Frete não acompanha custo e transportadoras operam no limite em 2026

Alta do diesel, juros ainda elevados, queda na venda de caminhões e pressão internacional sobre combustíveis comprimem margens do transporte rodoviário e acendem alerta para toda a cadeia produtiva

Exportações de café do Brasil somam 3,1 milhões de sacas em abril, mas receita cai 17,7%

Entrada da nova safra impulsiona embarques de conilon e robusta, enquanto queda das cotações internacionais reduz receita cambial do setor

Preços de fertilizantes seguem firmes no Brasil

A demanda enfraquecida tem atuado como fator de pressão

União Europeia suspende importação de carnes do Brasil e agronegócio teme impacto bilionário nas exportações

Bloco europeu retira Brasil da lista de países habilitados após questionamentos sanitários sobre uso de antimicrobianos na pecuária

ALGODÃO/CEPEA: Em ritmo acelerado, embarques se aproximam de recorde

Mesmo restando praticamente três meses para o encerramento do período de exportação de pluma colhida em 2025, o ritmo acelerado dos embarques brasileiros de algodão segue sustentando o mercado doméstico e aproxima o País de um novo recorde histórico de escoamento externo. Ao mesmo tempo, segundo o Cepea, os preços internos continuam avançando, impulsionados pela postura firme de vendedores, pelas valorizações externas e pela oferta limitada típica do período de entressafra. Em abril, o Brasil exportou 370,4 mil toneladas de algodão, volume 6,5% superior ao de março/26 e expressivos 54,9% acima do registrado em abril/25, conforme dados da Secex. Trata-se do maior volume já embarcado para um mês de abril, ficando apenas 18% abaixo do recorde histórico mensal, de 452,5 mil toneladas, observado em dezembro/25. De acordo com pesquisadores do Cepea, o desempenho segue forte neste início de maio. Quanto ao mercado interno, os preços da pluma continuam em alta. Segundo o Centro de Pesquisas, vendedores seguem firmes nos valores pedidos, sustentados tanto pelas recentes altas externas – especialmente da referência internacional para a pluma posta no Extremo Oriente e dos contratos negociados na ICE Futures – quanto pela baixa disponibilidade de lotes no mercado spot.

CAFÉ/CEPEA: Frente fria limita queda dos preços; colheita tem ritmo lento

A colheita de café da safra 2026/27 no Brasil avança lentamente neste começo de maio, com muitas lavouras ainda apresentando percentual elevado de grãos verdes e com maturação desuniforme. Segundo pesquisadores do Cepea, há grande expectativa do setor pela entrada dos cafés da nova temporada, visto que as projeções indicam produção volumosa e, na safra passada, o volume foi limitado, especialmente de arábica. De forma geral, resta pouco café da safra 2025/26 disponível para negociação. De acordo com o Cepea, o avanço médio da área já colhida está entre 3% e 5% do volume total nas regiões de maior representatividade, sendo que agentes relatam lentidão na maturação dos grãos em parte das áreas produtoras, o que tem limitado o avanço mais intenso da colheita até o momento.  Segundo o Centro de Pesquisas, mesmo com a colheita ainda incipiente, a perspectiva de safra volumosa no Brasil já vinha pressionando os valores do arábica ao longo de toda semana passada. A queda, contudo, foi contida pela recente frente fria em regiões produtoras brasileiras no início desta semana, o que traz preocupações quanto à possibilidade de geadas, o que pode limitar a produção. 

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Preço do frete rodoviário sobe 8,39% em abril ante março, aponta Edenred Repom

SÃO PAULO, 11 Mai (Reuters) – O preço médio do frete por quilômetro rodado no Brasil fechou abril em R$8,66, alta de 8,39% frente ao mês anterior, refletindo maiores custos com o diesel e também o reajuste da tabela de frete, apontou nesta segunda-feira o índice levantado com base em dados da plataforma Repom. A alta do diesel, reflexo direto das tensões geopolíticas no Oriente Médio sobre a cadeia de abastecimento de petróleo, foi superior a 7% no mês passado, afirmou a Edenred Repom, marca da linha de negócios de Mobilidade da Edenred Brasil. “O expressivo avanço do frete em abril é a culminação de fatores estruturais e conjunturais. De um lado, sofremos o impacto direto das tensões internacionais sobre o petróleo e o repasse integral do novo piso da ANTT (tabela de frete)”, disse o diretor de Unidades de Negócio na Edenred Mobilidade, Vinicios Fernandes, em nota. “Por outro, temos um cenário em que a indústria atinge o maior nível em 14 meses e o agronegócio diversifica suas exportações, trazendo forte dinamismo à economia brasileira e absorvendo essa elevação de custos logísticos”, acrescentou Fernandes. A empresa destacou a atualização dos coeficientes de cálculo dos pisos mínimos de frete da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que entrou em vigor na metade de março e se refletiu de forma integral no “mês cheio” de abril. Do lado da demanda, a forte atividade econômica em setores-chave, como o agronegócio, garantiu a sustentação do indicador, em um mês em que os embarques de soja atingiram recordes, influenciando também o transporte rodoviário. Já o Índice de Gerentes de Compras (PMI), da S&P Global, saltou de 49,0 em março para 52,6 em abril, o nível mais alto em 14 meses, citou a Edenred Repom, cujo índice de frete é levantado com base em transações de frete e vale-pedágio.

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