Trigo Balanço Semanal: lote do trigo já encontrado acima de R$ 2.200/ton no Brasil

  • 20/05/2022
  • 0
  • Categoria(s): Mercado de Trigo |

Cotação do Trigo

Preços saltaram nesta última semana diante de um cenário de forte alta no exterior, com menor safra de trigo da Ucrânia sendo reportada pelo USDA, aperto nos estoques finais globais, melhora na demanda pelo cereal norte-americano e preocupações com a qualidade do trigo de inverno dos EUA. Diante disso, o mercado brasileiro trabalha com poucos negócios para o trigo, patamares elevados e produtores concentrados no avanço do plantio da safra 2022. Confira:

Trigo Brasil

A semana se encerra bastante positiva para os preços do trigo brasileiro, com ganhos entre 2,64% a 6,41% na variação semanal dos principais estados produtores considerado o trigo balcão vendido em saca de 60 Kg pago ao produtor.

Segundo o Cepea/Esalq, a média de preços na primeira quinzena de maio, no Rio Grande do Sul, atingiu o seu recorde em valores reais, ou seja, já deflacionados. Já no Paraná, Santa Catarina e São Paulo as médias mensais são as maiores desde 2013, em termos reais. Em valores nominais, os preços atuais do trigo são recordes históricos.

Os índices saltaram nos últimos dias, diante de um cenário de forte alta dos preços no exterior, com menor safra de trigo da Ucrânia sendo reportada pelo USDA, aperto nos estoques finais globais para a temporada 2022/23, melhora na demanda pelo cereal norte-americano e preocupações com a qualidade do trigo de inverno dos EUA.

Neste sentido, o mercado observa que com tantos fatores de viés positivo atuando, fica bem difícil vislumbrar um cenário de estabilidade e, muito menos recuo nos preços do trigo, a não ser, é claro, que a guerra entre Rússia e Ucrânia cessasse num curto prazo, o que parece que não vai acontecer.

Diante deste contexto e da alta nos fertilizantes, os produtores brasileiros de trigo reajustaram seus preços nestes últimos dias, seguindo a alta em Chicago e Argentina, fator que elevou a paridade de importação.

Ainda assim, se observado, os preços domésticos ainda se encontram inferiores, mas o que preocupa os moinhos é com relação a oferta. Já que nem mesmo com pedidas do comprador superiores aos números vistos nas cotações habituais os produtores estão demonstrando interesse em fazer negócio.

Nesta semana, os preços do lote do trigo oscilaram entre R$ 2.100 a R$ 2.200/ton FOB no Rio Grande do Sul e na média de R$ 2.200 no Paraná, com indicação de negócios de até R$ 2.350/ton – onde não surgiu vendedor. Os contratos fechados ocorreram de forma pontual, sendo a maioria já se tratando da próxima safra, com algumas entregas para dezembro/22 e janeiro/23.

Este cenário de alta também foi favorável para os produtores gaúchos fecharem mais negócios para exportação, ampliando o ritmo de embarques da safra de trigo 2021/22 que já chega próxima de 2,4 milhões de toneladas nesta temporada.

Para confirmar este panorama, dados divulgados, pela Anec, projetam que o Brasil poderá exportar 103.719 toneladas de trigo ao longo do mês de maio. Em maio do ano passado, o Brasil não realizou embarques. Em abril de 2022, os embarques do cereal somaram 156.427 toneladas.

Com relação a safra, em nova atualização do boletim semanal de acompanhamento da safra do Deral, o Paraná já possui 43% das lavouras de trigo semeadas, contra 26% da semana anterior. Destas 98% estão em boas a excelentes condições e 2% regulares.

As plantas em desenvolvimento vegetativo correspondem a 59% das áreas e 41% ainda estão em fase de germinação.

Ainda nesta semana o mercado brasileiro do trigo refletiu bastante sobre a decisão do Governo Federal em suspender a TEC do trigo para países fora do Mercosul até final de 2022.

Abitrigo considerou positiva a isenção do imposto de importação sobre trigo importado de fora do Mercosul, anunciada no dia 11 de maio pela Câmara de Comércio Exterior brasileira (Camex). A medida é válida até 31 de dezembro. Trigo de qualquer origem poderá ser importado sem tarifa de importação. O preço pago pelo cereal no exterior, de fora do Mercosul, vai ser reduzido em 9% (taxa do imposto).

