MINUTO DA SOJA: quedas em Chicago e pressão sobre o mercado brasileiro

Soja em baixa no Brasil e em Chicago, pressionada pela safra dos EUA; preços no Brasil caem em MT e PR, sob margens apertadas, com atenção ao clima, câmbio e demanda chinesa.

Tempo de leitura: 3 minutos

| Publicado em 29/08/2025 por:

Engenheiro Agrônomo

Mercado segue atento à safra nos EUA, liquidez interna segue restrita e paridade de exportação indica margens mais apertadas.

O mercado da soja encerrou a quinta-feira (28) sob forte pressão, tanto em Chicago quanto no Brasil. O avanço da safra norte-americana continua limitando as tentativas de reação das cotações e reforça o viés baixista no curto prazo. No mercado interno, os preços recuaram em boa parte das praças acompanhadas, refletindo baixa liquidez, poucos negócios efetivados e maior cautela dos agentes.

Fechamento em Chicago (CBOT)

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o movimento foi de queda generalizada. O contrato setembro/25 recuou 0,38%, encerrando o dia a US$ 10,32/bushel. O vencimento novembro/25 também caiu, com retração de 0,89%, fechando em US$ 10,49/bushel. Já janeiro/26 apresentou baixa de 0,91%, cotado a US$ 10,67/bushel.

A maior desvalorização ocorreu no contrato março/26, que cedeu expressivos 8,27%, negociado a US$ 10,00/bushel, refletindo ajustes mais fortes nas posições longas. Em termos de tonelada, a queda foi igualmente significativa: o março/26 passou de US$ 400,66/t para US$ 367,51/t, um recuo de US$ 33,15/t.

Esse movimento reforça a leitura de que, apesar da demanda internacional ser observada com cautela, a boa evolução da safra norte-americana continua a pesar sobre os preços, reduzindo o espaço para recuperação consistente no curto prazo.

Vendas Semanais da Soja nos EUA – Safra 2025/26

O relatório semanal do USDA, atualizado em 28/08, trouxe números positivos para a safra nova.

  • Vendas líquidas somaram 1,37 milhão de toneladas, com destaque para destinos não revelados (690 mil t), México (315,8 mil t), Taiwan (135,5 mil t), Reino Unido (66 mil t) e Turquia (64 mil t).
  • Embarques efetivos foram de 408,8 mil toneladas, queda de 21% frente à semana anterior e 23% abaixo da média das últimas quatro semanas. Os principais destinos foram México, Indonésia, Espanha, Coreia do Sul e Japão.

Embora o volume de vendas indique boa procura para a safra nova, os embarques ainda estão aquém do ritmo necessário para dar maior sustentação aos preços em Chicago.

Cotações da Soja no Mercado Interno

No mercado doméstico, a saca de 60kg apresentou oscilações negativas na maioria das regiões. No Rio Grande do Sul, o preço médio recuou para R$ 125,03/saca, queda semanal de 0,15%. Em Santa Catarina, houve leve alta de 0,02%, com a média estadual em R$ 125,75/saca.

O Paraná registrou uma das maiores perdas: média de R$ 119,65/saca, queda semanal de 1,25%, refletindo a retração da demanda e pressão de compradores. Em contrapartida, São Paulo apresentou valorização de 0,40%, com negócios médios a R$ 125,67/saca, puxados pelo consumo interno.

Já o Mato Grosso registrou a maior queda entre os estados monitorados, com a média recuando 2,00%, cotada a R$ 118,74/saca. No Mato Grosso do Sul, a média ficou em R$ 125,29/saca, recuo de 1,07%.

O Indicador Cepea/Esalq também sinalizou queda: no Paraná, a saca fechou a R$ 134,48, baixa semanal de 1,72%, enquanto em Paranaguá o valor foi de R$ 139,66, queda de 2,28%.

Paridade de Exportação – Mar/26

O cálculo de paridade de exportação realizado pelo Imea para março/26 mostra competitividade apertada. Em Água Boa (MT), a referência foi de R$ 110,24/saca (US$ 1.837,70/t), enquanto em Alto Araguaia o valor alcançou R$ 115,32/saca (US$ 1.922,38/t). Em Campo Verde, a paridade ficou em R$ 110,43/saca, e em Lucas do Rio Verde em R$ 106,78/saca.

Na média estadual, a soja de Mato Grosso apresentou paridade próxima a R$ 106,74/saca (US$ 1.779,36/t). Essa relação indica que, apesar da boa competitividade internacional, os custos logísticos e a pressão baixista em Chicago reduzem as margens do exportador.

De forma geral, o mercado da soja segue em compasso de espera. As quedas em Chicago refletem a boa evolução da safra nos EUA, enquanto no Brasil a liquidez permanece reduzida e os preços caminham de forma lateralizada, com leves quedas na maioria das praças.

O cenário de exportação para 2026 demonstra que o grão brasileiro segue competitivo, mas as margens apertadas exigem cautela dos agentes. Para as próximas semanas, o mercado deve continuar atento ao clima nos EUA, às movimentações da demanda chinesa e ao câmbio, fatores que podem alterar o quadro atual de pressão sobre os preços.

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