Boi gordo começa setembro em alta e mercado ganha força para novas valorizações

Frigoríficos elevaram ofertas para recompor escalas, enquanto menor disponibilidade de animais terminados, exportações e mercado futuro reforçam expectativa de preços firmes na entressafra

Tempo de leitura: 3 minutos

| Publicado em 02/09/2026 por:

Economista | Analista de Mercado

O mercado do boi gordo começou setembro mostrando uma reação que o pecuarista aguardava após o período de pressão observado em agosto. A oferta mais controlada de animais terminados levou frigoríficos a melhorar as propostas de compra em diferentes regiões do País, com altas registradas em importantes praças pecuárias e a referência paulista retornando à casa dos R$ 345 por arroba.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, as valorizações no início do mês alcançaram São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins. No interior paulista, o boi gordo sem padrão para exportação avançou R$ 3/@ em um único dia, chegando a R$ 345/@, a prazo. O chamado “boi-China” também foi cotado a R$ 345/@, após valorização diária de R$ 1/@.

O movimento ganha importância porque ocorre justamente na entrada de setembro, período em que a pecuária começa a sentir de maneira mais evidente os efeitos da entressafra e da menor disponibilidade de animais terminados a pasto. De acordo com a Scot, vendedores permanecem firmes nas pedidas e mantêm a oferta controlada. Algumas indústrias que precisavam recompor as escalas aumentaram as ofertas para conseguir fechar novos negócios.

Oferta menor começa a mudar a negociação

A leitura encontra respaldo também na Safras & Mercado. Fernando Henrique Iglesias, analista da consultoria, avalia que as escalas dos frigoríficos de maior porte ainda permanecem relativamente confortáveis, principalmente pela presença de animais provenientes de parcerias e confinamentos próprios.

Mesmo assim, já aparecem negociações acima das referências médias em algumas regiões, indicando maior resistência por parte dos vendedores. Segundo levantamento da Safras & Mercado, a média da arroba avançou para R$ 344,85 em São Paulo, ante R$ 343,92 anteriormente. Em Mato Grosso do Sul, passou de R$ 337,16 para R$ 337,36/@, enquanto Mato Grosso saiu de R$ 326,69 para R$ 327,32/@. Goiás alcançou R$ 334,46/@ e Minas Gerais, R$ 333,82/@. A diferença entre as referências das consultorias decorre das metodologias, regiões e condições consideradas nos levantamentos, mas ambas apontam para um cenário semelhante: o mercado deixou para trás a pressão mais intensa observada no encerramento de agosto e iniciou setembro com maior sustentação.

Demanda também entra na conta

Do lado da demanda, Iglesias destaca que o recebimento dos salários no começo do mês pode favorecer a reposição entre atacado e varejo e proporcionar alguma recuperação dos preços da carne durante a primeira quinzena.

A Safras & Mercado, porém, pondera que a disponibilidade elevada de carne suína, carne de frango e ovos mantém forte concorrência sobre a proteína bovina e pode limitar movimentos mais expressivos no atacado. As referências apontadas pela consultoria estavam em R$ 26/kg para o quarto traseiro, R$ 20/kg para o quarto dianteiro e R$ 18,80/kg para a ponta de agulha.

Exportações e Estados Unidos reforçam cenário

Além da redução sazonal da oferta, o mercado externo permanece como peça importante para a formação dos preços. Conforme análise da Agrifatto citada no material de referência, a possibilidade de aumento das exportações brasileiras aos Estados Unidos adicionou um novo fundamento positivo ao mercado após a ampliação temporária da cota norte-americana de importação de carne bovina sem cobrança de tarifas.

A consultoria ressalva, contudo, que o volume disponível é disputado entre diferentes fornecedores habilitados, portanto ainda não é possível determinar quanto efetivamente ficará com o Brasil. O fator ganha relevância em um momento no qual também existe atenção sobre o ritmo das compras chinesas e o avanço da utilização da cota de importação da China para 2026.

B3 já trabalha com arroba perto de R$ 370

O mercado futuro ajuda a mostrar que a expectativa para a entressafra continua mais firme que as referências atuais do físico. O contrato do boi gordo para outubro de 2026 encerrou a sessão de 31 de agosto a R$ 368,15/@, segundo os dados apresentados no levantamento.

A diferença entre o físico paulista próximo dos R$ 345/@ e outubro negociado perto dos R$ 370/@ não garante que a valorização ocorrerá nessa magnitude, mas revela que os agentes seguem precificando um segundo semestre mais apertado em oferta.

Para o pecuarista, portanto, setembro começa com uma combinação mais favorável do que aquela observada durante parte de agosto: vendedores mais firmes, menor disponibilidade de boi terminado, frigoríficos pagando mais em algumas praças e contratos futuros sustentados em patamares superiores aos do mercado físico.

A velocidade dessa recuperação, entretanto, dependerá principalmente do tamanho efetivo da oferta de animais confinados, da capacidade dos frigoríficos de alongar novamente suas escalas e do comportamento das exportações. Por enquanto, o primeiro sinal de setembro veio do balcão: onde a indústria precisou comprar, foi necessário melhorar a oferta pela arroba.

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