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O que a alta de juros e a recessão nos EUA significam para a economia brasileira

Analistas preveem dificuldades no combate à alta nos preços, por causa da tendência de desvalorização do real frente ao dólar, e possibilidade de saída de capitais do Brasil

Tempo de leitura: 3 minutos

| Publicado em 29/07/2022 por:

Eng. Agrônoma especializada em Administração Agrícola e Comércio Exterior.

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Inflação em alta e recessão nos Estados Unidos. Os problemas na maior economia global podem ter efeitos adversos no Brasil, num momento em que as projeções para o crescimento de nossa economia em 2022 estão aumentando e as de inflação, diminuindo.

Analistas preveem dificuldades no combate à alta nos preços, por causa da tendência de desvalorização do real frente ao dólar, e possibilidade de saída de capitais do Brasil.

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O CEO da Siegen Consultoria, Fabio Astrauskas, aponta que o impacto pode ser expressivo no Brasil, que há tempos convive com uma inflação elevada. Desde outubro, a taxa anualizada supera os 10%.

“Mesmo com o recuo mostrado no IPCA-15, seria temerário prever uma queda acentuada nos preços. A inflação poderá ter uma redução gradual no país, inclusive deflação em julho, mas o cenário conturbado tanto aqui quanto no mundo não autoriza previsões otimistas”, diz.

EUA sobem juros para controlar inflação

A preocupação com a elevada inflação americana, que atingiu 9,1% nos 12 meses encerrados em junho, a mais alta desde dezembro de 1981, fez com que o FOMC (o equivalente ao Copom brasileiro) aumentasse pela quarta vez seguida a taxa de juros nos EUA, em 0,75 ponto percentual. Ela passou para o intervalo de 2,25% a 2,50% ao ano.

O aumento dos juros nos Estados Unidos, em meio às turbulências internacionais e a aversão ao risco por parte dos investidores, favorece as compras de ativos mais seguros, como os títulos do Tesouro americano, e tende a provocar desvalorização de outras moedas.

Isto dificulta a entrada de recursos em países de maior risco, como o Brasil. Segundo a B3, no mês, até o dia 25, houve a entrada de pouco mais de R$ 400 milhões de recursos de investidores estrangeiros.

Há também uma menor liquidez no mercado. “Isto significa menos dinheiro em busca de retornos no mundo. Menos abundância de capital. E com juros maiores por lá, investidores pensam um pouco mais sobre investir aqui ou em outros países, onde o risco é maior”, apontam analistas da Rico Investimentos.

Mesmo as transações corporativas no Brasil podem ser afetadas com a menor disponibilidade de dinheiro na economia global. “Isto contribui para travar o crescimento nos negócios”, diz o diretor de finanças corporativas da consultoria Kroll, Alexandre Pierantoni.

PIB americano também causa preocupação

Outra preocupação para a economia brasileira vem com o desaquecimento da atividade econômica nos Estados Unidos. Nesta quinta, o Escritório de Análises Econômicas (BEA, na sigla em inglês) divulgou a primeira prévia do PIB do segundo trimestre, que mostra uma queda anualizada de 0,9%, a segunda retração seguida. Isto coloca o país em uma recessão técnica.

A desaceleração também é prevista pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que nesta semana rebaixou as expectativas de crescimento da maior economia global em 2022 e 2023. Se, em abril, o órgão internacional projetava que o PIB americano se expandiria 3,7% neste ano, agora projeta 2,3%. A estimativa para o próximo ano caiu de 2,3% para 1,0%.

A situação da economia americana preocupa o setor exportador brasileiro, justamente no momento em que as vendas para lá estão em alta. No primeiro semestre foram exportados US$ 17,63 bilhões, 31,85% a mais do que no mesmo período de 2021. É, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o melhor desempenho desde o início da série histórica, em 1997.

“Trata-se da maior economia do mundo e segundo parceiro comercial do Brasil”, diz a chefe de economia da Rico Investimentos, Rachel de Sá.

Ela alerta que, neste quadro, com o cenário de inflação alta e juros subindo em todo mundo, a probabilidade de uma recessão global ganha força, trazendo volatilidade aos mercados ao redor do mundo e aumentando as chances de contágio do Brasil.

Ao mesmo tempo, segundo Alex Kuptsikevich, analista sênior da FxPro, obriga o Federal Reserve (o BC americano), a diminuir o ritmo da alta nos juros. Ele destaca que a retração da economia americana não é fruto do aperto monetário, mas sim da queda nos gastos públicos decorrentes do fim de programas relacionados à Covid. Os impactos da alta de juros devem ser sentidos nos Estados Unidos daqui a seis meses.

Os trunfos do Brasil

Rachel de Sá, da Rico Investimentos, afirma que um fator pode minimizar os impactos por aqui: “O fato de termos saído na frente em relação ao aumento das taxas de juros posiciona o Brasil relativamente bem na batalha contra a inflação. Nossa taxa Selic se encontra acima de 13% ao ano e os juros reais próximos a 6%”, diz.

Outro aspecto que pode ajudar o Brasil no segundo semestre é uma eventual recuperação da economia chinesa. Após uma queda brusca da economia por causa de lockdowns em alguns dos principais polos econômicos, como Xangai e Shenzhen (leste da China), o governo chinês deve “pisar no acelerador” dos estímulos, tentando recuperar parte do crescimento perdido neste ano.

A projeção do FMI para o crescimento do PIB chinês é de 3,3%. Mas analistas apontam que o governo local fará o máximo possível para alcançar a previsão original do Partido Comunista Chinês (PCC), que era de uma expansão de 5,5% em 2022.

Gazeta do Povo

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