Mercado da Mandioca: Clima seco reforça dificuldade na colheita, preço sobe

  • 04/05/2021
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  • Categoria(s): Raiz de Mandioca |

Cotação da Mandioca

Do lado das indústrias, a demanda está firme, sobretudo por conta de os mercados passarem a ter melhoras nas últimas semanas. Esse cenário tem elevado a disputa pela matéria-prima, especialmente entre firmas de diferentes regiões. Saiba mais:

Raiz de Mandioca

O clima seco em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea tem reforçado as dificuldades em se avançar com a colheita da mandioca – em algumas praças, inclusive, verifica-se interrupção das atividades. Além disso, alguns mandiocultores já comercializaram todas as lavouras com mais de 15 meses (2º ciclo), e, diante do baixo preço, há pouco interesse pela entrega daquelas mais novas.

Do lado das indústrias, a demanda está firme, sobretudo por conta de os mercados passarem a ter melhoras nas últimas semanas. Esse cenário tem elevado a disputa pela matéria-prima, especialmente entre firmas de diferentes regiões.

Estimativas do Cepea apontam que, nesta semana, a quantidade de mandioca a ser processada pela indústria de fécula caiu 13,5%, para 39,9 mil toneladas. A ociosidade média, considerando-se as empresas em atividade, ficou em 46,2% da capacidade instalada.

Neste cenário, as cotações passaram a ter altas mais consistentes, e a média semanal a prazo para a tonelada de mandioca posta fecularia subiu 3,5%, para R$ 438,83 (R$ 0,7632 por grama de amido na balança hidrostática de 5 kg). Em termos reais (deflacionamento pelo IGP-DI), o preço médio ainda está 3,5% abaixo do verificado no mesmo período de 2020.

Mesmo com os preços se recuperando e também com a melhora no rendimento de amido, que teve média de 555,31 gramas nesta semana, agricultores apontam que a rentabilidade da mandiocultura tem sido negativa neste ano, principalmente para os arrendatários, que são a maioria em parte das regiões.

A depender das condições climáticas, a oferta poderá continuar baixa, pelo menos até o final deste mês. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê que as chuvas fiquem abaixo da normal climatológica nas regiões produtoras de mandioca, com precipitações isoladas.

Caso o clima fique favorável a partir de maio, a oferta pode crescer, mas ainda abaixo das expectativas dos agentes, uma vez que muitos agricultores devem passar a priorizar o plantio, sobretudo o preparo do solo. Destaca-se, ainda, que a área ocupada com mandioca deve diminuir, devido aos resultados negativos dos últimos anos – que descapitalizaram muitos mandiocultores –, ao aumento dos custos de produção e ao cenário mais atrativo de outras atividades.

No Paraná, apenas chuvas isoladas no noroeste do estado foram registradas. No entanto, a retração de parte dos agricultores resultou em queda na oferta de raiz para parte das indústrias de fécula e de farinha, que seguiu se abastecendo em áreas mais distantes. No extremo e no centro-oeste do Paraná, com baixa umidade no solo, a colheita teve que ser interrompida, elevando os preços da matéria-prima. A média semanal para a tonelada de mandioca posta indústria no Paraná subiu 4,1%, para R$ 444,28/t (R$ 0,7727 por grama de amido).

Parte das áreas de mandioca de 2º ciclo do extremo-sul de Mato Grosso do Sul já foi colhida, ao mesmo tempo em que apenas poucos produtores têm interesse em comercializar raízes mais novas. Outros, ainda, interromperam os trabalhos por conta do clima seco. A falta de precipitações foi o principal motivo para a interrupção da colheita no sudeste do estado. O preço médio semanal para MS foi de R$ 429,80/t (R$ 0,7475 por grama de amido), acréscimo de 1,5%.

No oeste do estado de São Paulo, o clima também limitou a colheita. Do lado da demanda, está acirrada a disputa pela matéria-prima entre os agentes locais e entre compradores de empresas do noroeste do Paraná. O preço médio da tonelada de mandioca foi de R$ 427,73 (R$ 0,7439 por grama de amido) nesta semana, avanço de 3% frente ao da anterior.

Fécula: Indústria segue com cautela em assumir compromissos

O mercado de fécula de mandioca esteve bem movimentado nesta semana, com compradores mais ativos. Do lado da indústria, por outro lado, o volume comercializado foi limitado. Além disso, parte das fecularias evita assumir compromissos para os próximos meses, especialmente devido a incertezas quanto à oferta matéria-prima.

De acordo com vendedores, a demanda por fécula esteve aquecida especialmente por parte de frigoríficos e indústrias de amidos modificados (que ainda buscam substituir o amido de milho). Muitas fecularias também atuaram como compradoras, mas estas negociaram pequenas quantidades, tendo em vista os atuais patamares de preços que inviabilizam algumas transações.

