El Niño pode acontecer entre junho e julho, diz agência dos EUA

Órgão estima 82% de probabilidade do "fenômeno se estabelecer entre maio e julho deste ano e 96% de chance de persistir durante o inverno do Hemisfério Norte"

Tempo de leitura: 2 minutos

| Publicado em 11/06/2026 por:

Economista | Analista de Mercado

As chances de ocorrência do El Niño estão cada vez maiores, segundo a nova atualização da agência climática dos Estados Unidos (NOAA), divulgada na segunda-feira (8/6). De acordo com o relatório, há 82% de probabilidade de o fenômeno se estabelecer no trimestre entre maio e julho deste ano e 96% de chance de persistir durante o inverno do Hemisfério Norte, entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.

Análises da MetSul Meteorologia indicam que, neste mês de junho, as águas superficiais da faixa equatorial do Oceano Pacífico, especialmente próximas ao Peru e ao Equador, seguem em aquecimento.

Atualmente, o planeta está sob condições neutras do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS). Embora o sistema ainda seja classificado como neutro, o relatório mostra sinais cada vez mais consistentes de uma transição para o El Niño. As temperaturas da superfície do mar (TSM) na região equatorial estão, em sua maioria, acima da média nas porções central e leste do Oceano Pacífico.

Os dados registram anomalias de +0,7°C no Pacífico Equatorial Centro-Leste e de +1,7°C no Pacífico Equatorial Leste, próximo ao Peru e ao Equador. Esses valores marcam a quarta semana consecutiva em que essa área do Pacífico apresenta temperaturas compatíveis com um cenário de El Niño.

As mudanças observadas

Os dados atuais refletem uma mudança importante em relação aos últimos meses. A NOAA destaca que, entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, predominavam temperaturas da superfície do mar abaixo da média em grande parte do Oceano Pacífico equatorial, característica típica de um episódio de La Niña. A partir de fevereiro de 2026, porém, as temperaturas passaram a ficar acima da média e permaneceram elevadas ao longo das regiões central e leste do Pacífico equatorial.

Desde meados de abril de 2026, as anomalias positivas da temperatura da superfície do mar se intensificaram, indicando um aquecimento cada vez mais expressivo das águas na região. O relatório também aponta que, entre maio e junho, esse processo se consolidou progressivamente no Pacífico equatorial central e oriental.

Um Super El Niño?

Segundo análise da MetSul Meteorologia, o El Niño que se aproxima tem potencial para atingir intensidade entre “forte” e “muito forte” e, caso as projeções se confirmem, evoluir para um “Super El Niño” ao longo do segundo semestre de 2026. De acordo com a instituição, é nesse período que os efeitos do fenômeno devem ser sentidos com mais intensidade no Brasil.

“Se as projeções dos modelos numéricos vierem a se confirmar, este El Niño de 2026-2027 poderá ser um dos mais intensos dos tempos modernos, rivalizando ou superando em intensidade os eventos de 1982-1983 e 1997-1998 que foram episódios de Super El Niño poderosos”, diz, em boletim, o meteorologista Luiz Nachtigall.

Globo Rural

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