Milho Balanço Semanal: preços declinam no Brasil mesmo com preocupações com o clima

  • 20/05/2022
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  • Categoria(s): Mercado de Milho |

Mercado do Milho

Preços do milho iniciaram a semana com expressivos aumentos na Bolsa Brasileira diante das preocupações com o frio intenso e geadas sobre as lavouras. No entanto, à medida que os riscos foram diminuindo, os índices foram pressionados, desvalorizados também por algumas quedas consecutivas em Chicago e depreciação do dólar. Confira:

Milho Brasil

A cotação do milho finalizou com variações mistas nas principais praças do mercado físico brasileiro nesta semana se encerra. Os preços oscilaram entre -5,12% a +1,88%, sendo o Mato Grosso o estado a registrar a maior baixa da semana e Minas Gerais com a máxima de alta no período.

No Indicador Cepea/Esalq os preços ficaram em R$ 88,69/saca com alta de 2,48% em uma semana.

Já os futuros da B3 tiveram perdas entre -2,44% a -2,90% para os vencimentos de jul/22 a jan/23, com o contrato de jul/22 valendo R$ 92,40/saca.

A preocupação com a frente fria, trazida por um ciclone que chegou nesta semana no litoral sul-brasileiro, acabou se dissipando, pois o frio, salvo em regiões muito específicas, não trouxe as geadas previstas. Neste sentido a precificação sobre as possíveis perdas sobre o milho safrinha, que chegaram a ser apontadas em 5 milhões de toneladas, acabaram rapidamente recuando, fazendo os preços voltarem a ser pressionados pela aproximação da colheita.

Em contrapartida, continua havendo preocupação quanto a falta de chuvas em determinadas regiões do Sudeste e Centro-Oeste. Os produtores paulistas se encontram particularmente em tal situação, embora as projeções ainda apontem uma colheita total de milho ao redor de 4 milhões de toneladas, ou seja, 23,1% acima do obtido no ano anterior (1,9 milhão na safra de verão e 2,1 milhões na safrinha).

Dito isso, a produção de milho, na safrinha brasileira 2021/22, deverá atingir a 87,6 milhões de toneladas, já registrando um recuo de 4,6 milhões em relação as previsões iniciais. Com isso, a produção total de milho no país, no atual ano comercial, ficaria em 113 milhões de toneladas, já que a safra de verão foi revista para cima, tendo ficado em 25,4 milhões de toneladas.

Por sua vez, a Aprosoja do Mato Grosso anuncia que a safrinha de milho daquele Estado deverá registrar uma perda de 4 milhões de toneladas neste ano, pois a estiagem prolongada já afetou mais de 10% da produção inicialmente prevista. Algumas lavouras estão até 50 dias sem chuva significativa ou com um volume abaixo de 10 mm.

Enfim, no Rio Grande do Sul, a Fecoagro divulgou estudos informando que a safra 2022/23 de milho terá um recuo de 50,2% na rentabilidade, devido ao forte aumento nos custos de produção, mesmo que os preços se mantenham nos atuais níveis. Para cobrir todos os custos de produção da lavoura de milho, o produtor gaúcho terá que produzir 55,8% a mais do que na safra anterior. Ou seja, precisará colher 117,3 sacos/hectare. Somente os custos variáveis exigiriam uma produtividade mínima de 88,6 sacos/hectare. Apenas o gasto com fertilizantes, entre fevereiro e março do corrente ano, subiu 30,6%, e nos últimos 12 meses 91,5%.

Milho Mercado Externo

Enquanto isso na Bolsa de Chicago, os preços do milho começaram fortalecidos perante a disparada do trigo, refletindo também em outras commodities agrícolas. Isso fez com que o grão amarelo registrasse por mais uma vez patamares acima dos US$ 8/bushel, mas que também não se sustentou no restante da semana devido a uma rodada de vendas técnicas para realização de lucros e melhora no ritmo de plantio de milho norte-americano, que vinha com grande atraso em relação aos anos anteriores.

Ainda assim, os produtores seguem preocupados com o clima dos EUA, que sinalizou alguma melhora no decorrer da semana, mas que ainda pode continuar retardando os avanços dentro do esperado para a semeadura do milho. Até o dia 15/05, o plantio do cereal chegava a 49% da área esperada, contra 78% na safra passada, nesta época, e 67% na média histórica. Até a citada data, 14% das lavouras haviam emergido, contra 32% na média histórica. Além disso, a continuidade da guerra no Leste Europeu continua causando apreensões quanto a oferta do cereal.

Nesta quinta (19), o USDA informou que no período de 06 a 12 de maio as vendas líquidas de milho ficaram em 435.300 toneladas para 2021/2022, aumentando visivelmente em relação à semana anterior, mas caindo 36% ante à média de 4 semanas anteriores.   As vendas líquidas de 588.500 toneladas para 2022/2023, foram feitas principalmente para a China (544.000 t), México (52.500 t), Japão (50.000 t) e Costa Rica (13.700 t).

As exportações de milho ficaram em 1.380.100 toneladas recuando 8% em relação à semana anterior e 11% comparado à média anterior de 4 semanas.   Os destinos foram principalmente para o México (366.100 t), Coréia do Sul (259.800 t), Colômbia (205.400 t), China (195.300 t) e Japão (97.500 t).

Para encerrar a semana, nesta sexta (20), os traders voltaram a realizar lucros, ainda otimistas com o melhor ritmo de plantio dos EUA.

Por outro lado, na Ucrânia, dados revelados pelo Ministério da Agricultura do país, apontam que as plantações de primavera estão agora 98% concluídas. Estimasse uma queda de 25% na produção em relação ao ano anterior devido à invasão russa em andamento. Isso inclui 10,304 milhões de acres de milho, 2,292 milhões de acres de cevada de primavera e 466.000 acres de trigo de primavera.

Na França, 98% da safra de milho do país foi plantada até 16 de maio, ante 91% há uma semana, segundo o escritório da fazenda FranceAgriMer. Destas, 93% foram classificadas em condições boas a excelentes, caindo dois pontos semana a semana.

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