No Brasil, mercado registrou semana de cautela entre os cafeicultores e negócios apenas pontuais
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No Brasil, mercado registrou semana de cautela entre os cafeicultores e negócios apenas pontuais
Mercado internacional, conflitos geopolíticos, menor oferta de fornecedores e entraves internos pressionam os custos; Lideranças do setor defendem produção nacional, bioinsumos, novas tecnologias e aumento de produtividade como caminhos para reduzir a vulnerabilidade
As cotações da carne de frango apresentam reação no mercado doméstico. Segundo o Cepea, o período de pagamento de salários, em que consumidores geralmente têm maior poder de compra, aliado ao de volta às aulas, contribuiu para aquecer a demanda e sustentar os preços da carne. Agentes consultados pelo Cepea apontam, ainda, que os estoques estão relativamente ajustados à demanda, o que evita pressão sobre as cotações. No mercado externo, o cenário também é de firmeza. Segundo dados da Secex, analisados pelo Cepea, as exportações brasileiras de carne de frango in natura apresentam ritmo recorde na parcial de agosto. Nos cinco primeiros dias úteis do mês, o volume médio diário embarcado atingiu 30 mil toneladas, o maior já registrado em toda a série histórica da Secex, iniciada em 1997.
Exportações recuam 17,9% em agosto
Após registrarem o melhor primeiro semestre da história, os embarques brasileiros de carne bovina iniciaram a segunda metade de 2026 em ritmo mais moderado. Segundo o Cepea, a desaceleração de julho está principalmente relacionada à redução das exportações para a China, após a forte antecipação das vendas a esse mercado nos primeiros meses do ano e o avanço do preenchimento da cota estabelecida pelo país, que, segundo o governo chinês, já está em 90%. De acordo com dados da Secex, as exportações brasileiras de carne bovina somaram 257,983 mil toneladas em julho, queda de 16,83% frente ao mesmo mês de 2025. A receita obtida, por sua vez, recuou em intensidade bem menor, saindo de US$ 1,66 bilhão em julho do ano passado para US$ 1,56 bilhão em julho deste ano, retração de 6,02%. Pesquisadores do Cepea ressaltam que a diferença entre a retração anual do volume exportado e a da receita revela que a carne bovina brasileira vem sendo comercializada internacionalmente a valores mais elevados.
As exportações brasileiras de carne suína recuaram entre junho e julho. Pesquisadores do Cepea apontam que o movimento foi influenciado sobretudo pela redução nas compras de países asiáticos, especialmente das Filipinas, o maior destino da proteína brasileira no mercado internacional. O Cepea destaca, com base nos dados da Secex, que o ritmo acelerado de compras durante todo o primeiro semestre de 2026 levou esse país a formar estoques maiores, causando um ajuste na demanda no último mês. Segundo o Centro de Pesquisas, retrações nos embarques no começo do segundo semestre são relativamente comuns. Nos últimos 10 anos, variações negativas em julho ocorreram cinco vezes, incluindo no ano passado. Naquela ocasião, conforme apurado pela Secex, a maior parte dos países asiáticos, o que inclui importantes parceiros como a China, as Filipinas e o Japão, diminuiu o ritmo de compras da proteína brasileira.
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Guerra no Oriente Médio expôs a dependência do Brasil pelos insumos importados
Com a colheita da safra 2026/27 praticamente concluída, a atenção dos cafeicultores já se volta à floração e à adubação da lavoura que vai formar a temporada 2027/28. Segundo o Cepea, os produtores já se preparam para retomar a aplicação de fertilizantes nitrogenados, além de dar sequência a plantios, reformas e renovações de lavouras, favorecidos pelo cenário de preços elevados do café. De acordo com o Centro de Pesquisas, esse movimento ocorre em um momento de melhora no poder de compra do café frente aos fertilizantes. Entre maio e este início de agosto, a relação de troca ficou mais favorável ao cafeicultor frente aos insumos acompanhados pelo Cepea, com destaque para a ureia. Apesar da melhora recente e da valorização do grão, a relação de troca do café por fertilizantes segue abaixo do observado há um ano, reforçando a importância do planejamento da adubação da próxima safra, ressaltam pesquisadores do Cepea.
As cotações do algodão em pluma apresentam alta neste início de agosto, sustentadas pela postura firme dos vendedores e pelo avanço dos preços internacionais. Segundo o Cepea, a liquidez permanece limitada pela dificuldade de acordo entre compradores e vendedores quanto aos preços e à qualidade dos lotes. Pesquisadores do Cepea apontam que, do lado comprador, agentes com necessidade imediata de matéria-prima precisam ceder para realizar novas aquisições, especialmente de lotes de qualidade superior. Outras indústrias, por sua vez, mantêm as ofertas mais baixas e a postura cautelosa, diante do desempenho ainda enfraquecido das vendas e do receio quanto à possibilidade de repasse dos custos da matéria-prima aos produtos manufaturados. De acordo com o Centro de Pesquisas, a oferta restrita também contribui para reduzir a liquidez. Com o avanço da colheita e do beneficiamento, agentes seguem priorizando o cumprimento dos contratos a termo.