Mercado de Carnes: China impulsiona recorde de vendas brasileiras de soja e carne bovina

  • 31/08/2020
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  • Categoria(s): Mercado de Carnes |

Mercado de Carnes

A carne bovina, juntamente com a soja é o segmento que está passando quase imune pela pandemia. A maior preocupação do setor era uma queda no consumo interno por causa da crise. Não foi o que aconteceu. Além disso, este cenário favoreceu para que as exportações para a China crescessem. Confira:


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O pesquisador Thiago Carvalho, do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), identificou uma redução de apenas 2,51% no consumo de carne no primeiro semestre de 2020, na comparação com a média de 2019. Um dos motivos seria o auxílio emergencial dado pelo governo, que ajudou a minimizar a perda de renda das famílias.

Para Alcides Torres, da Scot Consultoria, especializada em pecuária, os efeitos chegaram a ser sentidos nos grandes centros urbanos com o fechamento de restaurantes e hotéis. Mas a demanda da China, principal compradora da carne bovina brasileira, aumentou e compensou qualquer dano.

O país passou a exportar 25% da produção, e 57% dos embarques foram destinados para o país asiático.

O resultado do aumento das exportações foi uma escalada nos preços do boi gordo, que já vinham em alta desde o fim de 2019, quando a peste suína africana dizimou rebanhos na China e obrigou os importadores a buscar mais carne no Brasil.

As cotações até caíram um pouco entre março e maio deste ano em função da quarentena, mas logo se recuperaram. A arroba do boi atingiu recorde histórico e passou a valer em média R$ 224 na primeira quinzena de agosto, segundo a Scot Consultoria.

O primeiro semestre de 2020 já pode ser considerado o melhor da história para as exportações de carne bovina, com uma soma de 777 mil toneladas. O volume mais alto já alcançado até então havia sido de 699 mil toneladas, no primeiro semestre de 2007.

A alta do preços na arroba do boi vem também da oferta mais restrita. A pecuária vive ciclos: se o período é de preços baixos, o pecuarista abate mais vacas. Dessa forma, ao longo do tempo, o rebanho diminui, reduzindo a oferta de animais no frigorífico e fazendo o preço subir.

“Estamos na metade de um desses ciclos de menor oferta, por isso a tendência é de preços altos para a arroba do boi por pelo menos mais dois anos”, avalia Torres, da Scot Consultoria.

Ainda há riscos. Se houver uma piora da Covid-19 no Brasil e um impacto econômico mais grave do que o previsto, a venda de carne bovina tende a cair mais.

“Mesmo assim, considero difícil o preço cair para o pecuarista brasileiro, porque a China entra no mercado e aproveita a oportunidade”, afirma Carvalho, da Cepea.

Há também a chance de um embargo à carne brasileira caso cresça a incidência do novo coronavírus entre funcionários de frigoríficos. Os analistas avaliam que, até agora, o país foi eficiente no controle adotado nas plantas de abate e dificilmente terá problemas tão intensos quanto os EUA, onde muitas fábricas foram paralisadas.

Uma ameaça maior seria a política internacional brasileira. “Ficamos assustados com alguns posicionamentos do governo, com críticas aos chineses”, diz o diretor da Scot Consultoria. “Se o agro brasileiro não para, é porque a China não para.

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Fonte: Folha de São Paulo.

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