Exportação: venda de carne para China é suspensa por caso atípico de vaca louca

  • 04/06/2019
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  • Categoria(s): Carnes |

O caso incomum de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) em uma vaca no norte do Mato Grosso,  confirmado em nota pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), nesta segunda-feira (03)...

O caso incomum de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) em uma vaca no norte do Mato Grosso,  confirmado em nota pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), nesta segunda-feira (03), repercutiu entre as principais entidades do setor de frigoríficos, inclusive com a confirmação de que estão suspensos os embarques para a China desde o dia 31, segundo documento assinado pelo Departamento de Inspeção de Saúde Animal, vide documento 

O mal da vaca louca - como também é denominada a doença – foi identificado em um bovino de corte, com idade de 17 anos. O caso foi considerado "atípico" porque a doença apareceu espontaneamente, e não está relacionada à ingestão de alimentos contaminados.

De acordo com informações do Mapa e do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (INDEA/MT), as medidas protocolares e as investigações de campo, com interdição da propriedade de origem, foram tomadas de imediato. Ainda, segundo os especialistas, todas as ações sanitárias de mitigação de risco foram concluídas antes mesmo da emissão do resultado final por laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). A notificação oficial à OIE e aos países importadores, conforme preveem as normas internacionais, foi feita logo após a confirmação do laudo.

Suspensão e Impacto

O Brasil continua mantendo o status de “risco insignificante” - condição essencial para evitar que os países que importam nossa carne bovina venham a barrar as compras do nosso produto por questões sanitárias. Apesar disso, o impacto na bolsa de valores foi inevitável neste início de semana.  As gigantes do setor de carnes, apresentaram quedas significativas.  Minerva recuou 2,8%, enquanto JBS recuou quase 3%, e Marfrig perdeu 4,25%, no final do dia.

Na avaliação do presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Carnes Frescas do Estado de São Paulo, Manuel Henrique Farias Ramos, o caso isolado da “vaca louca” do MT não deve ser motivo para embargos e a segurança do consumidor final da proteína está garantida.  “Não existe força sistêmica entre a lei da oferta e procura. Além disso, a demanda do mercado externo continua crescente”, pondera.

Sobre o mercado de ações, o representante da entidade diz que a reação da bolsa já era esperada. “É um mercado que corre em paralelo, cheio de especulações”, comenta.

Exportação

A China, maior importadora de carne bovina do Brasil em receita, gastou 1,5 bilhão de dólares em compras do produto no ano passado, totalizando 332.400 toneladas, ou quase 20% de todos os embarques.

A porta-voz do ministério declarou, nesta segunda-feira, que o Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo, espera que a suspensão seja levantada rapidamente, uma vez que o país segue classificado como livre da doença de vaca louca pela Organização Mundial de Saúde Animal.

O último trecho da Nota oficial do Mapa divulgado pelas autoridades diz: “foi suspensa temporariamente a emissão de certificados sanitários até que a autoridade chinesa conclua sua avaliação das informações já transmitidas sobre o episódio, cumprindo-se, assim, o disposto no protocolo bilateral assinado em 2015”.

As exportações brasileiras de carne bovina fecharam 2018 com um volume 11% superior ao registrado em 2017, o equivalente a 1,64 milhões de toneladas, de acordo com dados da Associação Brasileira das indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Histórico

Em mais de 20 anos de vigilância para a doença, o Brasil registrou somente três casos de EEB atípica e nenhum caso de EEB clássica, que é transmitida por alimentos contaminados. 

Em 2012, no Paraná, em Sertanópolis, quando houve outro caso atípico e que provocou grande tensão no mercado e custou o bloqueio das exportações brasileiras para vários países. As autoridades sanitárias lembraram que o atraso na comunicação à OIE se deu pelas adequações aos protocolos da encefalopatia espongiforme bovina (BSE).

 

AF News Agrícola





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