Farinha de Trigo: Mercado encontra estabilidade após semanas de recuo

Custos industriais e logísticos seguem elevados, limitando reduções mais expressivas nas cotações e impedindo que os moinhos repassem integralmente os descontos desejados. Paralelamente, os compradores continuam adiando aquisições, apostando em que ainda há espaço para novos ajustes negativos.

Tempo de leitura: 3 minutos

| Publicado em 12/11/2025 por:

Economista | Analista de Mercado

Farinha de Trigo

Após diversas semanas consecutivas de retração, os preços da farinha de trigo estabilizaram na comparação semanal. Apesar da pausa nas desvalorizações, o ambiente de mercado continua sob pressão, uma vez que os fundamentos de oferta e demanda permanecem praticamente inalterados. A ligeira ampliação no ritmo das negociações não foi suficiente para alterar o patamar das cotações, que seguem em volumes consideravelmente baixos diante da postura cautelosa dos compradores.

Do lado industrial, os moinhos mantêm uma conduta mais agressiva na tentativa de escoar estoques acumulados, diante de uma necessidade maior de capital de giro. Em alguns casos, as indústrias têm recorrido a estratégias híbridas de precificação, mesclando o custo do cereal armazenado com os valores correntes do mercado, mesmo sem acesso imediato ao trigo da nova safra. Essa prática tem resultado em maior competitividade das ofertas, porém à custa de margens reduzidas e, em certas operações, preços abaixo da média de mercado.

Os custos industriais e logísticos seguem elevados, limitando reduções mais expressivas nas cotações e impedindo que os moinhos repassem integralmente os descontos desejados. Assim, os preços encontram um piso técnico sustentado pela estrutura de custos, o que explica a atual estabilidade nominal observada no segmento. Paralelamente, os compradores continuam adiando aquisições, apostando em que ainda há espaço para novos ajustes negativos.

Mesmo com a proximidade das festividades de fim de ano, a demanda final continua retraída. Segundo agentes consultados, o maior endividamento das famílias tem comprometido o poder de compra, restringindo o consumo de produtos derivados do trigo. No atacado e no varejo, o fluxo de pedidos permanece moderado e sem sinais consistentes de reação.

Diante desse quadro, a ausência de estímulos do lado da demanda, somada aos estoques elevados e ao ambiente econômico incerto, mantém o setor em postura defensiva. Com isso, as perspectivas de valorização dos preços da farinha de trigo permanecem limitadas no curto prazo.

Com relação a matéria-prima, o mercado do trigo permanece em cautela, com agentes aguardando maiores definições sobre os próximos leilões de apoio à comercialização da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estatal destinará R$ 67 milhões para subsidiar o escoamento de até 250 mil toneladas do grão da safra 2024/25, com foco nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná, principais polos produtores do país.

Os valores atualmente pagos aos produtores situam-se significativamente abaixo do preço mínimo estabelecido pela política de garantia do governo federal, abrindo espaço para intervenção pública. O preço mínimo definido pela Conab é de R$ 78,51 por saca de 60 quilos, servindo como referência para assegurar a remuneração básica dos agricultores.

Representantes do setor avaliam que o volume anunciado pela Conab é modesto frente à disponibilidade interna, não sendo suficiente para alterar de forma substancial os níveis de preço ou a dinâmica de comercialização.

No tocante as importações, dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, até a primeira semana de novembro (cinco dias úteis), o Brasil importou 130 mil toneladas de trigo e centeio não moídos, o que representa 30,7% do total adquirido em outubro (425 mil toneladas em 19 dias úteis).

Por fim, no campo, o progresso da colheita avança de forma significativa. Segundo a Conab, até 9 de novembro, 63,7% da área cultivada havia sido colhida.

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