Guerra no Irã deve elevar custo de fretes no pico do escoamento de safra no Brasil

Altas nos preços do petróleo que devem gerar aumentos no valor do diesel

Tempo de leitura: 2 minutos

| Publicado em 03/03/2026 por:

Economista | Analista de Mercado

O escoamento da safra de soja já vinha com custos mais altos de fretes neste ano, em função de problemas no acesso aos portos do Arco Norte por Miritituba, no Pará. Agora, os ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã levam a altas nos preços do petróleo que devem se traduzir nos próximos dias em aumentos no valor do diesel e este será mais um fator a onerar as despesas com frete rodoviário, em pleno pico de demanda no Brasil.

“O aumento no preço internacional do petróleo, já observado até o momento, pode resultar em aumento no preço do diesel no mercado interno, encarecendo os preços de fretes e custos de produção”, disse Fernando Bastiani, pesquisador da Esalq-Log, à Globo Rural.

O CEO e cofundador da Binatural, André Lavor, explica que tensões internacionais em regiões produtoras de petróleo costumam gerar reação imediata nas cotações globais.

A guerra teve início no sábado (28/2) e na manhã de segunda-feira (2/3), por exemplo, o valor do barril chegou a subir 10%, passando dos US$ 82.

Em momentos de crises, o câmbio oscila e o diesel acompanha esse movimento. Segundo Lavor, em um país que ainda depende de importações, como o Brasil, essa volatilidade se traduz rapidamente em pressão sobre distribuidoras e transportadores em geral.

“O repasse pode começar a ser sentido em dias, especialmente em períodos de maior demanda logística”, estima o executivo da empresa que é uma das dez maiores produtoras de biodiesel do país.

“Como o transporte rodoviário é a espinha dorsal da movimentação de grãos, proteínas e insumos, a elevação persistente no combustível impacta fretes, margens do produtor e preço final dos alimentos”, acrescentou o CEO.

Olivier Girard, diretor da Macroinfra Consultores, pontua que a velocidade do repasse da alta do petróleo aos valores do diesel também depende da política de preços da Petrobras, que ainda passa pelo crivo do governo federal. Após isso, o próximo passo é o impacto sobre o custo dos fretes.

“É uma decisão que talvez em duas semanas a gente consiga começar a ver o reflexo direto no frete, que é o tempo para toda a cadeia se estabilizar”, estima o especialista.

O diesel representa uma parcela substancial dos custos do transporte rodoviário no país, podendo atingir entre 35% e 50% do custo total do frete, percentual que varia segundo a extensão das rotas percorridas, segundo Rafael Vieira, professor de pós-graduação de cadeias logísticas na Harven Agribusiness School.

Canal estratégico

Para o especialista da Harven, um ponto-chave da reação em cadeia que vem com o aumento nos preços do petróleo é o Estreito de Ormuz, uma rota considerada estratégica para o transporte de petróleo bruto e seus derivados, como o diesel.

“Qualquer interrupção ou limitação nessa passagem tende a pressionar os preços internacionais do petróleo, dada a perspectiva de escassez ou atrasos na oferta. Considerando que o diesel é um produto derivado do refino do petróleo, aumentos na cotação internacional do barril (como o Brent) impactam diretamente o seu valor no mercado global”, explicou.

Companhias de logística marítima já anunciaram a suspensão de transporte pelo canal de Ormuz e a aplicação de sobretaxas de guerra, devido aos riscos de transitar com cargas pela região, o que leva ao redirecionamento de rotas e custos de fretes marítimos maiores também.

Globo Rural

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