Café Balanço Mensal – Mar/23: colheita de café no Brasil se aproxima e pressiona as cotações

O mês de março não foi nada tranquilo para os futuros do café arábica na Bolsa de Nova York. Digo isso pois o movimento de montanha-russa nas cotações superou as expectativas, uma vez que vimos o contrato maio (KCK3) operando acima de 180 cents/lp em quase toda a primeira quinzena do mês, e recuar após o dia 21, levando a uma variação mensal negativa de -8% e cotações abaixo de 170 cents/lp.

Tempo de leitura: 3 minutos

| Publicado em 10/04/2023 por:

Engenheira Agrônoma | Analista de mercado

Café Brasil

Iniciamos falando sobre a atualização da Balança Comercial de março no Brasil. Segundo os dados da Secex, foram exportadas 163,444 mil toneladas de café não torrado, representando apenas 80,5% de todo o volume exportado no mês de março em 2022.

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Após excessos de chuva no país, o clima volta a ficar favorável para a cultura do café e pressiona as cotações. Lembrando que o Brasil é o maior produtor mundial de café.

As indústrias iniciam o processo de compras, mas encontram dificuldades em negociar com os cafeicultores, que seguem segurando o seu grão e aguardando por preços mais favoráveis.

No mercado físico brasileiro, a situação não é das melhores. A semanas os cafeicultores seguram o seu grão e apenas realizam negócios pontuais em momentos de necessidade, esperando preços mais elevados.

Como apontou meu colega Thiago Marques Cazarini, os produtores estão atrasados no cronograma de vendas e as torrefadoras atrasadas no cronograma de compras, levando a mais um obstáculo para a analisar a direção dos preços do nosso querido café.

Com maior oferta do produto, os preços devem cair frente a necessidade de os produtores venderem o seu grão. Entretanto, o inverso levaria a busca do produto pelas torrefadores, colocando boa parte das decisões na mão do produtor.

Os preços da saca no mercado físico tiveram uma queda mensal significativa. Em Minas Gerais, a variação foi de -6,91%, onde a saca saiu de R$1.135,50 para R$ 1.057,00.

Café Mercado Externo

O mês de março não foi nada tranquilo para os futuros do café arábica na Bolsa de Nova York. Digo isso pois o movimento de montanha-russa nas cotações superou as expectativas, uma vez que vimos o contrato maio (KCK3) operando acima de 180 cents/lp em quase toda a primeira quinzena do mês, e recuar após o dia 21, levando a uma variação mensal negativa de -8% e cotações abaixo de 170 cents/lp.

Para relembrar, o contrato maio havia conquistado no dia 21 de fevereiro o maior patamar em meses, de 197,30 cents/lp, mas que não teve suporte e veio a ser negociado a 178,65 cents/lp na quarta-feira dia 22. A diferença de 18,5 cents/lp foi sentida e levou muitos investidores a liquidarem suas posições.

O cenário macroeconômico tem influenciado o movimento dos preços, e mesmo após o banco central americano evitar a quebra dos bancos SVB e Republic Bank, as cotações não tiveram como se recuperar ante a pressão do anúncio da taxa de juros norte-americana pelo Fed.

Os números eram esperados entre 0,25 e 0,50 pontos e qualquer coisa fora desse intervalo deveria impactar negativamente para as comodities agrícolas ao redor do globo.

Entretanto, mesmo após o Fed atender as expectativas do mercado e elevar a taxa de juros em 25 pontos bases, para 5%, as cotações seguiram pressionadas.

Do outro lado, o mês também contou com suportes importantes como os dados produtivos de café na Colômbia. A Federação Nacional dos Cafeicultores informou no dia 13 que a produção de café na Colômbia deveria cair -4,8% devido ao excesso de chuvas no país. É importante lembrar que a Colômbia é um importante player do mercado, sendo o segundo maior produtor mundial de café arábica. Nesse dia as cotações valorizaram +0,53%.

E não parou por aí, pois na sexta-feira dia 24 os estoques certificados de café arábica na ICE recuaram para a mínima de 3 meses ao acumular apenas 749,933 mil sacas, auxiliando as cotações a valorizarem na sessão.

Falando um pouco sobre o café robusta, a colheita teve início no estado do Espírito Santo – Brasil e, diferente do arábica, a produção deve atingir patamares elevados em acordo com o esperado pelo mercado, pressionando as cotações em Londres que recuam -0,55% na quarta-feira dia 29.

Em contrapartida, o Escritório de Estatísticas Gerais informou que as exportações de café no Vietnã, maior produtor mundial de robusta, devem cair -1,6% no primeiro trimestre desse ano, para 9,5 milhões de sacas de 60 kg, apontando ainda embarques de apenas 230 mil toneladas nesse mês de março.

Mesmo atentos para o importante fundamento que é a oferta, devemos ficar de olho no cenário macroeconômico e suas consequências diretas no consumo dessa commodity, especialmente quando falamos dos EUA, maior consumidor mundial da bebida.

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