Otimismo marca previsão para a safra de cana, que pode chegar a 595 milhões de toneladas

Olhando para o TCH, a safra atual mostra uma possível recuperação de 7,5%, chegando a algo em torno de 73 t/ha. Isso nos levaria a cerca de 552 milhões de t de moagem potencial de cana para o período.

Tempo de leitura: 3 minutos

| Publicado em 09/02/2023 por:

Engenheira Agrônoma | Analista de mercado

A nova estimativa para a safra de cana-de-açúcar 2023/2024 do Centro-Sul deve ser ainda mais otimista. De acordo com a hEDGEpoint Global Markets, a primeira estimativa da companhia, que já era boa, de 580 milhões de toneladas de cana, foi revisada para um volume total de cana de 595 milhões de toneladas.

“Nossa visão mudou e estamos, atualmente, ainda mais otimistas. Dado o recente clima quente e chuvoso nas regiões de maior produção, esperamos uma grande recuperação”, disseram os analistas da hEDGEpoint.

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Ainda sim, esse número pode ser de 593 milhões de t. Isso porque, apesar da precipitação ser  extremamente positiva para a próxima safra ela também atrapalha a moagem de cana-de-açúcar da safra 22/23.

Olhando para o TCH, a safra atual mostra uma possível recuperação de 7,5%, chegando a algo em torno de 73 t/ha. Isso nos levaria a cerca de 552 milhões de t de moagem potencial de cana para o período. Porém, de acordo com os analistas, até a primeira quinzena de janeiro, cerca de 542 milhões de t de cana foram moídas, restando apenas três usinas em operação que usam desta matéria-prima.

“Por sua vez, o aumento da precipitação elevou o risco de cana bisada. Mesmo considerando um início antecipado para 23/24 (por volta da segunda quinzena de março de 2023), acreditamos que a região deverá moer apenas mais 7Mt de cana, chegando a, no máximo, algo em torno de 550 milhões de t em 22/23”, disseram os analistas da hEDGEpoint.

Esse volume “extra” seria, então, incorporado no volume de cana de 23/24, elevando as 593 milhões de t para cerca de 595 milhões de t. No geral, a expectativa dos analistas é que o TCH mantenha a tendência positiva atingindo cerca de 78,1 t/ha em 23/24,  pois existe esse potencial. “Por exemplo, é possível comparar os números atuais com os ciclos de 11/12, 13/12 e 13/14, quando o TCH caiu 16%, recuperou 8,3% e 7% seguidos”, adicionam.

Ainda de acordo com os analistas, o clima é o maior motivo por trás de nossa expectativa de recuperação de quase 7% do TCH para 23/24. Não só as precipitações têm sido próximas da média desde agosto, como a previsão mostra que devem se manter positivas para o desenvolvimento da gramínea ao longo de fevereiro.

Em março, o clima mais seco do que o normal deve contribuir para um início antecipado. No entanto, a cana pode precisar de um pouco mais de tempo para se desenvolver, pois as chuvas dificultam a concentração de sacarose e, portanto, não devemos ver moagem antes da segunda quinzena de março.

“Esse otimismo fica ainda mais claro quando analisamos a umidade do solo e comparamos os valores do Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (Normalized difference vegetation index – NDVI) da cana. A umidade de São Paulo e Minas Gerais, que juntos são responsáveis por quase 70% da produção da região CS, se recuperou para perto de sua média de 30 anos. Além disso, a anomalia do NDVI mostra melhorias. Enquanto a principal região produtora ficou abaixo de 100% em janeiro de 2022, este ano a medição mostra grande melhora, perto de 110%”, disseram os analistas.

Porém, se o tempo surpreender, com extensão do período de chuvas e nebulosidade excessiva, pode haver retração. Se não tão intenso como em 2021, o clima inadequado faria a moagem variar entre 580 e 600 milhões de t. Isso significa que a produção de açúcar tem uma faixa possível de 35,5 a 36,7 milhões de t. Este intervalo conta também, segundo os analistas, com a expectativa de uma safra mais açucareira.

Conforme relatórios anteriores da HEDGEpoint, o mix de açúcar é um assunto mais delicado, pois envolve decisões governamentais em relação ao setor de etanol. Atualmente, os analistas acreditam em uma safra com o mix de açúcar em 46,9%.

“No entanto, contamos com a expectativa de que o governo não favoreça o setor de biocombustíveis e nenhuma decisão foi tomada até agora, nem sobre a gasolina ser um bem essencial e nem sobre a política de preços da Petrobrás”, disseram.

RPAnews

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