Milho – Mercado Externo
Os contratos futuros de milho encerraram a quarta-feira (29) com variações fortemente baixistas nos preços na Bolsa de Chicago (CBOT). O vencimento de setembro registrou recuo de 2,05% no comparativo diário, finalizando o pregão a US$ 4,49 por bushel. O contrato de dezembro registrou decréscimo diário de 1,83%, encerrando cotado a US$ 4,71 por bushel.

O desempenho negativo esteve diretamente associado ao enfraquecimento dos prêmios de risco climático nos Estados Unidos. Embora a cultura ainda atravesse um período de elevada demanda hídrica, as precipitações registradas recentemente, somadas às previsões de novas chuvas para os próximos dias, contribuíram para reduzir as preocupações em relação ao desenvolvimento das lavouras, desencadeando um movimento de ajuste técnico nas cotações.
A safra norte-americana se aproxima de uma fase decisiva de consolidação. A polinização das áreas cultivadas encontra-se praticamente concluída, etapa determinante para a definição do potencial produtivo da cultura. Apesar de algumas regiões localizadas no oeste do Corn Belt ainda enfrentarem limitações de umidade, as condições amplamente favoráveis observadas no centro e no leste do cinturão produtor seguem sustentando perspectivas bastante positivas para a produção.
Diante desse cenário, cresce a percepção de que os Estados Unidos deverão colher uma safra robusta, reduzindo a necessidade de incorporar prêmios de risco às cotações futuras. Como consequência, o mercado tende a encontrar maior dificuldade para sustentar movimentos consistentes de recuperação no curto prazo.
No comércio exterior dos EUA, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reportou vendas externas líquidas de milho de 362.916 toneladas na semana encerrada em 23 de julho, referentes à temporada 2025/26. No acumulado anual, os compromissos para exportação já alcançam 86.975.571 toneladas, expansão de 23,5% sobre o mesmo intervalo do ciclo anterior, quando estavam em 70.450.852 toneladas. Também foram reportadas vendas líquidas de 1.062.421 toneladas, referentes à safra 2026/27.

Milho – Mercado Interno
No mercado doméstico, os contratos futuros encerraram o dia com variações mistas nos principais vencimentos. Na B3, o vencimento de setembro teve decréscimo de 0,4% em relação ao pregão anterior, fechando a R$ 70,01 por saca, enquanto o contrato de novembro caiu 0,64%, sendo cotado a R$ 74,88 por saca. Entretanto, os vencimentos mais longos, como os de janeiro, março e maio de 2027, registraram movimentação positiva.

O Indicador Esalq/B3 (Cepea), referência para a praça de Campinas (SP), avançou 0,2% no comparativo diário, fixando-se em R$ 65,33 por saca. No mercado físico, as regiões monitoradas registraram movimentações heterogêneas nos preços médios. As altas ocorreram em Santa Catarina, Paraná e no Mato Grosso. Houve queda em São Paulo e no Rio Grande do Sul. No restante das regiões, houve estabilidade.

As atenções dos agentes seguem voltadas para o avanço da colheita da segunda safra. Embora os trabalhos de campo ainda apresentem ritmo inferior ao esperado para esta época do ano, permanece um volume expressivo, estimado em aproximadamente 40 milhões de toneladas, a ser retirado das lavouras. Esse cenário reforça a perspectiva de elevada disponibilidade do cereal nas próximas semanas, com a produção nacional ainda projetada próxima de 110 milhões de toneladas.
Ao mesmo tempo, a recente acomodação dos preços reduziu o ritmo das negociações no mercado interno. Consumidores, especialmente os segmentos de ração animal e etanol, permanecem adotando uma postura cautelosa, restringindo as aquisições aos volumes estritamente necessários para atender à demanda imediata. A expectativa de ingresso de uma parcela significativa da produção ainda retida no campo continua limitando movimentos expressivos de valorização, mantendo compradores e vendedores em compasso de espera diante da evolução da colheita.
No comércio exterior, por sua vez, o ritmo das exportações começa a ganhar intensidade à medida que o avanço da colheita amplia a disponibilidade de produto. Os embarques de julho deverão alcançar aproximadamente 2 milhões de toneladas, volume limitado, ao longo do mês, pela restrição de oferta disponível. Para agosto, o Line-up já indica cerca de 2,5 milhões de toneladas programadas para exportação, com possibilidade de novas nomeações nas próximas semanas. A expectativa é de que o fluxo embarcado acelere ao longo do segundo semestre, contribuindo para absorver parte da produção da segunda safra, aliviar a pressão sobre a oferta doméstica e fortalecer o ingresso de divisas na economia brasileira.