Atualmente, a indústria moageira importa entre 50% e 60% do volume consumido no País, de cerca de 12 milhões de toneladas anuais. Tal situação pode aliviar um pouco a pressão sobre os preços do cereal e sobre a inflação junto à população, desde que os importadores e indústrias repassem o ganho ao consumidor final. Tanto é verdade que a própria Abritrigo admite o efeito limitado da medida, já que os preços internacionais do cereal estão em patamares elevados como reflexo da guerra, com tendência de que continuem sustentados no curto e médio e prazo. Assim, a isenção alivia um pouco o custo do cereal adquirido no exterior, mas o preço do trigo continua elevado. Ou seja, os importadores do produto de fora do Mercosul terão ganhos, mas o efeito sobre a inflação nacional tende a ser muito pequeno ou mesmo nulo.

Trigo Argentina

Na Argentina, o volume de compras de trigo da nova safra com preço ainda à ser fixado voltou a bater recordes.

Segundo análise divulgada pela Bolsa de Comércio de Rosário (BCR), as compras antecipadas de trigo nesta época do ano estão se tornando a regra e não a exceção. De mãos dadas com o crescimento da produção na Argentina, 2022 se consolida como o 5º ano consecutivo com compras internas de trigo para a próxima campanha no mês de maio, nova normalidade que antes desse período só havia sido observada em 2011 e em 2001 . 

Desse total de compras para a campanha de trigo 2022/23 até o momento, mais de 44% estão na condição de preço a ser fixado, recorde para esta época do ano. Ou seja, dos 3,6 milhões de toneladas já compradas entre exportação e indústria, mais de 1,3 milhões de toneladas ainda não têm preço firme, consolidando um marco tanto em tonelagem quanto em termos relativos.

A crescente comercialização de trigo também é observada nas vendas externas, que totalizaram meio milhão de toneladas até agora em maio e estão próximas de 8,5 milhões de toneladas para o trigo 2022/23. No entanto, a cautela persiste em relação aos volumes de produção. Conforme destacado em recente relatório do Guia Estratégico para a Agricultura (GEA-BCR) , a campanha comercial com início em dezembro deste ano atende a uma intenção de menor área de plantio, que, por sua vez, poderá ser acompanhada de menos aplicações tecnológicas em enfrentar a turbulência no mercado de insumos.

No que diz respeito à campanha em curso, o Up River continua a recuperar o seu papel preponderante na exportação da campanha final. Consolidando os dados de embarque até abril, a tonelagem embarcada dos portos da Grande Rosário cresceu mais de 12,5% até agora em 2021/22.

Por sua vez, a colheita de trigo na Argentina, para o ano 2022/23, está projetada em 19 milhões de toneladas, ou seja, abaixo das 22,1 milhões colhidas nesta última safra, segundo a Bolsa de Cereais de Rosário. Para a soja deste ano, em fase de colheita, a Bolsa estima uma colheita de 41,2 milhões de toneladas, e para o milho 49,2 milhões.

Os argentinos esperam uma área de trigo, para 2022/23, de 6,35 milhões de hectares, ou seja, em recuo de 550.000 hectares em relação ao ano anterior. O vizinho país teme um novo La Niña sobre suas lavouras neste novo ano comercial. Seria o terceiro consecutivo caso se confirme. Isso serve de alerta para os produtores do sul do Brasil.

Nesta semana, com a forte alta do preço do trigo na Bolsa de Chicago, os indicadores argentinos também reagiram com o cereal doméstico registrando ganhos de 4,57% valendo US$ 481/ton FOB no Índice do Ministério da Agricultura e Pesca.

Já os vencimentos futuros do trigo de mai/22 a dez/22 subiram 2,44% a 10,05% na Bolsa de Cereales.

Trigo Mercado Externo

As cotações do trigo, em Chicago, voltaram a subir nesta semana, chegando a bater, para o primeiro mês cotado, em US$ 12,77/bushel para o trigo soft no dia 17/05, a mais alta cotação desde o início de março, e próxima do recorde histórico para o cereal na CBOT. No entanto, após os novos recordes alcançados, os agentes realizaram algumas rodadas de vendas técnicas, o que gerou depreciação nos índices no restante da semana, fechando com variação negativa contra a semana anterior.

