A Noruega informou que não importará carnes e derivados do Brasil a partir de 3 de setembro. O país nórdico não é membro da União Europeia, mas seguirá o regulamento do bloco para importação de produtos de origem animal relativo ao uso de agentes antimicrobianos na produção animal.
Apesar de os noruegueses importarem pouco do Brasil, o bloqueio preocupa exportadores brasileiros, principalmente de carne bovina. O principal receio é com o desgaste da imagem dos produtos nacionais no mercado mundial.
No setor, não há mais expectativas de que o governo federal conseguirá reverter a medida a tempo. Executivos criticam a postura do Ministério da Agricultura diante da proximidade da data do início do embargo dos europeus à carne bovina. Segundo eles, há falta de ação técnica da Pasta.
Agora, a preocupação é com a possibilidade de países da África seguirem as orientações da UE e também vetarem a importação das proteínas a partir de setembro. Segundo uma fonte, nações de língua francesa no continente africano já deram sinalizações nesse sentido.
A informação sobre o bloqueio norueguês foi transmitida pelo posto diplomático brasileiro em Oslo ao Ministério da Agricultura e aos exportadores brasileiros há poucos dias. A Mattilsynet, Autoridade de Segurança Alimentar da Noruega, relatou a retirada do Brasil da lista de países aptos a exportar proteínas animais para a UE daqui três semanas.
“O país [Brasil] não consta mais da lista devido à falta de informações que garantam a implementação das medidas necessárias para assegurar o cumprimento da exigência de ausência de uso de antimicrobianos. Isso significa que remessas do Brasil não poderão ser importadas com certificado sanitário emitido a partir de 3 de setembro de 2026. Essa regra permanecerá em vigor até que o Brasil seja possivelmente reincluído na lista de países terceiros”, diz o comunicado oficial do órgão.
Serão aceitos carregamentos acompanhados de certificados emitidos até 2 de setembro de 2026. Mercadorias que chegarem ao controle de fronteira em data posterior também poderão ser aceitas, desde que os documentos sanitários sejam emitidos dentro da data limite especificada, informou o órgão.
Segundo dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura, a Noruega importou apenas 279 toneladas de carne bovina brasileira em 2025, negócios de US$ 3,8 milhões. Os noruegueses também compraram 45 toneladas de carne de frango, 43,8 toneladas de pescados e 41,2 toneladas de ovos. A importação de mel foi de pouco mais de meia tonelada. Ao todo, as compras da cesta de proteínas que entram na mira do bloqueio comercial geraram receita de US$ 4,5 milhões aos exportadores brasileiros no ano passado.
