A valorização do boi gordo tem levado frigoríficos a ajustarem suas operações no Brasil, com redução de turnos e paralisações temporárias em unidades de abate. O movimento ocorre em meio à alta dos preços da arroba, que pressiona as margens da indústria.
Em Mato Grosso, unidades de abate tiveram as atividades suspensas temporariamente para manutenção e adequações operacionais. As medidas incluem férias coletivas e ajustes no ritmo de produção, em resposta ao aumento do custo da matéria-prima.
Alta da arroba sustenta cenário de pressão
Dados recentes indicam avanço consistente no preço do boi gordo. Apenas na última semana, a cotação a prazo em Mato Grosso subiu 2,41%, com média de R$ 349,50 por arroba.
Na prática, os valores já operam em patamares mais elevados. O boi gordo gira entre R$ 357,00/@ e R$ 360,00/@ no estado, com registros de altas diárias de até R$ 3,00/@. A vaca é negociada entre R$ 327,00/@ e R$ 330,00/@, enquanto a novilha varia de R$ 337,00/@ a R$ 347,00/@.
A oferta restrita de animais terminados segue como principal fator de sustentação dos preços, com frigoríficos pagando valores mais altos para conseguir completar as escalas de abate, que permanecem curtas, entre quatro e oito dias.
Demanda externa reforça valorização
O chamado “boi China”, que atende aos requisitos sanitários para exportação, também apresenta valorização. A arroba desse padrão é negociada em torno de R$ 365,00, com ágio de até R$ 8,00/@ sobre o boi comum.
O diferencial reflete a demanda do mercado internacional, especialmente da China, que segue como principal destino da carne bovina brasileira e influencia diretamente a formação de preços no mercado interno.
Estratégia da indústria muda no mercado futuro
Além dos ajustes operacionais, a indústria também alterou sua atuação no mercado futuro. Após uma semana com compras líquidas de contratos, houve uma reversão na estratégia, com ampliação das posições vendidas na sequência.
O movimento indica uma postura mais cautelosa no curto prazo, com foco em proteção diante da volatilidade dos preços e das incertezas sobre o comportamento do mercado.
O cenário reforça a pressão sobre as margens dos frigoríficos, que buscam equilibrar custos elevados da matéria-prima com a manutenção da competitividade nas vendas, tanto no mercado interno quanto nas exportações.
