Café Balanço Mensal – Ago/23: café robusta sai na frente e tem variação mensal positiva

Apesar da grande safra esperada no Brasil, o café também é extremamente influenciado pelo dólar e pela economia dos principais consumidores do produto, no caso os EUA e a Europa. Isso ocorre, pois, informações como a taxa de juros afetam diretamente no apetite do consumidor final.

Tempo de leitura: 3 minutos

| Publicado em 13/09/2023 por:

Engenheira Agrônoma | Analista de mercado

Café Brasil

Depois de alguns meses com as exportações vindo abaixo dos volumes de 2022, o mês de agosto nos trouxe uma boa surpresa. Segundo os dados da Secex, no último mês foram exportadas 197,471 mil toneladas de café não torrado, representando uma alta de 41,1% ante a esse mesmo mês do ano anterior!

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Apesar dos números positivos para exportação, a variação mensal dos preços do café arábica no mercado físico foi negativa. Em Minas Gerais, a média da saca variou -2,76%, com o café encerrando o mês negociado a R$ 809,00. No Paraná, a queda foi ainda maior, com a variação mensal de -3,07% e a saca encerrando o mês a R$ 790,00.

Nesse mesmo caminho, o indicador da Esalq teve uma variação mensal de -3,16%. Entretanto, para o café do tipo robusta as coisas foram diferentes, e vemos a variação mensal do indicador ficar positiva, em +1,62%, encerrando a última sessão do mês a R$ 655,17.

O café robusta está passando por constantes valorizações ao longo do ano, com importantes importadores do grão reconhecendo a qualidade desse produto, o que o torna mais atraente, até certo ponto, frente ao café do tipo arábica, o qual possui um preço mais elevado.

A colheita estava praticamente finalizada até o final de agosto.

Café Mercado Externo

Iniciando pelo café arábica, os futuros contaram com uma variação mensal negativa lá na bolsa de Nova York, com o contrato dezembro (KCZ3) variando -7,26% e encerrando a última sessão de agosto cotado a 152,70 cents/lp.

Não é de hoje que acompanhamos a forte volatilidade dessa commodity, que é afetada fortemente pelo cenário macroeconômico mundial.

Apesar da grande safra esperada no Brasil, o café também é extremamente influenciado pelo dólar e pela economia dos principais consumidores do produto, no caso os EUA e a Europa. Isso ocorre, pois, informações como a taxa de juros afetam diretamente no apetite do consumidor final.

Devido aos EUA, a segunda quinzena do mês foi positiva para os ativos de risco ao redor do globo, com o dólar comercial sendo negociado abaixo de R$ 4,90! A desvalorização da moeda norte-americana veio após os dados do PMI Composto virem abaixo do esperado pelo mercado, sugerindo desaceleração na economia daquele país e reduzindo assim a chance de o Fed apresentar mais uma alta dos juros.

Seguindo esse caminho, a Europa segue com uma inflação acima de 10%, porém importantes países como a Alemanha já sinalizavam recuo da inflação para 5,20% ao ano, indicando melhora no seu mercado interno.

Outro suporte veio após o Rabobank, banco Holandês, informar que estima uma redução na oferta global para a safra 2023/24. Segundo os analistas, a nova estimativa é um volume de 172,6 milhões de sacas de 60kg, uma queda de 1,6 milhão ante as estimativas anteriores.

A redução viria principalmente da Colômbia e Vietnã, países que estão sofrendo quebras de produção devido ao clima adverso para a cultura. Na Colômbia as estimativas reduziram a produção em 1,1 milhão de sacas.

Do lado do café robusta, por outro lado, contamos com uma variação mensal positiva! O contrato novembro (RCX3) variou +3,74% na bolsa de Londres durante o mês de agosto, refletindo não apenas o cenário macroeconômico, mas também o recente aumento da busca pelo produto, em especial da China.

Quando falamos da oferta, os números apertam. Segundo dados vindos do Vietnã, maior exportador mundial de robusta, entre janeiro e agosto as exportações somaram 1,2 milhões de toneladas, cerca de 5,4% a menos que nesse período do ano anterior, refletindo a menor produção naquele país.

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