Ao mesmo tempo, a China mantém restrições nas exportações
Mercado de fertilizantes entra em fase de risco
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Carne bovina tem alta no atacado
Número de operações com mais de 90 dias de atraso é o maior já registrado pelo Banco Central
Arábica cai mais de 900 pontos e robusta recua até 174 pontos com mercado reagindo a projeções elevadas para o Brasil
Alta do petróleo fortalece competitividade da fibra, enquanto clima adverso nos EUA e incertezas globais mantêm mercado volátil
Oferta elevada limita reajustes no frango vivo
Cotações do boi avançam em várias regiões
Com as exportações em patamares elevados e com a menor disponibilidade interna, os preços da carne bovina negociada no atacado da Grande São Paulo seguem firmes ao longo de março, diferentemente do observado para as proteínas concorrentes, como suínos e frango, que registram desvalorizações ao longo do mês. A firmeza nos preços da carcaça casada bovina é observada mesmo durante este período de Quaresma, quando o consumo de carne bovina tende a recuar, e diante da maior competitividade das proteínas substitutas. Segundo o Cepea, no caso dos suínos, o aumento da produção acima do consumo tem pressionado os valores e mantido as margens dos produtores apertadas, especialmente diante dos custos elevados. Já o mercado de frango segue em trajetória de queda, refletindo a combinação de oferta abundante e demanda interna enfraquecida. Na parcial deste mês (de 27 de fevereiro a 24 de março), dados do Cepea apontam que a carcaça casada bovina registra estabilidade nos preços, enquanto a carcaça suína apresenta desvalorização de 1,54% e o frango resfriado, de expressivos 6,35%.
O setor suinícola nacional atingiu um marco importante em 2025, evidenciando resultados de investimentos e também a sua resiliência. Segundo o IBGE, a produção de carne suína alcançou 5,65 milhões de toneladas no ano passado, alta de 5,5% em relação a 2024 e um recorde. Para 2026, estimativas do Cepea indicam que a disponibilidade interna de carne suína vem aumentando desde janeiro e atingindo volumes significativos, mesmo diante de um cenário com demanda externa pela carne brasileira bastante aquecida. Esse fator, alavancado ainda por uma enfraquecida demanda interna, ajuda a entender os atuais baixos valores de comercialização dos produtos suinícolas. Para abril, o Cepea estima diminuição no ritmo de abates, o que pode limitar a disponibilidade interna, caso as exportações se mantenham firmes. Além disso, o fim da Quaresma, período que costuma reduzir o consumo, tende a elevar a demanda, podendo resultar em uma reação nos preços internos do animal e dos cortes.
O setor avícola nacional registrou produção recorde de carne em 2025, mesmo com o ano marcado por um caso de gripe aviária. O volume atingiu 14,3 milhões de toneladas, conforme dados divulgados neste mês pelo IBGE. O crescimento foi de 4,2% frente a 2024, representando o avanço anual mais intenso desde 2021. No quarto trimestre de 2025, a produção somou 3,65 milhões de toneladas de carne de frango, o maior resultado trimestral de toda a série histórica do IBGE. Em relação ao período anterior, houve uma alta de 1,5%; e, em comparação com o último trimestre de 2024, o avanço foi de expressivos 8%. Segundo pesquisadores do Cepea, o ritmo acelerado de produção ampliou a oferta interna, pressionando os valores. Projeções realizadas pelo Centro de Pesquisas apontam crescimento na disponibilidade interna de carne de dezembro para janeiro (quando foi recorde), caindo levemente em fevereiro, mas voltando a subir neste mês de março. Esse cenário é verificado mesmo diante do excelente desempenho das exportações brasileiras da proteína. Para o próximo trimestre do ano, o Cepea estima que o ritmo de abates da indústria deve diminuir, o que tende a limitar a oferta. Somado a isso, o fim da Quaresma tende a fortalecer a demanda, podendo resultar em uma reação nos preços internos dos produtos avícolas.