Concessão de crédito rural recua 13% até fevereiro

Queda é mais acentuada nas operações de investimentos, de quase 22%

Tempo de leitura: 3 minutos

| Publicado em 10/03/2026 por:

Economista | Analista de Mercado

O desembolso de crédito rural pelas linhas tradicionais do Plano Safra tiveram queda de quase 13% de julho de 2025 até fevereiro de 2026 na comparação com o mesmo período da temporada anterior. Os financiamentos concedidos a pequenos, médios e grandes produtores foram de R$ 227,4 bilhões, uma desaceleração em relação aos R$ 260,3 bilhões liberados nos oito primeiros meses do ciclo 2024/25.

Os dados foram extraídos nesta segunda-feira (9/3) do sistema do Banco Central e compilados pela reportagem. Os números podem mudar de acordo com a data da consulta.

A queda nas concessões de crédito é mais acentuada nas operações de investimentos, de quase 22%, saindo de R$ 72 bilhões para R$ 56,2 bilhões nos períodos comparados das safras. O desembolso de custeio recuou 13,6%, para R$ 125,9 bilhões e o da comercialização caiu quase 19%, para R$ 21,7 bilhões. A liberação de recursos cresceu apenas para industrialização, com avanço de 50%, para R$ 23,4 bilhões. O número total de contratos também caiu 3%, para 1,5 milhão.

O Ministério da Agricultura ressaltou, em nota publicada nesta segunda-feira (9/3), que a contratação de crédito via Cédula de Produto Rural (CPR) de julho de 2025 a fevereiro de 2026 cresceu 39%, para R$ 163,4 bilhões. Esses dados não aparecem na consulta ao sistema do Banco Central, mas também são de operações realizadas por instituições financeiras a partir do recurso direcionado, que elas são obrigadas a emprestar aos produtores. Esses financiamentos são feitos majoritariamente para custeio, diz a Pasta.

O ministério passou a considerar os recursos contratados como base de comparação para o desempenho do Plano Safra. A diferença deles para os concedidos é que nessas operações ainda não houve liberação efetiva de valores dos bancos aos produtores. Há, por exemplo, R$ 15,1 bilhões contratados, mas ainda não concedidos.

A partir desse recorte, a Pasta identificou um “desempenho positivo” do crédito rural para médios e grandes produtores, com avanço de 7% nas contratações, para R$ 354,4 bilhões. O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) não é contabilizado. Os dados do BC indicam estabilidade nas concessões no período analisado, em mais de R$ 46,3 bilhões.

O número de contratações e de desembolsos a médios e grandes produtores, porém, é sustentado pelo crescimento das CPRs, pois há queda nas linhas tradicionais em quase todas as modalidades, com exceção da industrialização. O quadro é mais crítico nos investimentos.

“O panorama relativo dos investimentos se manteve inalterado, com queda de 20%, mostrando a cautela do setor com as taxas de juros atuais, dentro de uma perspectiva de queda da Selic em cerca de 2 pontos percentuais no fim de 2026”, escreveu a Pasta.

Os principais programas de investimento acumularam recuos em relação à safra 2024/2025. O Moderfrota liderou as quedas, com retração de 49%, passando de R$ 6,85 bilhões para R$ 3,48 bilhões. O Proirriga registrou redução de 48%, enquanto o Inovagro recuou 33%. O Pronamp, voltado ao médio produtor, teve queda de 34%, passando de R$ 5,49 bilhões para R$ 3,65 bilhões. O Prodecoop foi o programa com menor variação negativa, com redução de 3%.

Segundo o Ministério da Agricultura, as fontes de recursos controladas totalizaram R$ 98,8 bilhões entre julho de 2025 e fevereiro de 2026, no recorte para médios e grandes produtores, sem considerar o Pronaf. O principal crescimento foi da aplicação de valores das Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) na modalidade controlada, de 4.038%, para R$ 25,7 bilhões. O movimento é “reflexo de mudanças regulatórias que ampliaram o uso desse instrumento”, disse a Pasta.

Os recursos obrigatórios avançaram 5%, para R$ 36,0 bilhões, equanto a poupança rural controlada caiu 26%, para R$ 10,6 bilhões. Os fundos constitucionais recuaram 7%, para a R$ 13,1 bilhões.

As fontes livres alcançaram R$ 80,7 bilhões, com redução de 24%. A LCA livre recuou 36%, para R$ 41,1 bilhões, enquanto a poupança rural livre cresceu 28%, alcançando R$ 35,2 bilhões. O BNDES Livre registrou queda de 18%, somando R$ 3,8 bilhões.

Dos R$ 113,4 bilhões em recursos para linhas de crédito rural para médios e grandes produtores com equalização do Tesouro Nacional programados para este Plano Safra 2025/26, 61% ainda está disponível. De julho do ano passado a fevereiro deste ano foram concedidos R$ 44,1 bilhões, a maior parte em operações de custeio (R$ 27,7 bilhões).

As linhas de investimentos têm o maior saldo, proporcionalmente. Dos R$ 49,5 bilhões previstos foram liberados apenas R$ 16,2 bilhões. Ou seja, 67% dos valores ainda podem ser acessados.

Globo Rural

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