Na segunda-feira (16), o mercado abriu com forte alta na Bolsa de Chicago, refletindo a continuidade do conflito no Leste Europeu, clima sobre as lavouras dos EUA, oferta apertada do cereal para a temporada 2022/23 e também, a proibição da Índia sobre as exportações de trigo para os próximos meses, dado o cenário de menor produção para o próximo ciclo do cereal.

A Índia adotou a medida de proibir a exportação de trigo no último sábado (14), segurando 1,8 milhão de toneladas do cereal nos portos daquele país, trazendo grandes perdas aos comerciantes locais. O anúncio foi feito após uma onda de calor reduzir a produção, elevando os preços domésticos a recordes na Índia. Somente exportações lastreadas em cartas de crédito (LCs), emitidas antes de 13 de maio, puderam prosseguir antes de a proibição entrar em vigor. Esse é um dos motivos da disparada das cotações do trigo em Chicago nestes últimos dias, pois os compradores mundiais de trigo estavam contando com o produto indiano para substituir o trigo vindo do Mar Negro, bloqueado, em boa parte, pela guerra entre Rússia e Ucrânia.

Para complementar, também na segunda-feira o USDA informou que os Estados Unidos ainda continua registrando forte atraso no plantio do trigo de primavera no país da América do Norte. Até o dia 15/05 o mesmo atingia a 39% da área esperada, contra 83% um ano antes e 67% na média histórica. Naquela data, 16% das lavouras haviam germinado, contra a média histórica de 30% para a data. Já o índice de lavouras de trigo de inverno em boas a excelentes condições, nos EUA, voltou a recuar, ficando em 27% do total, contra 48% um ano antes.

Dito isso, a Rússia, um dos maiores exportadores de trigo do mundo, deverá embarcar mais grãos no novo ano comercial julho/22 a junho/23. Isso se deve a uma grande colheita e estoques elevados. Todavia, é bom lembrar que a Rússia limita suas exportações com impostos e uma cota de exportação desde 2021, em meio a esforços para desacelerar a inflação doméstica de alimentos. O volume de trigo a ser exportado, no novo ano comercial, deverá atingir entre 39 a 41 milhões de toneladas, contra 32,5 milhões no corrente ano. Os russos deverão colher entre 85 e 88,6 milhões de toneladas de trigo neste ano, contra 76 milhões em 2021. Em isso tudo ocorrendo, estima-se que a oferta russa responderá por mais de 20% do comércio global de trigo em 2022/23.

Na França, as qualificações de lavouras do trigo soft continuam piorando em meio ao clima quente e seco das últimas semanas. O escritório agrícola FranceAgriMer informou que 73% da safra 2021/22 agora está classificada como boa a excelente até 16 de maio, uma queda de nove pontos em relação à semana anterior. Outros 18% da safra foram classificados como regulares, com os 8% restantes classificados como ruins ou muito ruins.

Para finalizar, nesta quinta-feira (19), o USDA informou que as vendas liquidas de trigo no período de 06 a 12 de maio totalizaram em 8,5 mil toneladas para 2021/22 e 325,6 mil tons para 2022/23, o que ficou abaixo das estimativas do comércio. Por outro lado, as exportações de trigo foram de 345,4 mil tons na semana, com aumento de 44% em relação à semana anterior e 1% em relação à média de 4 semanas anteriores.   Os destinos foram principalmente para a Nigéria (75.200 t), México (60.900 t), Tailândia (52.900 t), Taiwan (52.500 t) e Venezuela (29.400 t).

Veja Mais
Trigo Mercado Externo: preços continuam recuando com avanço da colheita dos EUA
Trigo Brasil: mercado continua lento com os produtores focados no plantio
Futuro: Brasil tem potencial para suprir demanda global de trigo, diz Embrapa
Trigo Balanço Semanal: trigo recua forte em Chicago, mas alta do dólar mantem cereal elevado no Brasil
Colheita de trigo começa cedo na França após onda de calor

Quer receber as últimas atualizações de Trigo, Milho, Farinhas, Farelos, Soja e do agronegócio em seu e-mail?

Cadastrar





Sobre AF News

A AF News com sede em Curitiba PR, foi idealizada para poder atender as necessidades de empresas e pessoas com informações de mercado e análises. Com responsabilidade, ética e imparcialidade nosso objetivo é promover o questionamento e a divulgação de informações útei...
Continue Lendo