Com a melhora na comercialização, a quantidade de estoques nas fecularias e farinheiras recuou após ter 10 semanas de altas seguidas. Na semana, o recuo foi de 6,6%, ficando em 48,2 mil toneladas. O consumo aparente médio dos últimos 12 meses é de 41,5 mil toneladas, segundo cálculos do Cepea.

Incertezas quanto à oferta de mandioca e os estoques considerados curtos elevam o interesse de demandantes por parcerias. E a demanda pelo derivado poder continuar crescendo, especialmente por conta dos altos preços do amido de milho e de uma possível retomada das vendas no varejo. Dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, em fevereiro, o volume de vendas no comércio varejista cresceu 0,6%. Na atividade de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, o avanço foi de 0,8%, enquanto que livros, jornais, revistas e papelaria, registrou crescimento de 15,4%.

A maior parte do volume de fécula comercializado já teve reajustes positivos, com base nas altas nos valores da matéria-prima. Na semana, o preço médio nominal a prazo para a tonelada de fécula (FOB fecularia) foi de R$ 2.463,37 (R$ 61,58 por saca de 25 kg), aumento de 2,6%. Em valores atualizados, a média desta semana ainda está 7,2% menor que a de mesmo período de 2020.

No noroeste do Paraná, houve maior interesse comprador nesta semana, o que manteve o mercado movimentado. No extremo-oeste do estado, a demanda maior foi por parte de modificadoras de amido e indústria de papel e papelão, enquanto que no centro-oeste, a maior parte do volume comercializado destinou-se ao atacado. A média semanal para o estado do Paraná subiu 3,4%, para R$ 2.487,93/t (R$ 62,20 por saca de 25 kg).

Em Mato Grosso do Sul, o mercado também seguiu com boa movimentação. O produto destinou-se ao atacado, frigoríficos e outras fecularias. O preço médio semanal para o estado foi de R$ 2.416,70/t (R$ 60,42 por saca de 25 kg), com alta de 1,4%.

O ritmo de vendas também se intensificou no oeste do estado de São Paulo nesta semana, com maior procura por parte do segmento de amidos modificados e de embalagens. A comercialização para os frigoríficos teve crescimento menos expressivo no período. Na região, a alta semanal foi de 3%, com o preço médio em R$ 2.496,06/t (R$ 62,40 por saca de 25 kg).

Na Tailândia, o preço da fécula para a exportação seguiu estável, em US$ 485,00/t (FOB Bancoc), mas 14% maior que o de igual período de 2020, conforme o Thai Tapioca Starch Association (TTSA).

De acordo com o Banco Central del Paraguay, as exportações paraguaias de fécula de mandioca cresceram 77% em março – 4 mil toneladas –, ao preço médio de US$ 483,00/t (FOB na origem), alta de 4,5% na comparação fevereiro. Em março, o preço médio de exportação do derivado brasileiro foi de US$ 612,86 (FOB porto brasileiro).

Farinha: Mercado tem boa movimentação

Considerando-se que o consumo de farinha venha a ter algum aumento por conta de uma possível retomada do varejo e do movimento sazonal (temperaturas mais amenas), compradores de farinha, principalmente com necessidade de repor estoques, estiveram mais ativos nesta semana.

Assim, farinheiras dos estados de São Paulo e Paraná buscaram intensificar a moagem, mas parte delas teve dificuldades, diante da baixa oferta de matéria-prima e da maior disputa com a indústria de fécula. Na semana, o preço médio para a tonelada de mandioca posta farinheira foi de R$ 430,19/t (R$ 0,7482 por grama de amido), avanço de 3,5%.

A quantidade comercializada cresceu no noroeste do Paraná, sobretudo para atender a parte dos estados do Norte e Nordeste. Atacadistas de Pernambuco também seguiram mais ativas nas aquisições de farinha do centro-oeste paranaense, mas os atuais preços limitaram os negócios. Apesar da melhora na liquidez, vendedores apontam que ainda há dificuldades em repassar as altas nos custos aos derivados.

No oeste do estado de São Paulo, atacadistas, empacotadores e até mesmo outras farinheiras adquiriram farinhas, elevando a liquidez nesta semana. No sul-catarinense, a safra se inicia com pouco volume de processamento, com farinheiras devendo retomar a moagem a partir de maio.

A farinha de mandioca seca fina-branca/crua tipo 1 foi comercializada nesta semana ao valor médio nominal a prazo (FOB farinheira) de R$ 89,87 por saca de 50 kg, com alta de 1,8% frente à média anterior. Na mesma comparação, houve aumento de 1,5% no valor médio da farinha de mandioca grossa-branca/crua tipo 1, que foi para R$ 70,06 por saca de 40 kg.

Na região de Ariripina (PE), agentes apontam que a oferta de mandioca tem diminuído paulatinamente, porém, devido a demanda enfraquecida, não tem havido recuperação dos preços. Naquela região, as chuvas foram tardias, e agentes do mercado apontam que a área plantada na região poderá cair. Além disso, parte das lavouras poderá apresentar menor produtividade devido a incidência de antracnose.

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