consumidora”, avaliou Zanetto.

O fato de o Brasil fazer duas safras de algodão por ano é uma vantagem competitiva no mercado internacional, permitindo ao país fornecer pluma nos 12 meses do ano, disse Aurélio Pavinato, presidente da SLC Agrícola. “Nos últimos 20 anos, o consumo e a produção mundial praticamente não mudaram. E o Brasil mais que dobrou a sua produção para atender o mercado. É uma mudança estrutural”, afirmou.

A perspectiva de preços mais estáveis contribui para o otimismo do setor, com mais previsibilidade para a indústria têxtil, acrescentou. “Quanto mais reduzir a volatilidade do preço do algodão, melhor para o crescimento na demanda. Nos anos em que o preço do algodão chegou a US$ 1,5 [a libra-peso], em 2011 chegou a US$ 2 dólar a libra-peso, destruiu demanda”, lembrou.

Para André Pessôa, as condições são favoráveis para que o Brasil se consolide como o maior exportador mundial de algodão, posição já alcançada há dois anos, na safra 2024/25. “Há uma perspectiva de que o Brasil continue se consolidando não só como um produtor muito relevante, mas também como o maior exportador de algodão no mundo”, destacou o analista.

Globo Rural

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