Fertilizantes: Aqua vende negócio brasileiro de insumos especiais por US$ 120 milhões

  • 28/10/2020
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  • Categoria(s): Notícias Agrí­colas |

Fertilizantes

Gestora vendeu a Fertiláqua à israelense ICL, controlada pelo bilionário Idan Ofer. Saiba mais:


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A Aqua Capital, gestora de private equity que concentra suas apostas no agronegócio brasileiro, começou a fazer dinheiro para os investidores.

Criada pelo argentino Sebastiãn Popik e com US$ 650 milhões em ativos sob gestão, a Aqua vendeu a Fertiláqua, de fertilizantes agrícolas especiais, à israelense ICL, em uma transação de US$ 120 milhões (cerca de R$ 670 milhões, considerando a atual cotação da moeda americana). O grupo israelense fatura mais de US$ 5 bilhões por ano e é controlado pelo bilionário Idan Ofer.

O montante recebido pela Aqua ainda pode aumentar, a depender de metas atingidas pela Fertiláqua, plataforma fertilizantes especiais estruturada pela gestora desde 2013, quando comprou a Aminoagro. Os dados de faturamento da Fertiláqua não foram abertos, mas estima-se que a empresa tenha uma receita de mais de R$ 350 milhões e cresça 15% ao ano.

As negociações com a ICL, que possui ações na bolsa de Nova York, ocorreram em meio à pandemia, com reuniões remotas ao longo de todo o processo. Um dos desafios para a transação foi demonstrar que, mesmo com o isolamento social, o ritmo da Fertiláqua seria preservado. Esse era um tema essencial, visto que a ação do time de vendas da empresa depende da demonstração da eficácia dos produtos no campo.

Em entrevista ao Valor, Popik ressaltou que a gestora e a ICL chegaram a um bom acordo para eliminar o risco cambial, assunto crucial em meio à instabilidade do dólar em tempos pandêmicos, sobretudo no Brasil. Ele evitou detalhes, mas lembrou que a transação foi precificada, em dólar, quando a moeda americana era cotada a R$ 5,80 — atualmente, ronda R$ 5,60.

Os recursos da transação retornarão para os cotistas da Aqua. A Fertiláqua faz parte das investidas compradas pela gestora com os recursos do primeiro fundo, de US$ 173 milhões, levantado entre 2012 e 2013. As outras quatro empresas desse fundo também devem ser vendidas dentro de dois anos, sinalizou o gestor.

No segundo fundo, levantado entre 2016 e 2017, o prazo de maturação dos investimentos deve levar mais tempo. Com US$ 370 milhões sob gestão, esse fundo reúne plataformas como a AgroGalaxy, que agrega uma série de distribuidoras de insumos agrícolas compradas nos últimos anos pela Aqua e fatura R$ 3,3 bilhões por ano.

A Aqua ainda conta com cerca de R$ 450 milhões do segundo fundo para investir, e a expectativa é que no “futuro próximo” possa abrir um terceiro fundo para captação, acrescentou Popik.

Fertilizantes especiais

Vendida à ICL, a Fertiláqua foi formada pelos ativos da Aminoagro, controlada pelo Aqua desde 2013, e da Dimicron, adquirida em 2015, que juntos responderam por investimentos da ordem de R$ 120 milhões.

Em 2018, o negócio de cana-de-açúcar da Smart Spray se fundiu ao da Fertiláqua, que já atuava em culturas do Cerrado e Sul do Brasil. Atualmente, a companhia conta com fertilizantes foliares, bioestimulantes e condicionadores de solo no portfólio.

Presente em 24 Estados brasileiros, a Fertiláqua atende mais de 500 clientes. A empresa possui cerca de 350 funcionários, que trabalham em duas unidades de produção e dois centros de pesquisa, e fazem atendimentos aos produtores a campo.

Em 2019, a indústria brasileira de fertilizantes especiais faturou R$ 7,1 bilhões, incremento de 7,7% na comparação anual, conforme a Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo). Os fertilizantes foliares responderam por R$ 5,7 bilhões do total e os condicionadores de solo, por R$ 90,7 milhões.

Em ascensão, o segmento vem atraindo o interesse e movimentando fusões e aquisições. Recentemente, a americana AMVAC comprou a norueguesa Agrinos, que atua no Brasil. Neste ano, o Syngenta Group também anunciou a aquisição da italiana Valagro, e o Grupo Vittia, da brasileira Fertilizantes Vitória.

Pós-Fertiláqua

Mesmo com a saída da Fertiláqua da carteira, o Aqua continua a ter como investidas no mercado de insumos a Biotrop (controle biológico), Yes e Aqua Feed (nutrição animal), Sementes Campeã, e não descarta novas aquisições. “Há muita oportunidades de investimentos em insumos e só vemos esse mercado aumentando, porque é uma área em que o Brasil é super competitivo”, afirmou Popik.

O desinvestimento tampouco deve atrapalhar a estratégia das empresas da Aqua que ficam e da que vai embora, apesar da expectativa ser de continuidade das relações comerciais. “As distribuidoras do AgroGalaxy têm oito grandes fornecedores, e a Fertiláqua era um entre eles, mas não com um peso de 12% na receita. Ao mesmo tempo em que as distribuidoras são um cliente importante para a empresa, mas não o principal”, ressaltou o gestor.

Para a israelense ICL, que atua no ramo macronutrientes (potássio e fosfato) e em segmentos como engenharia de materiais, a compra da Fertiláqua marca a ampliação da oferta de produtos de valor agregado e de fertilizantes especiais, além do incremento da base de clientes no Brasil.

No mundo, a ICL é a sexta maior produtora de potássio, de acordo com informações da companhia.

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Conteúdo com informações da revista Valor.
 

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