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Afrouxamento da meta fiscal mexe com as perspectivas para a economia do Brasil

Especialistas dizem que o controle das contas públicas afeta a vida de todos os brasileiros.

Tempo de leitura: 3 minutos

| Publicado em 19/04/2024 por:

Engenheira Agrônoma | Analista de mercado

Esta semana, o governo anunciou metas fiscais mais frouxas. Economistas estão refazendo as contas, e os brasileiros também.

Para equilibrar as contas da casa, eles precisaram vender o carro da família. O Mauro Possatto, síndico profissional, agora quer controlar os gastos para financiar um novo. Mas se preocupa com o futuro.

As dúvidas sobre o futuro mexem com as contas das famílias da mesma forma que afetam quem gera empregos. O anúncio do afrouxamento da meta fiscal, que é o compromisso com o controle dos gastos do governo, acendeu nesta semana um alerta de que a preocupação com as contas públicas pode ter diminuído.

Uma decisão que afeta a vida dos brasileiros, dizem os especialistas. É que incertezas sobre os rumos de impostos, da inflação e dos juros afastam quem poderia investir no país. E isso tem consequências negativas, como explica o economista Marcos Lisboa.

“Isso prejudica o investimento, que é o emprego de amanhã, que é a fábrica de amanhã. Para investir, só com uma taxa de retorno muito alta, porque tem muito custo, tem muita insegurança. É melhor ter cautela. E a cautela vem dessa insegurança, mas essa cautela significa menor crescimento no futuro. Hoje, a gente tem uma economia que está com o nível de atividade bom. As notícias de curto prazo esse ano foram boas. Por outro lado, o investimento está baixo. E o investimento é o futuro”.

Os economistas explicam que o mercado reage a decisões tomadas aqui no Brasil e, também, ao que ocorre lá fora – como o conflito no Oriente Médio, que pressiona os preços do petróleo. Além disso, a perspectiva de juros altos por mais tempo nos Estados Unidos faz com que muitos investidores prefiram aplicar o dinheiro por lá. E a saída de dólares daqui do Brasil impulsiona a moeda americana, o que mexe com a nossa economia. Em 2023, o dólar caiu 8% em relação ao real. Só que a subida em 2024 já é maior do que essa queda em 2023. E, hoje, foi mais um dia de alta.

O economista Alexandre Schwartsman explica que o dólar alto, o conflito do Oriente Médio e a revisão da meta fiscal podem elevar os preços de alimentos e combustíveis, por exemplo. Uma combinação que influencia a decisão do Banco Central do Brasil sobre a taxa de juros.

“Se inflação de fato subir, o Banco Central vai continuar reduzindo o juro na velocidade que ele está reduzindo? Ele vai reduzir de uma maneira mais lenta? Ele vai parar? E tudo isso acaba, de alguma forma, impactando no custo que as pessoas vão pagar para tomar empréstimos, para financiar um automóvel, uma TV, uma geladeira. Qualquer uma dessas coisas que depende de crédito acaba, de alguma forma, sofrendo um pedaço desse efeito”, diz.

Quando a gente fala em contas públicas, fala de uma equação complexa. Mesmo assim, ela segue a regra de qualquer orçamento doméstico: se a família gasta mais do que ganha, a dívida cresce. No caso do governo, quanto mais isso acontece, mais difícil fica manter juros baixos – que são o preço do dinheiro emprestado. E quando o crédito encarece, a economia cresce menos. Por isso, é preciso gastar com mais eficiência, dizem os economistas.

“A gente não está gastando para melhorar a infraestrutura e aumentar a taxa de crescimento. A gente, basicamente, gasta em consumo corrente. Então, a gente literalmente está vendendo o jantar para pagar o almoço. E isso aí não termina bem em nenhum episódio histórico que a gente conhece”, afirma o economista Alexandre Schwartsman.

O economista José Roberto Mendonça de Barros reforça que a solução para as contas públicas não é diferente da que deve ser seguida em casa.

“Se você desequilibra e aumentou seu endividamento, só tem uma solução: joga o cartão de crédito na gaveta e joga fora a chave para evitar gastar para poder até acertar essa posição. É mais ou menos o que acontece no ponto de vista do governo através desse efeito sobre os investimentos que antes de tudo é o que não vai adiante”, diz.

Mauro Possatto acredita que agora está no caminho certo.

“Já estive no meio dos endividados. Nesse sentido, exatamente por não ter olhado a situação com tanto critério. Hoje em dia a coisa muda um pouco de figura. Eu falo que gato escaldado tem medo de água fria”, diz síndico profissional.

G1

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