A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) divulgou o primeiro relatório da safra 2025/2026, projetando um crescimento de 13% nas exportações de algodão em relação ao último ano comercial. O levantamento aponta que o Brasil deve embarcar cerca de 3,2 milhões de toneladas da pluma, consolidando o bom desempenho observado no encerramento de 2025.
O relatório aponta que a semeadura da nova safra avança em ritmo consistente no País. O processo é favorecido especialmente nos estados produtores de segunda safra, como Mato Grosso, onde a colheita ágil da soja permitiu a antecipação dos trabalhos com o algodão.
Ajuste na área plantada e recordes
Apesar do otimismo nas vendas externas, a área plantada deve registrar uma redução de 5,5% nesta safra, totalizando 2,052 milhões de hectares. Segundo a Abrapa, o movimento reflete ajustes estratégicos dos produtores rurais diante dos custos de produção e das oscilações do mercado.
No campo das exportações, o mês de dezembro de 2025 marcou um volume recorde para o período, com 452,5 mil toneladas embarcadas e receita de US$ 707,4 milhões. O resultado foi 28,2% superior ao registrado em dezembro do ano anterior.
A China segue como o principal parceiro comercial do setor, sendo o destino de 32% do total exportado apenas no último mês de dezembro. Entre agosto e dezembro de 2025, o país asiático importou 364 mil toneladas, consolidando-se no topo do ranking de compradores do algodão brasileiro.
Consumo interno e crescimento dos estoques
O mercado doméstico também apresenta sinais de recuperação gradual. Entre janeiro e novembro de 2025, a produção têxtil no Brasil acumulou alta de 6,8%, enquanto o setor de vestuário avançou 0,7% no mesmo intervalo.
Com a combinação de uma produção elevada e o fluxo de exportações, os estoques finais de algodão no Brasil mantêm trajetória de alta. A projeção para julho de 2026 é que os estoques atinjam 835 mil toneladas, o que representa um salto de 65% na comparação com a safra anterior.
Panorama global do mercado de algodão
No cenário internacional, os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), publicados em janeiro de 2026, indicam uma produção mundial de 26 milhões de toneladas para a safra 2025/26. O volume representa um aumento de 0,8%.
Além do Brasil, países como China e Índia devem registrar aumento na oferta do produto. Por outro lado, competidores importantes como Estados Unidos, Austrália e Turquia tendem a apresentar redução em suas colheitas. O consumo global da pluma deve permanecer estável, estimado em 25,89 milhões de toneladas.
