A escalada das tensões no Oriente Médio já afeta cadeias ligadas à energia, fertilizantes e logística, com aumento de custos e mais incerteza no mercado químico global. No Brasil, porém, não há evidências de risco de desabastecimento de produtos químicos, segundo a Associação Brasileira da Indústria Química, que acompanha os desdobramentos do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
A entidade avalia que os efeitos mais relevantes ocorrem de forma indireta, sobretudo nos mercados de energia, fertilizantes nitrogenados e transporte marítimo. O Irã produz cerca de 3,5 milhões de barris de petróleo por dia, enquanto o Estreito de Ormuz concentra aproximadamente 20% da oferta global e 25% do comércio marítimo de petróleo. Com isso, uma restrição prolongada na região pode elevar o Brent e pressionar a nafta petroquímica, principal insumo da indústria química brasileira.
No caso dos fertilizantes, o impacto já é mais imediato. O Irã é exportador importante de ureia e amônia, e a instabilidade no Golfo vem ampliando a volatilidade. Desde o início do conflito, o preço da ureia no Brasil subiu mais de 33%. Como o país importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, cresce a exposição a choques de preços e de logística.
A Abiquim afirma que a indústria química brasileira opera com cerca de 40% de ociosidade, o que permitiria ampliar rapidamente a produção para atender o mercado interno em caso de necessidade. A entidade também destaca que medidas comerciais recentes aprovadas pela Camex ajudam a preservar a competitividade doméstica e a estabilidade do abastecimento.
Na avaliação da associação, o cenário mais provável é de conflito limitado, com alta temporária do petróleo, volatilidade moderada e impacto inflacionário administrável. Ainda assim, a entidade reforça que uma piora prolongada no Estreito de Ormuz pode ampliar a pressão sobre energia, fertilizantes e custos logísticos.
