Mercado da Mandioca: Com oferta sinalizando queda, pressão sobre as cotações é menor

  • 13/04/2021
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  • Categoria(s): Raiz de Mandioca |

Mercado da Mandioca

Apesar da quantidade ofertada da raiz ter sido baixa em algumas regiões, em outras, houve acréscimos. Confira as cotações e como se comportou o mercado da mandioca e seus principais derivados na última semana:

Raiz de Mandioca

O último informativo semanal do Cepea/Esalq sobre o mercado da mandioca, revelou que enquanto parte dos agricultores prioriza outras atividades, alguns se retraíram do mercado, diante dos atuais patamares de preços. Neste cenário, a oferta de mandioca esteve menor nos últimos dias em algumas áreas, o que minimizou a pressão sobre os valores da matéria-prima.

Apesar da quantidade ofertada ter sido baixa em algumas regiões, em outras, houve acréscimos. De acordo com estimativas do Cepea, na última semana de março a quantidade de mandioca processada pela indústria de fécula subiu apenas 0,7%, para 46,8 mil toneladas.

O teor de amido já passou a dar sinais de melhora, registrando média de 549,94 gramas. Mandiocultores calculam, no entanto, que ainda não houve melhora na remuneração, tampouco na rentabilidade – vale lembrar que, nos últimos anos, a cultura não tem apresentado resultados favoráveis.

Quanto ao plantio, um relato frequente de agricultores tem sido a menor oferta de áreas para arrendamento. Mesmo os tradicionais arrendatários apontam que muitas áreas têm sido destinadas para outras atividades, restando apenas áreas marginais, que requerem investimentos na recuperação dos solos e, consequentemente, maiores custos.

Com o término de algumas lavouras de 2º ciclo, e, considerando-se os atuais patamares de preços, alguns agricultores do noroeste do Paraná diminuíram o ritmo das entregas. Ao mesmo tempo, também houve redução na oferta de mandioca proveniente do estado de São Paulo para parte das empresas.

Alguns produtores do extremo e do centro-oeste do estado ainda priorizaram a colheita da soja ou plantio do milho, enquanto outros mantiveram o ritmo de colheita de mandioca, resultando, assim, em um recuo pouco expressivo na quantidade ofertada.

Para a temporada 2020/21, a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná (Seab/Deral) estima que a área a ser plantada no estado tenha recuo de 2%, para 145,7 mil hectares. Chama a atenção a possibilidade de a área cair 20% na região oeste. A estimativa de produtividade para esta safra é de 23,1t/hectare, 1% menor que a do período anterior.

Quanto à produção, a Secretaria considera uma queda de 3%, para 3,37 milhões de toneladas, com baixas de 12% na região oeste, de 9% no centro-oeste e de 4% no noroeste paranaenses. Com o avanço da colheita de áreas menores e retração de parte dos agricultores, a oferta também foi menor nas regiões de Mato Grosso do Sul, sobretudo no extremo-sul do estado, onde, inclusive, houve disputa pelo produto com empresas do oeste do Paraná.

Alguns agricultores ainda têm priorizado a colheita da soja ou do amendoim no oeste do estado de São Paulo, porém, outros retomaram as atividades envolvendo a mandioca nesta semana. Como resultado, parte da indústria local ainda teve dificuldade para se abastecer, o que minimizou as quedas de preços.

 

Fécula de Mandioca: Expectativas influenciam no mercado, que fica mais movimentado

Muitos compradores de fécula de mandioca consideram a possibilidade de a oferta ser menor, sobretudo a partir do 2º semestre, e passam a fazer posições de compra para os próximos meses. Outros ainda têm a fécula como substituto ao amido de milho e se mostram ativos para adquirir maiores quantidades.

Mesmo que este cenário ainda não tenha refletido nos negócios efetivos, houve maior movimentação no mercado neste começo de abril. Além disso, a demanda para a exportação continua aquecida – efeito da menor oferta no mercado internacional e do dólar elevado. Também houve maior procura entre as próprias fecularias.

Vale destacar que, por conta das expectativas, parte das fecularias tem, inclusive, formado estoques. Nesta semana, a quantidade de fécula nas fecularias e modificadoras de amidos aumentou 5,5%, chegando a 50,2 mil toneladas. A média de consumo aparente dos últimos 12 meses está em 40,9 mil toneladas/mês.

O mercado de fécula esteve mais movimentado na semana no noroeste do Paraná, principalmente para entrega futura. No mercado spot, o volume transacionado seguiu baixo, com negociações para o segmento de tapioca e pão de queijo.

Algumas firmas do extremo-oeste paranaense registraram melhora na comercialização da fécula de mandioca, mas ainda envolvendo volumes baixos. No centro-sul do estado, prevaleceu a lentidão, especialmente para as vendas no atacado.

Nas regiões de Mato Grosso do Sul, o mercado esteve movimentado, todavia, com baixo volume de efetivos e para atender a outras fecularias.  

No oeste do estado de São Paulo, a procura por fécula esteve maior, sobretudo por novos clientes, dos segmentos de frigoríficos e de papelão ondulado, que ainda têm a fécula como substituição ao amido de milho.

O preço da fécula tailandesa para a exportação seguiu estável, em US$ 485,00/t (FOB Bancoc), pela 5ª semana consecutiva. No entanto, este valor está 14% acima do registrado no mesmo período do ano passado, conforme o Thai Tapioca Starch Association (TTSA).

Farinha de Mandioca: Vendas seguem melhorando e indústria intensifica a produção

O mercado de farinha de mandioca deu sinais de melhora nesta semana, impulsionado pela retomada dos embarques do derivado para estados do Norte. Assim, a indústria – principalmente as do Paraná – voltou a intensificar a moagem.

Para a indústria de farinha do Paraná, a oferta de raízes foi menor na semana – houve, até mesmo, disputa com as fecularias. Diferentemente de semanas anteriores, nesta, não foi verificado excedente de raízes para farinheiras do oeste paulista.

Farinheiras do noroeste paranaense registraram alguns embarques para o Norte e o Centro-Oeste, mas a quantidade expressiva de farinha de mandioca esteve concentrada aos empacotadores e atacadista locais, que ainda pressionaram as cotações do derivado.

Com atacadistas de Minas Gerais e do Rio de Janeiro fora do mercado, a comercialização esteve em ritmo bastante lento no centro-oeste do Paraná nesta semana, e o derivado continuou com os valores sendo pressionados. Diante do aperto das restrições ao funcionamento do comércio em vários municípios, as vendas de farinheiras paulistas mantiveram-se em queda na semana.

Alguns agentes apontaram maior procura por parte de atacadistas do Nordeste, mas ainda envolvendo pequenos volumes.

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