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MINUTO DO CAFÉ: arábica é pressionado por chuvas no Brasil e temor por queda no consumo mundial

Pressionado pelas chuvas no Brasil, que favoreceram as floradas dos cafezais, a ideia de que talvez não houvesse redução na demanda não aguentou ser suporte por muito tempo, afinal, uma oferta abundante também empurra os preços.

Tempo de leitura: 2 minutos

| Publicado em 18/10/2022 por:

Engenheira Agrônoma | Analista de mercado

Desde a sessão da última quarta-feira (12), os futuros do café arábica estão derretendo. Até ontem (17) o contrato novembro na ICE (KCZ22) acumulava uma desvalorização de -11,40%! Na verdade, ele atingiu a sua mínima em mais de um ano! Diversos são os fatores apontados como responsáveis por essa derrocada, mas, de modo geral o cenário macroeconômico mundial é o principal deles.

Por ser um produto de “luxo”, o café fica muito exposto às oscilações econômicas, afinal, você deixaria de comer ou de tomar café? A União Europeia e os Estados Unidos, grandes consumidores da bebida, estão sofrendo com juros altos, o que leva a imaginar uma consequente redução no consumo, mas como sabemos esse cenário não é de hoje. Então, por que só agora as cotações sentiram a pressão? O fato é que essa bebida é mais resiliente do que imaginamos. Em pleno ápice do Covid-19, o consumo desse produto não teve reduções significativas, o que acabou dando sustentação no cenário atual. Particularmente não estou vendo redução no número de pessoas que vão a cafeterias ou compram café nos mercados, eu diria que no máximo veremos uma troca por marcas mais baratas.

Porém, pressionado pelas chuvas no Brasil, que favoreceram as floradas dos cafezais, a ideia de que talvez não houvesse redução na demanda não aguentou ser suporte por muito tempo, afinal, uma oferta abundante também empurra os preços.

Na última quinta-feira (13), outro ponto de pressão para as cotações do café foi apresentado: a Inflação do Preços ao Consumidor dos EUA e a inflação na Alemanha. Ambos os países são importantes consumidores do produto, sendo também os dois maiores importadores do café brasileiro. O resultado do IPC americano para o mês de setembro foi de 0,6%, acima dos 0,5% esperados pelo mercado, acumulando no ano 6,6%. Tal resultado traz pressão sobre o Fed o que, deve gerar elevações mais agressivas na taxa de juros americana.

Na Europa, o Escritório Federal de Estatística da Alemanha informou uma alta de 10% na inflação anual alemã e 1,9% no mês, reforçando ainda mais a preocupação com o consumo da bebida nessas importantes regiões, levando o mercado a deixar um pouco de lado a premissa comentada no início.

No Brasil, os embarques do café continuam em bom ritmo neste mês de outubro, uma média de 10.570 toneladas por dia, não seria esse um indício de que a demanda permanece aquecida? Impedindo maiores quedas, nesta segunda-feira (17) a Associação de Café Verde (GCA) informou que os estoques nos EUA caíram para 6.378.478 sacas, uma queda de 71.608 sacas, a primeira queda desde o mês de março.

Nesta terça-feira (18) o café arábica contrato novembro NY (KCZ22), encerrou a sessão cotado a 194,35 cents/lp, uma queda no dia de -0,56%.

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