Fertilizantes: ureia perde valor diante de alta oferta global

Após a oferta de uma enorme quantidade de ureia em um leilão promovido pela Índia, cotações dos fertilizantes nitrogenados caem

Tempo de leitura: 3 minutos

| Publicado em 21/08/2023 por:

Engenheira Agrônoma | Analista de Mercado

Na última semana atuaram como fatores baixistas no mercado de fertilizantes o relaxamento das restrições de exportação de fertilizantes nitrogenados e fosfatados na China e elevada oferta mundial de ureia em leilões promovidos, principalmente pela Índia. Os fatores altistas são a safra Kharif, safra Rabi, safra de verão do Brasil e altas do enxofre, que é matéria prima para fabricação de outros fertilizantes.

Nitrogenados e amônia

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O último leilão indiano, que ainda não foi definido, foi um fator determinante para os preços de ureia nas duas últimas semanas, isso porque foi ofertado um grande volume de produto, de diferentes origens. Foram ofertadas 3,4 milhões de toneladas de ureia, das quais serão adquiridas 1,8 milhões de toneladas pela Índia, com envios até 26 de setembro de 2023.

Do total comprado, mais de um milhão de toneladas de ureia terão como origem a China, e as demais quantidades do Golfo Árabe (cerca de 350 mil toneladas) e da Rússia.

Houve aumento do interesse na compra de amônia, na última semana, fortalecendo as cotações do insumo. Contribuindo para a alta, a disponibilidade do produto está restrita em algumas regiões do globo, contribuindo para negociações spot. A tendência é que o novo Contrato de Tampa, negociado nos Estados Unidos, entre Mosaic e Yara, tenha um reajuste à maior para o próximo mês.

Fosfatados

Ganhos nas cotações de DAP estão sendo causados pela atividade de compradores indianos no mercado dos fosfatados. Índia, Paquistão e Bangadesh estão ativos e com demanda aquecida. No Brasil, os ganhos foram justificados pelo aquecimento do mercado, já que o plantio da safra de verão se aproxima, com a colheita em avanço das culturas de inverno.

O MAP valorizou pela 8° semana seguida no Brasil, fechando em US$ 532/t CFR na última semana. A principal cultura que impulsionou os preços foi a soja, grande consumidora de fertilizantes fosfatados. Apesar de altas, nos próximos meses devemos ver quedas, afinal o pio de compras e entregas desse tipo de fertilizante, no Brasil, é em agosto.

Na Índia, com a safra Kharif, o DAP teve ganhos de US$ 106/t CFR em três semanas, fechando em US$ 551/t CFR. Foram semeados 102,3 milhões de hectares no país, o que corresponde a 93% da área prevista inicialmente.

A safra Rabi, que ocorre no Paquistão, deverá continuar impulsionando os preços dos fosfatados nas próximas semanas. 100 mil toneladas de DAP foram compradas na última semana, de vendedores marroquinos e mais 35 mil toneladas, de origem australiana.

A Ethiopian Agricultural Businesses Corporation (EABC), estatal da Etiópia, emitiu um leilão anual para a compra de 1,024 milhão de toneladas de fertilizante à base de nitrogênio, fósforo, enxofre e boro (NPSB) e 332 mil toneladas de fertilizante a base de nitrogênio, fósforo e enxofre (NPS). Nos últimos quatro leilões, quem ganhou a licitação foi a empresa OCP.

Enxofre

A valorização do enxofre, nos últimos dois meses, pode ser justificada pelo aumento da procura na ponta final da cadeia, que significa uma maior venda de fertilizantes à base do enxofre (fosfatados). Como a venda de fosfatados está muito alta, conforme mencionado acima, o enxofre está sendo fortemente demandado pelas indústrias.

O maior demandante do insumo é a China, já que suas indústrias estão operando com 75% da capacidade. A China, fabrica os fosfatados para atender as vendas realizadas para Índia, Paquistão e Brasil.

A CMOC realizou um leilão para compra de 40 mil toneladas de enxofre, via porto de Santos, para entrega em outubro. O anúncio do leilão foi um ponto de alta para os preços do insumo.

No Oriente Médio, a Muntajat realizou um leilão para a venda de 35 mil toneladas de enxofre, ao preço de US$ 87/t FOB, com ofertas sendo recebidas até o dia 23 de agosto.

Potássicos

A proximidade da safra de verão brasileira está demandando uma grande quantidade de fertilizantes potássicos, como o Cloreto de Potássio (KCl), tornando o Brasil um grande comprador internacional desse insumo. Indicadores da StoneX apontam para preços de US$ 360/t CFR Brasil, com aumento de US$ 5/t em relação à semana anterior.

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