Boi gordo tem alta em São Paulo e Goiás
Mercado do boi registra novas altas
Boi gordo tem alta em São Paulo e Goiás
Mesmo em meio a incertezas e aos impactos do atual conflito no Oriente Médio sobre o mercado brasileiro, o setor pecuário nacional se mostrou firme ao longo de março. Segundo pesquisadores do Cepea, os preços da arroba do boi gordo iniciaram o mês bastante firmes, mantendo os patamares praticados em fevereiro, tendo como suporte a baixa oferta de animais prontos para abate e a demanda externa aquecida. Em março, o Indicador do boi gordo CEPEA/ESALQ teve média de R$ 350,18, contra R$ 342,25 em fevereiro, com a arroba negociada a R$ 356,00 no último dia do mês, o maior valor nominal da série histórica do Cepea. Em termos reais, a média mensal é a maior desde fevereiro de 2022 – os valores foram deflacionados pelo IGP-DI de fevereiro/26. Pesquisadores do Cepea apontam que as chuvas ainda favoreceram as pastagens ao longo do mês, permitindo aos pecuaristas segurarem os animais no pasto por mais tempo. Dessa forma, a oferta de animais permaneceu reduzida em março. Com as escalas curtas, compradores acabaram cedendo e, ao longo do mês, aplicaram alguns reajustes no valor pago pela arroba.
O período da Quaresma reduziu a demanda e manteve os preços do setor suinícola nacional enfraquecidos ao longo de março. Segundo o Cepea, o mercado nacional também foi impactado por especulações referentes ao atual cenário geopolítico. As oscilações do dólar e a forte valorização do petróleo geraram incertezas e afastaram parte dos agentes da comercialização. Vale lembrar que o reduzido ritmo de negócios foi observado em todo o primeiro trimestre de 2026, mas acabou sendo reforçado em março. Para abril, as expectativas dos agentes consultados pelo Cepea seguem divididas. Parte deles mantém a cautela devido ao desempenho desfavorável do setor no primeiro trimestre, em termos de preços e de demanda interna. Já outros colaboradores estão com expectativa de uma possível reação, fundamentados no fim da Quaresma e no período de primeira quinzena do mês, quando geralmente parte da população tem maior poder de compra pelo recebimento de salários.
O movimento de queda nos preços da carne de frango, que vinha sendo observado desde o começo de 2026, foi interrompido nos últimos dias de março. Segundo pesquisadores do Cepea, a reação nos valores da carne esteve atrelada sobretudo ao encarecimento dos fretes. O conflito no Oriente Médio vem resultando em forte valorização do petróleo, o que, consequentemente, tem elevado os valores do diesel no Brasil. Com os fretes mais caros, agentes da indústria de frango de corte vêm repassando esses custos. Levantamento do Cepea mostra que praticamente todos os produtos acompanhados pelo Centro de Pesquisas apresentaram forte alta de preços entre 24 e 31 de março. Assim, o frango congelado negociado no atacado de São Paulo, que chegou a registrar forte desvalorização de 6,2% até o dia 19 de março, encerrou o mês com pequena queda de 0,3%. Já o cenário baixista observado ao longo do primeiro trimestre deste ano se deve especialmente ao descompasso entre a oferta e a demanda interna. Em termos comparativos, o frango inteiro congelado negociado no atacado da Grande São Paulo acumulou expressiva desvalorização de 9,4% entre janeiro e março.
Só neste ano, mais de 90 mil autuações já foram registradas, o que representa um aumento de 33% em relação a 2025 inteiro, quando foram aplicadas cerca de 67 mil multas.
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O mês de março se encerrou com movimentos distintos para os preços dos cafés arábica e robusta. Segundo pesquisadores do Cepea, enquanto o arábica voltou a se valorizar, ainda em função da oferta limitada e de preocupações geopolíticas, o do robusta seguiu enfraquecido em boa parte de março, uma vez que a oferta da variedade é um pouco maior que a do arábica. Além disso, a proximidade da colheita também reforça o movimento de baixa no preço do robusta. Pesquisadores do Cepea destacam que a valorização do arábica em março superou até mesmo o impacto vindo das boas projeções de safra no Brasil para a colheita 2026/27, que deve ganhar ritmo entre maio e junho. A safra é aguardada com expectativa positiva, pois pode representar a primeira colheita recorde no Brasil após cinco temporadas em que a produção da variedade ficou aquém do potencial produtivo, especialmente devido às condições climáticas nas principais regiões cafeeiras do País. Para o robusta, a perspectiva é de que volumes de robusta da temporada 2026/27 comecem a ser colhidos e entrem no mercado entre abril e maio, condição que tende a manter as cotações pressionadas.
Após meses de estabilidade, os preços do algodão em pluma ganharam força em março, impulsionados pela resistência dos vendedores, pelo aquecimento da demanda e pelo suporte do mercado externo. Com isso, o Indicador CEPEA/ESALQ já se aproxima de R$ 3,90/lp, registrando a maior alta mensal desde agosto de 2022. Segundo pesquisadores do Cepea, ao longo de março, vendedores se mantiveram firmes, atentos à valorização internacional. Já compradores, tanto agentes da indústria doméstica quanto de tradings exportadoras, ampliaram sua atuação no mercado. O movimento de avanço nos preços internos também foi sustentado por fatores como a valorização externa do petróleo, o encarecimento do frete e o elevado comprometimento da safra 2024/25, de acordo com o Centro de Pesquisas.
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