Melhoramento Genético: Nova linhagem de touros produz bezerros de corte em cruza com vacas leiteiras

  • 20/04/2021
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  • Categoria(s): Notícias Agrí­colas |

Melhoramento Genético

O impasse é comum em grande parte das fazendas de pecuária de leite do Brasil. O produtor tem uma parcela de vacas mais eradas, cuja genética já não é a mais apurada e, portanto, elas não são as melhores para produzir as novilhas que vão repor o plantel leiteiro. Mas ainda, essas vacas eradas precisam entrar em reprodução e emprenhar para continuar lactando. Uma alternativa viável é cruzar esta vaca leiteira com uma raça de corte que possa produzir bezerros que sejam aproveitados para o corte ao mesmo tempo que sua mãe seja destinada à ordenha. Mas que raça escolher para produzir essa bezerrada?

Analisando dilemas similares de pecuaristas de leite mundo afora, a central de genética ABS desenvolveu uma solução específica para a situação – a seleção de uma linhagem de touros que consegue imprimir qualidade de carcaça acima da média nas crias ao mesmo tempo que aumenta taxa de prenhez, reduz perdas gestacionais e o número de natimortos e ainda melhora a facilidade de parto – é o Beef InFocus.

 “Existe um histórico muito grande, de décadas, na Europa, onde isso já é muito mais comum, e também mais recentemente, nos últimos quatro ou cinco anos, nos Estados unidos, onde isso estourou em função dos resultados do mercado realmente. E a gente trouxe essa tecnologia aqui para a América Latina já tem um pouco mais de um ano. Ao final de 2019 nós fizemos treinamentos de equipe e tudo mais e efetivamente, a partir do ano passado, época de janeiro de 2020, há pouco mais de um ano, já estamos disponibilizando para toda América Latina”, apresentou o médico veterinário pela USP Luís Adriano Teixeira, gerente de contas estratégicas de corte da central de genética ABS.

Teixeira observou que o impasse do pecuarista em escolher a raça e o touro certo para cruzar com suas vacas de leite é frequente. “Ela é mais comum do que a gente pensa. Realmente é frequente no dia a dia e isso realmente tem nos surpreendido positivamente com a resposta que os nossos clientes têm com o pessoal”, destacou. Segundo disse o veterinário, a dúvida é comum tanto para pequenos quanto grandes produtores.

“Não é simplesmente colocar o corte no leite. Isso é coisa do passado. Ainda se faz muito, mas está cada vez mudando mais. Realmente usando a melhor genética de corte estrategicamente no seu rebanho de leite, você ganha nos dois lados. Você não perde no negócio do leite, você até aumenta seus ganhos no leite e ainda traz uma renda adicional com essa genética de corte no leite”, sustentou.

A principal resistência do produtor de leite em usar raça de corte no rebanho, segundo Teixeira, passa pela percepção de que seu rebanho leiteiro seria reduzido. “Como ele tem cabeça do produtor do leite, as dúvidas começam quando ele pensa que se usar gado de corte, o rebanho vai diminuir e ele não vai fazer o número de fêmeas que precisa para fazer a reposição. Ou ele analisa que o negócio (de produzir bezerro de corte) é tão secundário mesmo que, quando ele toma a decisão de usar sêmen, ele usa qualquer raça de corte ou leite, usa qualquer tourinho de corte, qualquer genética só para produzir, já que se trata de um mero subproduto”, analisou.

 “Mas não precisa ser assim”, afirmou. “ele pode utilizar uma genética realmente correta, que ainda vai ajudar no negócio do leite dele […] e ainda ele conseguir produzir um bezerro de corte (primeira foto em destaque acima), filho de uma vaca de leite, que é top, que está muito acima da média”, contrapôs.

