O cenário geopolítico, somado a fatores domésticos, deve fazer com que o mercado de fertilizantes encolha no Brasil. O Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas do Paraná (Sindiadubos-PR) calcula uma queda de até 15% no segmento em 2026.
Além dos efeitos da guerra no Irã, a entidade cita outros dois fatores: a tributação de PIS/Cofins sobre fertilizantes a partir de 1º de abril, por conta da reforma tributária, e a medida provisória 1.343/2026, sobre o frete mínimo.
No ano passado, o Brasil alcançou um recorde de 49 milhões de toneladas de fertilizantes entregues.
“As importações de fertilizantes estão apresentando uma queda no primeiro quadrimestre. Enquanto as empresas temem o alto custo atual, os agricultores preferem adiar a compra, esperando alguma melhora no futuro”, afirma o presidente do Sindiadubos-PR, Aluísio Schwartz.
A estimativa é que o fechamento do estreito de Ormuz resulte na perda de 5 milhões de toneladas na produção de fertilizantes fosfatados em um mês, já que pelo local passa cerca de 40% de todo o enxofre mundial, matéria-prima essencial para a produção do insumo.
O Sindiadubos-PR afirma que trabalha em conjunto com outras entidades do setor para sensibilizar o governo federal a adiar a cobrança de PIS/Cofins (do qual o setor era isento e que irá representar um aumento de 2%), rever os critérios da tabela do frete mínimo e negociar com o governo chinês a reabertura urgente das exportações de fosfatados para o Brasil, que é um dos maiores exportadores de soja para a China.
