As bolsas internacionais do café encerraram a segunda-feira (20) em alta, mantendo o viés positivo observado na última semana. O mercado segue sustentado pelo atraso da colheita brasileira, pelos estoques globais restritos e pelas incertezas em torno do clima para a próxima safra, fatores que continuam limitando a oferta disponível e elevando a volatilidade das negociações.
Na ICE Futures US, o contrato setembro/26 do café arábica fechou cotado a 324,55 cents/lbp, alta de 425 pontos. O vencimento dezembro/26 avançou 565 pontos, encerrando o pregão a 309,45 cents/lbp.
Na ICE Europe, o robusta também terminou o dia em campo positivo. O contrato setembro/26 fechou cotado a US$ 3.884 por tonelada, alta de US$ 7, enquanto o novembro/26 subiu US$ 22, negociado a US$ 3.851 por tonelada.
O principal suporte para as cotações continua sendo o ritmo mais lento da colheita no Brasil. Segundo levantamento da Safras & Mercado, os trabalhos seguem abaixo do registrado no mesmo período do ano passado e também da média dos últimos cinco anos, mantendo preocupações quanto à disponibilidade de café no curto prazo.
Além da oferta mais restrita, o mercado permanece atento às condições climáticas para o ciclo 2026/27. Durante o Fórum Café e Clima, promovido pela Cooxupé, especialistas destacaram que o avanço das condições associadas ao El Niño exige monitoramento constante, principalmente pelos possíveis impactos sobre floradas, desenvolvimento das lavouras e produtividade da próxima safra. Embora ainda não haja perdas consolidadas, o cenário climático reforça a cautela dos agentes de mercado.
Outro fator que segue dando sustentação aos preços é o comportamento das exportações brasileiras. De acordo com o Boletim Carvalhaes, os embarques de café arábica no primeiro semestre de 2026 registraram o menor volume para o período desde 2018, reflexo da menor disponibilidade do grão após duas safras consecutivas de oferta mais limitada. O desempenho confirma o cenário de estoques reduzidos, tanto no Brasil quanto no mercado internacional.
No mercado físico brasileiro, os negócios seguem acontecendo de forma seletiva. Com a colheita avançando lentamente e dúvidas ainda presentes sobre a qualidade de parte da safra, muitos produtores continuam realizando vendas pontuais, enquanto compradores permanecem disputando lotes de melhor padrão. Esse equilíbrio entre oferta restrita e demanda ativa mantém os preços internos sustentados, mesmo diante da elevada volatilidade observada nas bolsas internacionais.