Luís Adriano ilustrou a situação que levou à ideia da pressão de seleção pela linhagem especificamente desenvolvida para a tarefa. “Quando o produtor decide que vai usar o corte no leite, ele tem que responder algumas perguntas antes de tomar essa decisão. Essas perguntas até dizem respeito ao negócio de leite dele, primeiro em função dos índices zootécnicos, como a taxa de concepção, taxas de natimorto – os bezerros que morrem com até 48h -, quantas novilhas chegam realmente até o ponto de reprodução prenhes para poder fazer a reposição do rebanho dele. Então ele sabendo disso […] ele pode começar a escolher as suas melhores fêmeas para utilizar esse sêmen (sexado) para emprenhar as melhores vacas e assim melhorar seu melhoramento genético. Só que, com isso, ele começa a produzir mais fêmeas do que precisa. […] Se ele produzir mais fêmeas de leite do que ele precisa para sua reposição, no fim do ano sobra menos dinheiro porque ele teve que alimentar, cuidar dessa novilha até ela chegar prenhe para reposição. Então quando a gente lançou o Sexel (sêmen sexado para gado de leite), o pecuarista melhorou a genética, mas começou a produzir mais fêmeas que precisava. […] Então ao invés de ele usar o Sexel em todas as suas fêmeas, […] ele usa só nas suas melhores matrizes para a produção de leite. […] E aí vem a pergunta: o que eu faço com as outras fêmeas que não são tão boas de leite e eu já não quero passar essa genética para a geração seguinte, mas eu preciso emprenhá-la para produzir um bezerro e parir para produzir leite? Aí veio o estalo do corte no leite pelo Beef InFocus”, contou.

O veterinário detalhou a origem dos animais, que são fruto de uma pressão de seleção feita em reprodutores de diversas linhagens de raças distintas. “Aí veio a pergunta: qual raça de corte utilizar? Por isso a ABS lançou mão dos touros que a gente chama de NuEra. […] O NuEra é como um núcleo genético composto da ABS, ele tem uma grande contribuição de Simental preto, de Angus e várias outras raças para somar. Ele é o que a gente chama de uma linha genética terminal e por isso ele entrega muito valor. Esse bezerro Beef InFocus, que é a genética NuEra numa vaca de leite, é um bezerraço. A gente seleciona essa genética com apenas três critérios de seleção: ganho de peso, eficiência alimentar – são animais de ganho de peso – e qualidade de carcaça, para depois acabar para produzir carne. A gente pode destacar também a pressão de seleção. A gente produz 500 touros por ano e seleciona os melhores 50, somente 10% dos touros que a gente produz que se tornam doadores”, acrescentou Luís Adriano.

A genética dos animais da linhagem é disponibilizada via sêmen importado. “Por quê a genética Beef InFocus é a melhor para o produtor de leite? A gente separa esses touros nos Estados Unidos e produz duas mil inseminações por touro para saber como é a assertividade dele em vacas de leite, usa esse sêmen em fazendas de leite nos Estados Unidos e mede a fertilidade desse sêmen, período de gestação, facilidade de parto e índice de natimorto. São quatro características que estão diretamente ligadas ao lucro do produtor de leite. É como se fosse um teste de progênie, que a gente chama de dados do mundo real, uma tradução livre de real world data, como falam nos Estados Unidos, para garantir (a confiabilidade da informação)”, destacou.

Teixeira revelou os custos do investimento e os resultados em números que a tecnologia está entregando aos produtores de leite. “A gente tem entregado mais de 5% a mais de fertilidade – de cada 100 vacas, se você conseguir emprenhar 5 a mais isso, é muito dinheiro para o produtor de leite. […] O investimento na genética de Beef InFocus em relação ao investimento na genética de leite é igual. Ele está trocando uma dose de sêmen de gado de leite convencional e pondo uma dose de InFocus sem aumentar o seu investimento. É semelhante ao sêmen convencional de leite. E se olhar só para o bezerro Beef InFocus que eles está produzindo, pela qualidade, ele está fazendo até R$ 500,00 de margem por bezerro mesmo se vender antes da desmama aos sete meses. Ele tem essa margem vendendo com seus quatro meses de idade e 150 quilos de peso vivo. Isso traz um retorno de 10% a mais do lucro que ele já faz por litro de leite produzido pela fazenda”, justificou Luís Adriano.

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Fonte: Giro do Boi

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