Mercado da Mandioca: Maior disputa por matéria-prima impulsiona preços

  • 05/10/2021
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  • Categoria(s): Raiz de Mandioca |

Mercado da Mandioca

A disponibilidade de lavouras de mandioca de segundo ciclo está baixa em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. Além disso, a estiagem continua dificultando os trabalhos de campo. Como resultado, muitas empresas passaram a se abastecer em regiões mais distantes, aumentando a disputa pela matéria-prima.

Raiz de Mandioca

O Cepea estima que a quantidade de mandioca a ser processada na indústria de fécula recue 13% nesta semana. Quanto aos preços, entre 20 e 24 de setembro, a média nominal a prazo da tonelada de mandioca posta fecularia foi de R$ 522,60 (R$ 0,9089 por grama de amido), 0,8% acima da verificada no período anterior. Em valores reais (deflacionamento pelo IGP-DI), o preço é 3% maior que o do mesmo período de 2020.

Parte das raízes tem apresentado quedas expressivas no teor de amido devido à isoporização em muitas regiões. Nesta semana, o rendimento médio, considerando-se a balança hidrostática de 5 kg, foi de 547,89 gramas, 1% abaixo do apurado anteriormente.

Em Mato Grosso do Sul, o abastecimento das fecularias está mais comprometido que em outros estados. No sudeste de MS, este quadro está atrelado ao clima seco, e, no extremo-sul, além da falta de precipitações, também há menor disponibilidade de lavouras, levando parte das firmas a se abastecer em São Paulo e no Paraná, apesar dos maiores custos com transporte. Na semana, a média em MS subiu 1,3%, para R$ 543,90/t (R$ 0,9459 por grama de amido).

No extremo e centro-oeste do Paraná, a oferta continuou baixa para as fecularias por conta da estiagem – assim, essas empresas se abasteceram em regiões mais distantes. Mandiocultores que já cultivaram estão com dificuldades em avançar com os tratos culturais e alguns consideram que esse cenário pode ter efeitos negativos sobre a produtividade. Em partes do noroeste paranaense, a maior umidade do solo ainda possibilitou o avanço da colheita, que resultou em maior oferta para algumas firmas. No Paraná, o preço médio também subiu 1,3% na semana, para R$ 535,57/t (R$ 0,9314 por grama de amido).

O clima predominantemente seco possibilitou a colheita em apenas algumas partes do oeste paulista, sobretudo por produtores que ainda visam o cultivo da soja. Mesmo assim, algumas fecularias tiveram maior oferta, visto que a moagem na indústria de farinha está menor. Vale destacar que, em razão de perdas, algumas lavouras semeadas no primeiro semestre foram substituídas pelo cultivo de amendoim. A média semanal na região caiu 0,35%, para R$ 467,78/t (R$ 0,8135 por grama de amido).

Segundo informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), chuvas podem ser registradas nas regiões produtoras de mandioca a partir de outubro, mas em volumes menores que nos anos anteriores. Esse possível cenário deve continuar afetando as atividades no campo. As preocupações de agentes do mercado são maiores em relação ao plantio, que está atrasado na maioria dos casos. A redução na área plantada deve ser a mais expressiva dos últimos anos.

Fécula: Margens se apertam na indústria

Entre 20 e 24 de setembro, poucos negócios de fécula foram efetivados, apesar da maior movimentação no mercado. Parte dos compradores ainda posterga as aquisições do derivado, especialmente nos segmentos voltados ao varejo.

A quantidade de estoques das fecularias e modificadoras recuou ligeiro 0,4%, após avançarem nas últimas semanas. Em muitos casos, a pressão sobre as cotações se acentuou, mas uma parte dos vendedores optou por manter os valores. Na semana, o valor médio nominal a prazo da tonelada de fécula (FOB fecularia), foi de R$ 2.900,80 (R$ 72,52 por saca de 25 kg), ligeiro 0,2% menor que que o do período anterior. Em valores reais, o recuo é de 0,5% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Neste semestre, os preços da raiz têm subido proporcionalmente mais que os da fécula, resultando em margens mais apertadas. Nesta semana, a relação entre os preços foi de 5,52. Vale considerar também que o rendimento industrial está em queda.

Parte das fecularias do noroeste e do extremo-oeste do Paraná teve ligeira melhora nas vendas para os setores atacadista e de amidos modificados nesta semana. No centro-oeste do estado, a comercialização seguiu em ritmo bastante lento, sobretudo para o setor varejista. O preço médio da tonelada de fécula no estado foi de R$ 2.913,69/t (R$ 72,84 por saca de 25 kg), alta de 0,5%.

No sudeste de Mato Grosso do Sul, poucos negócios foram realizados com outras fecularias, principalmente de outros estados. No extremo-sul de MS, por outro lado, o mercado esteve mais movimentado, especialmente para os segmentos de panificação e de amidos modificados. Na semana, o valor médio da fécula em MS caiu ligeiro 0,08% para R$ 2.900,81/t (R$ 72,52 por saca de 25 kg).

Parte das empresas do oeste do estado de São Paulo teve ligeira melhora na comercialização, sobretudo para o segmento de papel e de papelão. A média regional foi de R$ 2.840,59/t (R$ 71,01 por saca de 25 kg), com baixa de 3,7%. Apesar dos sinais de avanço da inflação, agentes da indústria de fécula têm expectativa de retomada das vendas do derivado no último trimestre deste ano.

O fato de o amido de milho continuar em patamares elevados de preços favorece esse movimento. Além disso, a demanda internacional por amidos continua firme. Entre 20 e 24 de setembro, o preço da fécula tailandesa para a exportação permaneceu estável em US$ 480,00/t (FOB Bancoc), 6,7% maior que o valor de igual período do ano passado, de acordo com o Thai Tapioca Starch Association (TTSA).

Farinha: Mercado continua lento e com preços em queda

A semana foi de pouco movimento nos mercados de farinha em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. Vendedores consultados pelo Cepea afirmam que este quadro resulta do fato de ainda haver estoques no atacado, ao mesmo tempo em que a comercialização no varejo continua fraca. As vendas que foram realizadas continuaram concentradas nos empacotadores dos próprios estados de origem da produção, e as cotações recuaram.

Entre 20 e 24 de setembro, o preço médio da farinha de mandioca seca finabranca/crua tipo 1 foi de R$ 98,33 por saca de 50 kg (FOB farinheira), baixa de 1,1% frente à média anterior. Na mesma comparação, o valor médio da farinha de mandioca grossa-branca/crua tipo 1 recuou 0,5%, para R$ 77,16 por saca de 40 kg.

O volume de moagem das farinheiras tem diminuído em todas as regiões, com maior expressividade no oeste do estado de São Paulo. A média semanal da tonelada de mandioca posta farinheira nessa praça caiu 0,6%, para R$ 497,81 (R$ 0,8658 por grama de amido).

Nas regiões centro-oeste e noroeste do Paraná, a comercialização de farinha se restringiu a pequenos lotes, com empacotadores locais. Algumas tiveram consultas de preços por parte de comerciantes de outros estados, mas ainda sem retomada das aquisições. Algumas farinheiras do oeste do estado de São Paulo embarcaram para outros estados, mas a maior parte do derivado foi comercializada com o atacado e empacotadores locais. Diante disso e com a baixa oferta de matéria-prima, parte das firmas diminuiu ainda mais o esmagamento.

Houve ligeira melhora nas vendas das farinheiras do sul de Santa Catarina, porém, abaixo das expectativas dos agentes. A comercialização esteve concentrada no mercado local, com valores estáveis.

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Fonte: Cepea/Esalq

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